O CASTIÇAL (candelabro) DE OURO E AS SETE LÂMPADAS (Zac.4:1-10):

“Tornou o anjo que falava comigo e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono. E me perguntou:Que vês? Respondi: Olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda. Então perguntei ao anjo que falava comigo: meu senhor, que é isto?Respondeu-me o anjo que falava comigo: Não sabes tu que é isto? E eu disse: não, meu senhor. Prossegui ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exercítos. Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina; porque ele colocará a pedra de remate, em meio à aclamações: Haja graça e graça a ela. Novamente, me veio a palavra do Senhor, dizendo: As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exercítos  quem me enviou à vós outros. Porque, quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á, vendo o prumo na mão de Zorobabel. Aqueles são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra”.
 

 

A IMPORTÂNCIA DA PROFECIA DE ZACARIAS
PARA NOSSO TEMPO

         É grande com certeza, tendo em conta – como já o sublinhei na minha pregação sobre “A OBRA DE DEUS NO ÚLTIMO TEMPO” – que esse profeta cumpriu o seu ministério num momento capital da história de Israel em busca de reconcilição com Deus: E RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE JERUSALÉM.
         A iniquidade e o pecado instalaram-se em Israel, e o povo escolhido de Deus procedeu impiamente e rebelou-se contra seu Senhor, afastando-se de Seus mandamentos e juízos e negando de dar ouvidos aos servos e profetas de Deus que falavam da Sua parte. Pelo que Deus rompeu Sua aliança com a geração má e lançou a confusão no rosto dos filhos de Israel. A maldição e todo o mal escrito na lei de Moisés caiu-lhes em cima. O povo de Israel foi arrancado das suas terras e levado em cativeiro na Babilônia.
         Setenta anos, foi o tempo que Deus determinou pela boca do profeta Jeremias, para pôr fim as desolações de Jerusalém. E no fim desse tempo determinado, o Espírito de Deus animou os que regressaram do cativeiro afim de restaurar a Casa de Deus e Seu culto.
         Foi, pois, na altura em que essa obra de reconstrução enfrentava grandes barreiras no sentido de dificultar a sua realização, que Deus levantou os profetas Zacarias e Ageu cujas profecias permitiram o acabamento da obra de reedificação do Templo de Deus em Jerusalém.
         Tendo chegado neste ponto, todo o entendido sabe que estas coisas nos foram feitas em figuras (como exempo) e estão escritas para nossa instrução, nós a Igreja; para quem já é chegado o fim dos séculos (1Cor.10:6,11).
Sabemos que tudo o que é contido na lei é a sombra dos bens futuros; apenas uma repesentação, e não a imagem real dessas coisas que são celestiais e espirituais (Heb.10:1a). Temos pois aqui, uma ilustração para a época presente em que a Igreja de Jesus Cristo que foi edificada pelos apóstolos no princípio como uma Casa espiritual (o templo do Deus vivo), procedeu também impiamente e rebelou-se contra o santo mandamento do Senhor que nos foi transmitido na Sua doutrina pela boca de seus apóstolos e profetas. A aliança foi quebrada no concílio de Niceia, e a verdadeira adoração levada presa na “Grande Babilônia” (Apoc.17). Aqui está o cativeiro espiritual da Igreja. O mistério do pecado que já opera no mundo pelo vinho das prostituições da “Grande Prostituta” que embebedeu todos os reis e habitantes da terra, profanou o grande Nome do Senhor no meio das nações. ICABOD: Foi-se a glória! A arca de Deus foi levada presa e a gloria foi banida da Igreja!
Pois que, Deus deixará para sempre Seu templo assolado? Que não! Porque à Ele pertence a misericórdia e o perdão. Tal como aconteceu para com Israel ao fim de setenta anos, passado sete épocas ou eras, a Igreja – esse templo da nova aliança – será REEDIFICADA ou reposta no seu estado antigo; reconduzida no seu fundamento primitivo pela MENSAGEM DA RESTAURAÇÃO afim de receber o Senhor Jesus Cristo que BREVEMENTE vem!
Aqui está a sabedoria que tem inteligência: Aquele Deus que se revelou à Israel e antigamente habitava em Jerusalém (Esd.1:3), se revela hoje ao povo eleito da nova aliança “em Espírito e em Verdade” (Jo.4:21,23,24). Aqui está a sua nova morada! É nisso que se resume a promessa feita pela boca de todos os profetas (como aqui por Zacarias): No último tempo, nem por força, nem pelo poder ou violência, mas sim pelo Espírito de Deus que será derramado sobre Seus ungidos segundo a promessa deste dia, A IGREJA DE CRISTO SERA RESTAURADA, PELO ESPÍRITO SANTO, NA DOUTRINA QUE É SEGUNDO A  VERDADE. A mesma que foi ensinada pelos apóstolos na era primitiva e que foi combatida e adulterada pela Grande Babilônia: esta mulher (igreja, religião) ou cidade (sua sede) que reina sobre os reis da terra (Apoc.17:18). Ilustrada na antiga aliança pelo rei Nabucodonosor e sua Babilônia. Está escrito:
“O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam... O que é, já foi, e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou” (Ecl.1:9,10a; 3:15a).
         Bem-aventurado aquele que adquire o conhecimento e discerne a hora que vivemos e sua promessa. Aqui está o repouso, segundo o que está escrito; é aqui onde haverá paz para todos os homens a quem Deus demonstra Sua boa vontade (Is.28:12; Lc.2:14).

 

 

ESSA PROFECIA SE CUMPRIU, HOJE

O mistério da Igreja do Cristo, nomeadamente no que diz respeito a vocação dos gentios, já esteve presente no Conselho de Deus desde os tempos proféticos nos séculos que nos precederam, mas contudo, ocultado ao entendimento dos filhos dos homens, até que o cumprimento do tempo o manifestasse pela revelação do Espírito no ministério apostólico, como nos ensina o irmão Paulo na sua Epístola aos Efésios. E, como segundo a lei de Deus, todo assunto é confirmado pela deposição de dois ou três testemunhas, gostaria antes de debruçar-me sobre esta visão do profeta Zacarias, lembrar essas palavras do apóstolo Pedro:
“Acerca desta salvação os profetas que profetizaram da graça que VOS FOI DESTINADA, investigaram e examinaram, procurando atentamente saber o tempo e as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito do Cristo que neles estava, ao predizer os sofrimentos de Cristo e as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que não estavam ministrando para si mesmos, quando falavam das coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que vos pregaram o evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu, coisas essas que anjos anseiam contemplar” (1Pe.1:10-12)

Observando como o profeta Zacarias investiga junto do anjo acerca das coisas que observava nessa visão, o Espírito nós dá à entender que essa profecia ainda estava para se cumprir num tempo marcado. Hoje, porém, vivemos o momento do cumprimento dessas coisas se bem que, o tempo e as circunstâncias oportunas indicados nessa profecia nos revelam o segredo de Deus pela revelação do Espírito nesta pregação do Evangelho.
E como dizia um certo homem de Deus: “Se alguém disse que tem o Espírito Santo e nega esta palavra, há algo que não está certo: o Espírito Santo escreveu esta Palavra”.

 

O CASTIÇAL DE OURO

“E me perguntou: Que vês? Respondi: Olho, e eis um candelabro todo de ouro, e um vaso de azeite em cima, com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro”.

O mistério do castiçal que ilustra a IGREJA nos é desvendado pelo próprio Senhor, no Apoc.1:20.
Jesus é a luz do mundo (Jo.1:4,5,9; 3:19-21;8:12; 9:5; 12:46;etc.). E, Ele deu essa glória à Sua Igreja que é Seu corpo (Jo.17:22); pelo que disse à intenção de Seus discípulos ou seguidores à que chamou de “filhos da luz” (Jo.12:36): “Vois sois a luz do mundo” (Mat.5:14).
Essa luz verdadeira que ilumina à todo homem e purifica todos os caminhos, é a Palavra de Deus (Sal.119:105). Esta mesma Palavra de Deus que se manifestou em carne por Jesus Cristo para fazer conhecer aos homens Sua vontade e lhes conduzir ao Pai celestial: “Ninguém pode vir ao Pai senão por mim”.
Na representação do primeiro tabernáculo, o castiçal estava no santuário, posto diante do véu que separava esse lugar santo do lugar santissímo, também chamado “Santo dos santos”. Neste última parte se encontrava o propiciatório, de onde Deus revelava toda Sua vontade ao Seu povo pelo Seu profeta (Ex.25:17,22; 26: 33-35). Aqui está uma perfeita ilustração do que se passa hoje no verdadeiro tabernáculo: Jesus é o santuário do verdadeiro adorador; aquele que adora Deus “em Espírito e em verdade” (Is.8:14); o lugar escolhido por Deus para pôr Seu Nome e apresentar todo o sacrifício previsto pela lei para o povo da nova aliança. Dentro desse santuário brilha uma luz: o Evangelho da glória do Cristo (2Cor.4:4). Aqui está a verdadeira Luz que conduz na face do Senhor (o novo propiciatório). O Espírito Santo nos guiando nesta luz até por detrás do véu, nas profundezas de Deus. Lá onde todos os segredos de Deus são desvendados pela Palavra revelada e viva. É aqui onde o eleito se alimenta do maná escondido.
Ora, este alimento era guardado dentro da arca da aliança, debaixo do propiciatório, sob o olhar atento dos querubins. Aleluia! Disso também testificou o apóstolo Pedro (1Pe.1:12b). Pois, é pela Igreja que a sabedoria de Deus revelada pelo Espírito da verdade nas suas várias formas, é conhecida dos principados e potestades nos céus (Ef.3:10). Mas, nem todos não têm esse conhecimento! Por isso foi dito: “Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo (ou da trombeta), andará, ó Senhor, na luz da tua face” (Sal.89:15). Pois, há coisas que só um escolhido pode ver, ouvir e entender: a palavra vivificada pelo Espírito da revelação. Aqui está o verdadeiro vinho que estimula o eleito.
De mesmo modo que havia um véu que servia de porta entre o santuário e o santo dos santos no primeiro tabernáculo; porta essa que ocultava a presença de Deus. Hoje no verdadeiro tabernáculo, este véu que separa os que adoram no santuário do Pai é Jesus-homem.
Disse Filipe: “Mostra-nos o Pai”. Jesus responde: “Quem me vê a mim, vê o Pai, não crês tu, que eu estou no Pai e o Pai está em mim?” (Jo.14:6-11). Foi o véu do Seu corpo humano que escondia aos olhos dos judeus, o próprio Deus manifestado no meio do Seu povo (Jo.10:30; Fil.2:6-8). Mas, quando sobre a cruz o véu da sua carne foi rasgado, até Tomé o apóstolo duvidoso passou pela essa porta e achegando-se ao propiciatório, se alimentou do maná escondido e reconheceu a divindade revelada por detrás do véu da carne de Jesus:”Senhor meu, e Deus meu!” (Jo.20:28). Disse Jesus: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (Jo.10:9).Aleluia! Se todos nós pudéssemos ver esta coisa como ele... (Heb.9:8;10:19,20). Afinal é Ele – Jesus – que é o Deus verdadeiro e a vida eterna (1Jo.5:20). Guardai-vos dos idolos!
JESUS É O MESMO ONTÉM, HOJE E ETERNAMENTE! (Heb.13:8). Acontece pois que, até hoje, este véu humano continua a esconder aos olhos de alguns discípulos, a presença desejada do Senhor ou a manifestação do Filho do homem pelo ministério de um de Seus ungidos (Mat.10:40; Mat.28:20b). Bem-aventurado porém, aquele que adora nesse Santuário! Pois, será salvo, entrará, sairá e achará pastagem: o sustento dado pelo Senhor ao seu povo no tempo oportuno (Mat.24:45). Todo o resto são caminhos que parecem direitos aos olhos dos homens, mas afinal seu fim é a perdição (Prov.16:25).
 Agora, é de capital importância, notar aqui uma coisa: Zacarias é o único profeta desde Moisés que nos dá uma descrição detalhada do Castiçal. Que significa isso?