O DESFECHO DA DESPENSAÇÃO DA IGREJA

Lembro-me que foi na época em que divulgava a minha primeira pregação escrita, intitulada: “A mulher e o dragão”, foi interpelado por um doutor da Igreja que me disse: "Escuta, a pregação é bom, mas não concordo contigo quando afirmas que a Igreja passa na grande tribulação. Se tirar isso da tua pregação, então ela será mais exacta". E eu quis saber o porque. Pois, digo a verdade e não minto, tudo o que ensino na Igreja, faço-o pelo Espírito de Deus que me revela essas coisas; não tendo sido em nenhuma escola humana matéria.
            Ele respondeu, citando a escritura de Rom.8: 1: "Você sabe que a Bíblia diz que: não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo. Portanto, se a Igreja está em Cristo, ela não pode passar pela grande tribulação. Porque todos aqueles que estão em Cristo são salvos". Como era o fim-de-semana, ele me convidou para que possamos nos encontrar na segunda-feira para debater essa questão com outros pregadores.
No entanto, o senhor me advertiu na oração para ão não comparecer naquela reunião; para não mudar nada na revelação que Ele me tinha dado sobre a profecia de Apocalipse 12 e também e sobretudo, para evitar qualquer debate e discussão sobre a palavra de Deus.
Mas, hoje, quero que os santos julgam uma vez por todas, o argumento apresentado por esse pregador, que não é outra coisa senão uma má concepção do plano da salvação, por meio de uma interpretação particular da palavra de Deus.
            Muitos pregadores referindo-se à escritura de Rom.8: 1 interrompem o versículo no meio; pois na sua versão completa, está escrito: "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não vivem segundo a sua própria natureza, mas no espírito". (Algumas versões escrevem: "que anda não segundo a carne, mas segundo o espírito"). Agora, ao parar no meio do versículo, cai-se precisamente na astúcia do diabo que, na sua luta para seduzir a Igreja pela tentação do pecado, tentam por todos os meios derrubar a Verdade primitiva. Ora bem, é precisamente isso que faz a força da doutrina dos Nicolaítas: encontrar um pretexto para justificar o pecado praticado na carne, apoiando-se particularmente na escritura de Rom.7: 14-25: "... Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim… ". Ora é, sem dúvida, esta maneira errada de encarar a salvação e de anunciar falsamente o evangelho que levou a Igreja a sua decadência espiritual.
            Irão certamente perguntar porque, em algumas traduções ou versões da Bíblia, esta segunda parte da Rom.8: 1 foi simplesmente excluída (eu mesmo, no momento em que escrevo estas linhas, tenho debaixo dos olhos várias traduções da Bíblia: algumas param no meio do versículo; outras o completa). De que lado seria a verdade? À qualquer pergunta bíblica, encontrar uma resposta bíblica. E, antes a dúvida causada por esta controvérsia causada pelo diabo em relação à esta escritura, a Verdade (para aqueles que amam) foi portanto restaurada à partir do versículo 4 do mesmo capítulo:
"Para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Rom.8: 4-9).
Hoje, pessoas que se dizem cristãos (e até mesmo pregadores) estão envolvidos na prostituição, se embriagam com bebidas alcoólicas, fumam e tomam drogas. Amigos dos prazeres e desfrutando da dissolução e dissimulação, os olhos cheios de adultério, eles vos dizem: “não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus”.
Não vos deixai enganar: a inclinação da carne, é a morte... é inimizade contra Deus; pois a carne não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser. Considere esta coisa no mistério do casamento: uma mulher que não se sujeita à lei do seu marido não pode agradá-lo. Portanto, por analogia, esta igreja que não andam segundo o Espírito de Cristo perdeu claramente sua vocação de esposa e caiu na infidelidade; e neste caso ela não lhe pertence.
Assim, só me resta vos dizer uma coisa: salvai-vos da perversão! Se compreenderam isso, então podereis entender porque esta igreja passa na grande tribulação. É óbvio!
O filho nascido de mulher e que é arrebatado para Deus e para Seu trono, é uma representação da Assembleia do primogénito inscritos no céu (Heb.12: 23a). Dos primogénitos que, tendo chegado na perfeição e na plenitude da fé tornaram-se UM (Jo.17: 21). Assim como essa multidão de crentes da Igreja primitiva foi uma só alma (Act.4: 32).
No entanto, a verdade da palavra nos ensina que Deus predestinou todos esses crentes à ser semelhantes à imagem de seu filho Jesus Cristo. Ele é o primogénito entre muitos irmãos (Rom.8: 29). Portanto, é esta imagem do filho, que Deus utiliza na profecia de Apoc. 12: 5 para representar Seus eleitos. Pelo que podemos entender porque muitos enganaram-se em confundir o filho da mulher de Apocalipse 12 com Jesus Cristo e, mantendo-se na mesma lógica, confundiram também esta mulher com Maria.
            Esses eleitos são, portanto, as primícias (primogénitos) da Igreja que, tendo sido purificados pela água da Palavra; santificados mediante a Verdade da palavra de Deus, foram baptizados do Espírito Santo e, em tudo foram feitos semelhantes à Jesus Cristo, pela sujeição na doutrina de Deus (Jo.4: 34). Por isso, Jesus Cristo, Senhor deles, não tem nenhuma vergonha de lhes chamar seus "irmãos".
            E, que fim Deus reserva à esta igreja (a mulher que carregou a preciosa semente)? Lembrem-se do que dissemos aqui: seduzida, ela perdeu sua vocação de esposa e se deixou contaminar. Mas, por causa da presciência de Deus que deve manifestar na plenitude dos tempos, todos aqueles que foram chamados segundo o Seu Propósito (Es.46: 9-11; Rom.8: 28); esta igreja foi preservada na sua missão de mãe. Guardai-vos pois de confundir essas coisas: a vocação de esposa e a missão de mãe. Nunca fazem isso!
            Grande é o mistério do matrimónio, em relação a Cristo e sua Igreja. Ora, nem todos receberam de Deus poder para compreender isso. Mas, todos aqueles que receberam o Espírito da graça compreendem o verdadeiro significado das palavras de Ef. 5: 24:
"Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos."
Que pois? A vocação da mulher é estritamente manifestada na sua sujeição em tudo ao seu próprio marido. Isto aplica-se a esposa carnal (no casamento entre homem e mulher), bem como para na esposa espiritual (no casamento entre Cristo e a Igreja). No entanto (e já falei demoradamente sobre essas coisas na pregação: "A condição da mulher"), é evidente que uma mulher pode tornar-se mãe, ou seja, carregar a semente de alguém e a multiplicar, sem no entanto lhe ser sujeita em tudo, como esposa. Ora, se ela não for sujeita como o diz a Palavra; trata-se de uma incrédula. Como também o é, todo homem que não ama sua esposa como diz a Palavra. E, neste caso, os filhos são santificados pela fé do cônjuge crente (1Cor.7: 14). Quanto ao destino deste homem ou mulher, está escrito: " Pois, como sabes tu, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó marido, se salvarás tua mulher? " (v.16)
Vejamos isso na figura de Moisés: ele casou-se com Zípora, uma mulher pagã, filha de Jetro, sacerdote de Midiã, com quem Moisés teve dois filhos: Gérson e Eliézer (Ex.2: 22; 18: 2. 3). Embora Zípora não tiver permanecido com Moisés na presença de Deus, na condição de esposa; os filhos nascidos dela permaneceram na aliança no meio do povo Santo, sendo santificados diante de Deus por Moisés, pela circuncisão.
            Agora, aplicamos isso a Cristo e sua Igreja que foi seduzida, e depois contaminada. Compreendemos então porque os eleitos gerados por esta igreja são arrebatados para a glória; enquanto esta mesma igreja passa pela grande tribulação. Porque? È simples, apesar dessa Igreja ter corrompido os seus caminhos, e perdida sua vocação de esposa, o próprio Senhor Jesus (o Esposo) santificou-se à Si mesmo para que sua semente seja também santificada diante de Deus (Jo.17:19). Pelo que Deus os justificou e glorificou.
Em todas as gerações, o Senhor cuidou pessoalmente dos Seus. Daqueles que não obedecem à voz da mulher ou da sua mãe (o "assim disse – ou ensina – nossa igreja"); mas sim à voz do Pai (o "assim diz o Senhor"). Por isso, entendemos que, apesar de termos nascido da mulher, não somos contudo os "filhos da mulher" (filho ou membros da Igreja - isso implica); mas sim, filhos de Deus gerados pela Igreja para obedecer ao Senhor. Pelo que, não obedecemos à voz ou doutrina da Igreja; mas sim à voz ou doutrina do Senhor.
Sim, na verdade, grande é o mistério do matrimónio! E só Deus sabe que, jamais iria entender essas coisas, nem ensiná-las com tanta exactidão, se não tivesse vivido na minha própria carne e apreendido o que é a perca de vocação de uma esposa.
Pelo que insisto, e isso é inequívoco: A IGREJA PASSARÁ NA GRANDE TRIBULAÇÃO e o resto da sua posteridade será salvo como através do fogo (Apoc.12: a mulher no deserto; e Apoc.7: 9-15).
No entanto, independentemente do que vossa igreja ou tendência cristã prega ou ensina, todo aquele que perseverar na fé primitiva, será salvo (Mat.24: 13).

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦