DO PENTECOSTES AO PENTECOTISMO: DUAS VISÕES DETERMINANTES SOBRE A QUEDA DE UM SISTEMA

Pouco depois da minha conversão em Julho de 1992, comecei a ter visões. E, como na altura, eu era pouco entendedor das coisas de Deus, limitava-me à contar essas visões aos meus pastores e outros irmãos, mais avançados na fé. Cada um tentava interpretar essas coisas à sua maneira; falando ora de uma maneira, ora de uma outra. Se bem que no fim, acabei por ser alcunhado de “Homem de revelações”, num tom de zombaria e de desprezo. Mas quem é aquele que por vontade própria pode produzir uma profecia; quer por palavra, visão ou sonho? Foi assim que tive as duas visões que vou contar aqui:

  1. A PRIMEIRA VISÃO: A VISÃO DE RÃ

 

Em 1993, aquando frequentava uma assembleia pentecostal onde me tinha converti ao Senhor, fomos convidados à assistir uma reunião (seminário bíblico) de avivamento, cura e milagres, tendo como tema: “Quem me libertará deste miserável corpo de pecado”? Eu estava olhando pelo pregador, e mui atento à sua pregação, quando aquilo ocorreu: Vi uma rã gigante sobre o púlpito, em frente do pregador. Apanhei um susto: “Talvez distrai-me e dormitei sem me aperceber”, pensei em mim mesmo… Mas, mal que mudei de posição, aquilo aconteceu de novo: O pregador estava lá à apregoar o seu sermão, à maneira pentecostal, mas diante dele… bem sobre o púlpito, em cima da Bíblia e a altura da sua boca, MEUS OLHOS VIRAM UMA RÃ. A visão permaneceu alguns segundos e depois desapareceu. “É o espírito de orgulho e de vaidade”, disseram-me mais tarde a maioria de pessoas que eu perguntei. Isso podia até fazer algum sentido. Sobretudo quando conheci mais tarde e de perto o pregador (são daqueles homens que passam mais tempo à falar de si mesmo, no sentido de “Eu fiz.., eu era… eu sou, etc.). “É o espírito retrógrada -me diria um outro irmão -, porque a rã ao saltar olha sempre a trás de onde veio…”.
Três anos mais tarde, o Senhor me abriu a inteligência para compreender a visão que Ele me dera antes: A RÃ É UM ESPÍRITO IMUNDO NA BOCA DE FALSOS PROFETAS; ESPÍRITO DE DEMÓNIOS QUE OPERA OS SINAIS E PRODÍGIOS DE MENTIRA PARA A SEDUÇÃO (Apoc.16:13-15). Hoje, observei atentamente os cultos nos meios pentecostais, onde a Palavra é desprezada por pastores e ouvintes à procura de sinais e algumas soluções milagrosas para satisfazer seus deleites e concupiscências (“a comichão nos ouvidos para escutar coisas agradáveis”), e percebi A VISÃO DA RÃ. Por isso, tal como o fez o profeta Miqueias no seu dia, hoje quero despertar a Igreja do Cristo sobre esta coisa: HÁ UM ESPÍRITO DE MENTIRA NA BOCA DESSES PROFETAS para seduzir com prodígios de mentira baseando-se em unções estranhas e singulares, todos esses que – como Acabe – não receber o amor da verdade para se salvar. As escrituras de Mat.24:24; 2Tes2:7-9; 2Pe.2:1-3, etc. estão à se cumprir. Bem-aventurado aquele que não se deixar enfeitiçar!

  1. A SEGUNDA VISÃO: A VISÃO DO CÃO

 

Desta vez, foi em 1996: Acabava de regressar de Luanda após ter passada algum tempo no interior. Aparentemente uma campanha de evangelização à maneira pentecostal, tinha sido realizada durante esse mesmo tempo. Tomei conhecimento disso, à través os afixos publicitários nas paredes. Mas, foi olhando distraidamente (enquanto ia passando) à um desses afixos que me veio a visão. Estampado sobre o papel estava um CÃO, com a língua toda pendente para fora, sentado sobra as patas traseiras. Assustado, aproximei-me pela primeira vez de um dos afixos para ver de perto. E viu, uma mulher pregadora de joelho com o micro na mão. Essa era a oradora principal dessa campanha. Três dias mais tarde, deparei-me numa outra rua com o mesmo cartaz, e veio-me de novo a mesma visão. Ao aproximar-me de perto, viu a mesma coisa como a primeira vez. E, mais tarde a visão me foi interpretada nessa escritura: 2Pe.2:17-22.
Entendi que o movimento pentecostal tinha definitivamente caído da graça de Deus, e que, tais como cães voltando ao seu próprio vomito, muitos desses pregadores que prometem liberdade (cura, libertação, etc.), são eles mesmo escravos da corrupção que lhes levou à abandonar a verdadeira vocação que é celestial para regressar aos rudimentos do mundo. E, falando com arrogância e vaidades, estimulam os homens à juntar tesouro na terra (contrariando deste modo os ensinamentos do Cristo em Mat.6); e pelo seu “evangelho” (o “evangelho da nova era” ou “a terceira vaga” ou onda, como é apelidado) incentivam a carnalidade, a luxúria, a cobiça, a avidez ou cupidez, ambição e ganância que leva de novo na destruição, esses crentes que um dia tomaram a decisão de abandonar o mundanismo. Fazendo assim desses prosélitos, duas vezes candidatos do inferno. Hoje, a multidão adora na falsidade sem se aperceber de nada; trabalhando pela comida que perece, ao invés de atentar pela boa comida que permanece para a vida eterna. Assistimos de novo ao renascer do culto do BEZERRO DE OURO; o culto à Mamom caracterizado pela uma verdadeira corrida ao enriquecimento e procura de lucro ou vida fácil dentro das igrejas. À través esses pregadores materialistas, abriu-se uma porta para que O MUNDO SE FAÇA PRESENTE NA IGREJA. Como bem o disse alguém: “Achei o mundo dentro da Igreja, e a Igreja dentro do mundo”. Esta é a VISÃO DO CÃO. 
O pentecostimo acabava de se transformar num covil de ladrões: esses falsos profetas que prometem curas milagrosas, sucessos financeiros, etc. em troca de alguns benefícios (dízimos, ofertas de profetas, etc…); um verdadeiro esconderijo de espíritos imundos que rejeitam a Palavra de Deus e renegam o Único Salvador, para ir após sinais e milagres. Os falsos mestres introduzem dissimuladamente heresias de destruição e muitos lhes seguem na sua dissolução. Satanás procura seduzir neste meios, até os eleitos (se fora possível!). Mas, disse o Senhor nesta revelação: “Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não anda nu” (Apoc.16:15). Alguém se lembra de que a era de Laodiceia em que vivemos é caracterizada pela nudez espiritual? Realizei neste dia, como que o mistério da iniquidade age nesses ajuntamentos pentecostais, trazendo a grande apostasia que hoje se instalou nesses cultos.
Foi nesse mesmo ano de 1996 que o Senhor despertou a minha atenção sobre O ALTAR RESTAURADO, quando a Sua Palavra me foi dirigida naquela noite, nesses termos: “A restauração do altar! Acontece o que acontecer, PERMANECE NO FUNDAMENTO”. Foi assim que três anos depois de ter recebido o baptismo do Espírito Santo, me livrei do pentecotismo cuja influência sobre o meu ministério era visível no começo, e comecei a pregar a MENSAGEM DA RESTAURAÇÃO. Só Deus sabe o combate que travei contra aqueles que até então eram meus amigos, companheiros e irmãos; e que me encaravam doravante como um herético.
         Com paciência, todo sofri, convencido como o apóstolo Pedro que, todo sofrimento que me é imposto por causa do Evangelho da verdade, testifica do Espírito da glória que repousa também sobre mim. Essa mesma glória que um dia será revelada para todos os santos. Se não for assim, Satanás nos teria deixado em paz. Lembro-me ainda destas visões fúnebres que nessa mesma época me perseguiam, anunciando a morte do meu primogénito. Falei disso com a minha esposa, e algumas pessoas achegadas. Mas, ninguém pode imaginar aquela dor que senti, quando naquela madrugada de 12 de Fevereiro de 1996 o meu primogénito dormiu. Passei toda a noite com o menino nos meus braços, implorando o Senhor para que o livrasse. Cansado, tentei adormecer, quando ouviu Aquela Voz: “Não temas, a alma do teu filho está nas minhas mãos”. Acordei de repente… apenas para me despedir dele. Entreguei o corpo sem vida nas mãos daquela que era até lá a sua mãe, e sai fora para apanhar o ar, a cabeça vazia. O Senhor não me tivera dito quando orava: “Glorificarei o Meu Nome ao amanhecer”? Deixei-me pois convencer que naquela hora, o miúdo iria sarar. Mas, Deus decidiu humilhar-me diante de todos e glorificar o Seu nome pelo sono do meu filho. Chorei e enterrei o pequeno no meio da zombaria: “Ele que ora para os doentes, como foi pois que deixou morrer o seu próprio filho”?
Não está escrito que: “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam à Deus”? O tempo que passei em companhia de GERSON (este foi o seu nome; o que significa: “Peregrino fui em terra estranha” – Ex.2:22), constituíram uma grande lição da FÉ, e sobretudo da ESPERANÇA QUE VAI PARA ÁLEM DA MORTE. Pois, hoje, mais do que nunca, percebi profundamente o sentido destas palavras de 1Tes.4:13-17, como jamais nenhuma pregação neste mundo podia me ter ensinado isso. E, se há algum motivo de me gloriar, certamente me gloriarei sobre Satanás que, querendo me entristecer até à morte, nada fez senão me ajudar à enviar mais uma alma para a glória; reservado para as bodas. Criei nisso, porque, segundo o que está escrito, esta alma foi santificada por mim (1Cor.7:14). O meu filho dorme, aguardando o GRANDE DIA. Ó morte onde está a tua força? Entendi que Deus, no Seu imenso amor para mim, acabava de me enviar o Seu anjo num pequeno corpo; com uma missão particular por mim. Me revelar o que sou na verdade: UM PEREGRINO NUMA TERRA ALHEIA! Esta é a mensagem que me foi enviado por intermédio de GERSON, este grande pregador que o publico jamais conheceu. Mas, cuja vida (oito meses ao meu lado) e morte marcaram sobremaneira todo o meu ministério e minha carreira. Pouco importa as circunstâncias em que a lição me foi dada, hoje sei que este acontecimento ancorou a minha alma numa esperança que vai para além do que o homem carnal vê e cobiça; é ali onde se encontra o meu verdadeiro tesouro: no invisível. Que temerei pois? Na minha luta contra a apostasia da igreja, prefiro a morte na corrupção. Pois o zelo da Sua casa me devorou também!
         Hoje pois, nada poderá me impedir de testemunhar dessas coisas que vi e ouvi (Act.4:20). Não só, Cristo pela Sua morte e ressurreição, aniquilou o maligno que detinha o império da morte pelo pecado; como também: “ livrou todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão ”.
         Sim, muitos são hoje, os crentes que preferem a corrupção da apostasia por medo da morte – ignorando que de qualquer modo, eles se condenam à uma morte mais certa. O diabo sabe que eles não podem resistir até à morte, razão pela qual ele domina sobre eles. Cabe pois a Igreja do Cristo de escolher entre os duros, mas breve sofrimentos do tempo presente que antecede a glória, da corrupção que significa a morte definitiva e sem arrependimento. Oxalá que o meu testemunho possa libertar o eleito desse cativeiro: a dependência do maligno.