ESSES “CRISTÃOS” QUE GOVERNAM O MUNDO

 

Um dia, um irmão me fez esta repreensão:
- "Por que você, como pastor, não quer engajar-te para defender o povo que sofre debaixo da opressão da má governação?”
Respondi-lhe: "Não, eu não posso fazê-lo. Isto não é minha missão; nem minha vocação".
- “Por que? Não vês que no tempo antigo, Israel foi conduzido e liderado por homens de Deus. Você pode fazer a mesma coisa hoje, não?”
- “Não, porque não somos Israel. Nós somos a "Igreja" de Cristo; e o Reino que esperamos e ao qual nos identificamos não é deste mundo. E, mesmo no caso de Israel, foi o próprio Deus que tinha determinado quem havia de sentar-se no trono. E, pese embora, houve alguns casos de usurpação do poder, como no caso de Jeroboão, Deus permitiu isso para um motivo”
Então ele me diz para terminar: "você não é o tipo dos pastores que precisamos nas actuais circunstâncias. Precisamos de pastores que são verdadeiros "líderes de opiniões", que se colocam do lado do povo para defendê-lo. Esta é a vontade de Deus".
- "Claro que não! Eu não sou um 'líder', eu sou um servo: um servo de Deus. Minha missão é anunciar os homens a salvação que Deus tem preparado para todos nós; assim como o Reino do céu que já está no nosso meio, e o Reino inabalável do Cristo que está para vir. Eis o que está revelado na vontade de Deus para nós: Não nos conformarmos com o século presente! Ora, “não nos conformarmos com este século” significa também: não interferirmos na política deste mundo, de qualquer lado que seja. Quer no exercício do poder ou na oposição ao poder estabelecido. Como poderia eu convencer os homens à confiar num outro homem cujos actos, amanhã no poder, podem ser dos piores? Todos ditadores do mundo não começaram assim: apoiado pela euforia popular? E no fim? Não quero ter este peso na minha consciência. Não quero ser participante do mal. Eis o que fez Jesus Cristo nos dias da Sua carne: Ele não se envolveu. Ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Aqui está! Sua doutrina nos ensina à cumprir os nossos deveres como cidadãos da nação onde nos encontramos, não de fazer quaisquer revindicações; ou brigar o poder neste mundo, em Seu Nome. Fazendo isso, vós mintais contra a Verdade da Palavra.”
Muitos são os que pensam que, quem nada diz consente em tudo. Claro que não! “Nada dizer” não significa também “nada fazer”. E, ainda que nada fazemos aparentemente; na verdade fazemos muito mais que aquilo que o homem carnal pode entender: Oramos por esta humanidade em decadência. Nós oramos para o país em que vivemos... Para o bem-estar de todos os homens. Sabendo que o nosso também depende disso. Mas nos recusamos em olhar para qualquer líder do mundo, como uma resposta ou solução para os males da humanidade. Muitos destes homens lutam para conquistar o poder secular, animados por boas intenções. Mas quando conseguem, eles acabam feitos prisioneiros de sistemas ocultos que verdadeiramente administram e governam o mundo.
Um pastor me perguntou um dia: «Você não acredita realmente que se nosso país tivesse muito mais deputados cristãos, isso ajudaria a aprovar leis que reflectem a vontade de Deus?». "Categoricamente, não", respondi-lhe.
         E, um outro pregador afirmou numa canção: “se hoje houvesse eleição e que Jesus fosse candidato, creio de todo o meu coração que Ele será coroado” Claro que não! Não seria coroado de jeito nenhum! O Seu Reino não é deste mundo. E por esse motivo, Ele ainda será rejeitado e em seu lugar, cada nação escolheria para si um “Barrabás”. E quando as pessoas se aperceberão de que eles escolheram o homem errado e incapaz de oferecer-lhes o bem-estar com que sonharam; haverá uma nova revolução e uma outra mais… reclamando cada vez por um novo libertador. Aqui está a vaidade, a que estamos sujeitos hoje.
Mas então… abrem os olhos meus irmãos, são os cristãos (independentemente da denominação à qual pertencem) que governam este mundo. Vivemos numa civilização dominada pelo ocidente e conhecida como a +"Civilização cristã". O mundo inteiro caiu no encanto das festividades cristãs, que influenciam os nossos usos e costumes. Quer queira, quer não. O Natal, a sexta-feira santa, a pascoa, o San-Valentim, etc. só para citar estas, em meio à muitos outros feriados observados mundialmente, são todos produtos da fé dogmática cristã, gerada pela igreja católica romana: a mãe da cristandade.
O papado lidera o mundo em conformidade com a profecia bíblica (Apoc.17: 18). O nome de Jesus está nos lábios de todos. Sim, já lá vão mais ou menos dezoito séculos que os cristãos governam o mundo; no entanto, eles não estabeleceram o Reino de Deus na terra. Temos partidos políticos cristãos um pouco por toda parte no mundo; chefes de Estado cristãos, ministros e deputados cristãos, juízes, magistrados e advogados cristãos, etc. Os Estados Unidos da América foram fundados pelos cristãos. No entanto, eles não estabeleceram o paraíso na terra. Muito pelo contrário! São esses líderes do mundo um pouco religiosos, um pouco pagãos e incrédulos, que (em nome dos direitos humanos e da liberdade) deram luz e catalisaram a efervescência dos contravalores; assim como outros males que flagelam a terra, tais como: pedofilia, homossexualidade, prostituição, corrupção, culto às riquezas, a exploração do homem pelo homem (e pior, em nome de Deus e da religião), etc. Digo “cristãos”, e não “discípulos de Cristo”.
Então o que vós, pastores, quereis fazer hoje, já foi feito antes de vocês Desde a época de Constantino, quando a Igreja Cristã aliou-se ao Império para formar uma Igreja-estado. E, sabemos o que ocorreu em seguida... Não foi de jeito nenhum o reino do Cristo na terra. Não, meus senhores!
Deixemos pois O próprio Deus estabelecer Seu próprio Reino na terra; no tempo estabelecido da Sua própria autoridade. Creio de todo o meu coração que o que foi anunciado desde a época de Daniel, na visão da estátua de Nabucodonosor, assim como nas outras visões que se seguiram à esta, se cumprirão. É por esta razão que nós abraçamos a fé em Jesus Cristo, O Messias-Redentor.
         Pastores, não se transformem em integristas ou revolucionários; em opositores políticos, e tudo o resto... E sobretudo, não conduzem o povo de Deus que adora nas vossas igrejas neste caminho da rebelião. Não sejais líderes-Barrabás! Ou seja, essas pessoas em que o povo de Deus deposita uma falsa esperança de libertação do jugo terrestre. E, na eventualidade destes serem aceites e emaranharem-se na vida política de seus respectivos países; eles não alteram nada na condição das pessoas que alegam defender. Porque, esta não é o livramento ou a libertação que Deus prometeu aos Seus que são cativos por todas as nações. Por esta razão, os apelidei: “líderes-Barrabás”. E vós, ó povo de Deus! Não olhem para esses homens como se fossem “salvadores” ou “libertadores” vindo de Deus. Eles não o são! E por causa deles, o Glorioso Nome do Senhor Jesus é blasfemado entre as nações... E o discurso dos verdadeiros homens de Deus é desprezado e rejeitado.  
À vós, ó povo de Deus, que firmaram vossa fé e esperança nestes pastores-presidentes, pastores-Ministros ou deputados para obter a paz e a justiça! Vós que, por falta de discernimento, abdicaram dos pregadores-discípulos de Cristo, que perseveram nos Seus ensinamentos, para seguirem estes pastores conformistas. Vós aos olhos dos quais os que falam da parte de Deus, são retóricos, utópicos; porém sem realismo. Em verdade vos digo: fizeram uma má escolha! Escolheram por vossa vez Barrabás, e rejeitaram Jesus! Oxalá que esta pregação possa vos trazer de volta na verdadeira esperança; aquela que não é enganosa e que repousa em Jesus Cristo. Porque, só Ele irá reinar sobre a terra com justiça e restaurar a paz verdadeira.

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