A INFLUENCIA DA MULHER ESTRANHA
 (A lição do Provérbios 7: 21-27)

 

            Um provérbio, como é do conhecimento de todos, é a linguagem expressiva da sabedoria que se esconde por detrás das palavras que ouvimos. Falo de uma linguagem de sabedoria expressa em meias palavras, que só o bom entendedor pode perceber e entender.
É óbvio que, uma interpretação singular dado à um provérbio, venha à não refletir a verdade da lição escondida nestas palavras. O que necessita pois, uma verdadeira “iniciação” para capacitar os homens na compreensão de tais ensinamentos.
No que concerne o livro de provérbios e outras profecias bíblicas, já fomos advertidos solenemente de que, elas não podem fazer objetos de interpretações particulares; sendo expressivos da vontade revelada de Deus, pela boca de Seus santos profetas. Pelo que, necessitamos do Espírito Santo para compreender essas palavras inspiradas por Deus, e que nos revela a Sua sabedoria. Falo da revelação, e não de instrução humana; pois a letra mata, e só o Espírito vivifica.
Ora, as presentes palavras são Espírito e vida para os discípulos do Deus vivo.    
            A grande questão que surge aqui é a seguinte: “Que representa esta mulher estranha” da parábola do Provérbios 7?
            Os cinco primeiros versículos nos colocam diante duma severa admoestação contra a mulher adúltera que, tendo perdido a sua vocação de “esposa”, aproveita-se da ausência prolongada do seu esposo (V.19-20: Porque meu marido não está em casa; foi fazer uma jornada ao longe; um saquitel de dinheiro levou na mão; só lá para o dia da lua cheia voltará para casa.”), para se livrar à prostituição; seduzindo almas néscias e sem discernimento.    
            Os que já receberam à luz da verdade sobre essas coisas, acerca das quais já muito falei nas minhas pregações: “A condição da mulher”, “A perca da vocação” e “A grande meretriz”; não terão, com certeza, nenhuma dificuldade em reconhecer e discernir esta grande meretriz contra a qual toda Palavra de Deus nos acautela.
            Uma atenção particular prestada nos primeiros versículos deste livro, nos ajuda à entender na linguagem oculta de Deus que, muitas vezes recorre à figuras e alegorias, de que se trata nitidamente de uma prostituição espiritual que opera no meio da igreja; para seduzir se possível for, até os eleitos.
Razão pela qual, Deus figurado aqui pelo “Pai” (pois, Ele é na verdade o “Nosso Pai que está nos céus” - Mat.6:9; e por quem somos todos ensinados - Jo.6:45) desperta a atenção de seus filhos sobre a necessidade de permanecer na Palavra de Deus. Sendo esta, a única maneira de escapar na astúcia desta mulher estranha pelos meios da sedução.
“ 1Filho meu, guarda as minhas palavras, e entesoura contigo os meus mandamentos. 2 Observa os meus mandamentos e vive; guarda a minha lei, como a menina dos teus olhos. 3 Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. 4 Dize à sabedoria: Tu és minha irmã; e chama ao entendimento teu amigo íntimo, 5 para te guardarem da mulher alheia, da adúltera, que lisonjeia com as suas palavras.

Porque, ela é apelidada de “mulher estranha”? Precisamente porque sua doutrina (baseada na lisonja ou bajulação) é oposta na Palavra de Deus. Isto, visto à luz das palavras ou conselhos dados ao filho pelo pai nesta parábola. O que não deixa mais duvida alguma, quando consideramos a escritura de 2Tim. 4: 3,4, porque: todo aquele que presta ouvidos nas palavras de lisonjas, acaba por desviar-se da Verdade ensinada pela Palavra de Deus. 
Muitos se lembrarão de que na minha pregação sobre “A condição da mulher”, evidenciei pelo Espírito sobre “O casamento na vontade perfeita de Deus”. Isto, para ajudar o povo de Deus à compreender, o porque; desde a antiga aliança (Deut.7:1-4), e confirmado no Novo Testamento (1Cor.7:15,16; 2Cor.6:14-17), Deus tem expressamente proibido todo casamento entre os filhos de Israel com as filhas pagãs (eis a figura da mulher estranha);e vice-versa. O que é uma figura do casamento entre o crente e o descrente (e vice-versa); e que pode constituir um verdadeiro empecilho no cumprimento do plano de Deus para a salvação do crente: por causa do conflito entre a doutrina do crente e o modo de vida libertino do descrente. “Pois, como sabes tu, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó marido, se salvarás tua mulher? ” (1Cor.7:16),
Será que não há nenhum entendido nessa geração para compreender como a contaminação operou nos dias de Noé? Em como as filhas estranhas ou alheias seduziram e corromperam a raça dos filhos de Deus, e fizeram com que toda carne corrompesse o seu caminho na terra? Assim como foi nos dias de Noé, assim será!
Esta pois claro que, só os sábios (isto é: os que guardam os mandamentos da Palavra de Deus) e os entendidos (homens prudentes, que compreende e vigiam na Palavra) poderão escapar dessa sedução generalizada; orquestrada pela grande meretriz.
Se a Sabedoria e o entendimento do Conselho de Deus nos são apresentados aqui como sendo indispensáveis no combate contra a sedução, com vista à escapar às “palavras lisonjeiras” da mulher alheia, isto não deixa mais nenhuma dúvida sobre esta forma de prostituição espiritual que nos é apresentada aqui em figura.
Compreendemos pois, que esta “mulher alheia” ou “estranha” é uma alegoria da “igreja estranha”; da “igreja alheia” que perdeu a sua vocação de esposa de Cristo, com a ausência notável do Seu Senhor que se ausentou, à muito tempo. De uma “igreja prostituta” e “adúltera” que abandona a doutrina do Seu esposo, e se livra na prostituição. Seduzindo multidões, e levando à morte todos aqueles que se deixam enfeitiçar pelo vinho da sua imundície.

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