O LIBERTADOR: JESUS, O MESSIAS OU BARRABÁS?

 

Quando Jesus veio à terra… em Israel, Seu povo estava sob o jugo e opressão dos romanos. Ora, Israel era o povo de Deus. Compreendem isso? No entendimento dos filhos de Israel, o Messias esperado devia ser um libertador. Alguém que iria os libertar da opressão física ou na carne, se assim entenderem… da ditadura política de Roma. Aí está!
         No entanto, este povo não entendia que o livramento que Deus trouxera a Seu povo, pelo Messias era espiritual. Isto é, que Israel devia antes reconciliar-se com Seu Deus. E, só depois desta “restauração” espiritual que Israel – no fim dos tempos das nações – iria experimentar uma restauração física: Deus estabelecendo o Seu Reino sobre a terra. E, libertando definitivamente Seu povo de todos os seus inimigos e opressores. Essa coisa nos é feita em figura no Antigo Testamento; quando muitas vezes, Deus interveio para libertar Seu povo da opressão. Depois este ter reconhecido o seu pecado e voltado, arrependido, junto do Seu Deus.
Compreendemos porém que, antes de instaurar Seu Reino sobre a terra, Deus queria antes reconciliar-Se com Seu próprio povo… Reconciliar-se com esses homens chamados por Seu próprio decreto. Isto é: fazer-lhes participar na natureza divina: porém, a Sua própria natureza. Isto significa ainda: libertar o homem do jugo do pecado e do mal; para que este volta à viver, de novo, de acordo com os princípios divinos. De acordo com a vontade de Deus revelada e expressa na Sua Palavra que nos foi transmitida, e ainda nos é pregada hoje em dia, pelos Seus servos… Seus profetas, pois. Somente esta comunhão entre o homem e Seu Deus poderá trazer o Reino de Deus sobre a terra. E, isto não se trata apenas de uma confissão da boca; mas sim de um estado de alma libertada do mal. Entendem isso?  
         Reparem no que acontece hoje, no nosso meio: as pessoas oram, frequentam as igrejas, confessam que Jesus é Senhor; que são filhos de Deus, etc. Contudo, o mal está sempre presente e persistente no nosso meio. Por que? Porque as almas não experimentaram a única coisa que pode trazê-las de volta na comunhão com Deus: a salvação. Sim, só uma alma que experimentou a salvação pode na realidade viver o Reino de Deus por dentro dela. Nunca se esquecem de que O Senhor Jesus ao entrar no mundo disse: “o Reino dos céus está no vosso meio”. E, que Ele ensinou seus discípulos à orar : « Venha o Teu Reino ». Não falamos pois – aqui – de um Reino futuro que há-de vir sobre a terra, ao seu próprio tempo; mas sim de um Deus que já reina pelo domínio do bem, sobre as almas que foram libertadas da escravidão do mal ou do pecado. Aí está!
Pelo que, Jesus Cristo, Aquele que é chamado Messias, não veio em Israel para estabelecer um Reino de Deus nesta nação, naquela época. Muito menos, para libertar Israel do jugo romano; usando meios e métodos humanos. Tais como: levantar Seu povo contra a ordem ditatorial estabelecida; chefiar uma oposição política; ou orquestrar movimentos de sedição ou desobediência civil. Não, não e NÃO! Pelo contrário, Ele veio trazer a SALVAÇÃO na terra!
O Eterno-Deus não prometeu à Abraão que iria estender (pela posteridade deste) Sua bênção à todas as famílias da terra? (Gen.12 :3 ; 28 :14). Contudo, aquela bênção prometida não tinha nada à ver com algo material ; pois, tratava-se da promessa de salvação. Agora, a salvação não diz respeito só à Israel; mas sim à toda humanidade. Pelo que, O Eterno-Deus serviu-se de Israel, como de um canal pelo qual Jesus tinha de vir, a fim de trazer a salvação à todas as famílias da terra; isto é, a toda humanidade
         Israel não o entendeu daquele jeito! Infelizmente ! E, infelizmente ainda, hoje, muitos são desses “cristãos” que não compreendem a coisa daquela maneira também. E, esta compreensão errada conduziu muitos líderes destas igrejas cristãos à abandonar a vocação de “pregadores e mensageiros da salvação”, para se transformar em “líderes-Barrabás”, que se levantam contra os poderes temporais dos seus próprios países, Estados ou nações. Eles se assumem como líderes de oposição, e se propõem como solução para uma alternância de regime; num reino que não pertence ao Cristo. Pois, diante de Pilatos, Jesus Cristo fez esta confissão: “Meu reino não é deste mundo”. Quem é pois este discípulo que se tornou maior do que o Seu Mestre… ao ponto de O contradizer, como o fazem os pastores dos cristãos hoje em dia? Perceberam agora porque falo de “líderes-Barrabás”?
Quem era Barrabás? Um prisoneiro famoso (Mat.27 :16); acusado por sedição ou motim com agravado de homicídio, ele e seus cúmplices (Mc.15:7; Lc.23:19). Ele era olhado como “um rebelde”, “um salteador” (Jo.18:40). Ora, um rebelde na versão da autoridade estabelecida é todo aquele que se opõe no exercício do seu poder e autoridade. Eis, o que representava Barrabás aos olhos do poder romano que o acusava de sedição e homicídio; e por isso, o tinha encarcerado.
Quero que entendem que, quando se diz “sedição” sugere-se: motim, rebelião, revolta, insurreição, tumulto, etc. Pelo que, se olhamos Barrabás do ponto de vista do poder romano, temos à lidar com um malfeitor, salteador, bandido, rebelde…; isto é, todo aquilo que tem uma má influência sobre as pessoas.
Agora, vamos tentar de perceber as coisas do outro lado… segundo a concepção do povo assujeitado, dominado e humilhado no seu próprio território por um poder invasor: Para eles, Barrabás, este homem que se insubordinava contra o poder de Roma, amotinava os seus compatriotas, organizava insurreições ou outra revolta popular; não podia ser encarado de outra maneira; senão como um “herói” da resistência contra o poder invasor. No entendimento deste povo, Barrabás não era um rebelde; pelo contrário: um verdadeiro chefe; um líder do povo… que traduzia as aspirações de todos aqueles que já estavam aborrecidos com a opressão e humilhação, e sonhava com um libertador.
Aquele povo queria um chefe… eles precisavam de um líder capaz de lhes defender; lhes sublevar e comandar a resistência popular, a desobediência e porque não a luta. Ora bem, Jesus de Nazaré não era esse género de homem. Isso não era o Seu combate. Pelo que, aos olhos do povo, Jesus de Nazaré não era um chefe ou líder do povo; mas sim “um falador”. Alguém que tivera “traído” a esperança de todo um povo num “Messias-Libertador” tão esperado; que, no entanto, já estava lá. Mas nada fazia para libertar o Seu povo da opressão e ou do jugo romano.
Podemos assim notar que toda confusão residia numa má interpretação do que estava previamente anunciado na Palavra profética.
Na Palavra de Deus, o Messias prometido não devia assentar-se no trono de Davi, e reinar sobre a casa de Jacó eternamente? (Lc.1:32,33) Não seria este O Siló; Aquele à quem pertencia o bastão da autoridade e à quem todos os povos deviam obedecer, de acordo com a profecia de Jacó? (Gen.49:10). Não era O Tal que, de acordo com a profecia de Isaías: “o governo estará sobre os seus ombros”; “para quebrar o jugo da sua carga e o bordão do seu ombro e o cetro do seu opressor”? Para"Dar aumento do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça...”(Is.9:3-6)
Dito isto, a pergunta que se levantava na lógica humana é esta: Como pois este Jesus de Nazaré podia ser O Messias prometido se não assumia as suas responsabilidades ante os romanos, para libertar os judeus da opressão? Como poderia Ele ser o Libertador tão esperado?
Então, Pilatos colocara o povo diante de uma escolha: libertar Jesus de Nazaré, o Homem da Galileia, chamado Cristo ou Messias; ou então Barrabás? A escolha deste povo desapontado com Jesus não se fez esperar: “Solte Barrabás”! Pilatos perguntou-lhes: “Que farei então de Jesus, que se chama Cristo”. A resposta também não se fez esperar: “Seja crucificado” (Mat.27:17-23).
Pois que? O povo escolheu aquele que era considerado ou olhado como um “líder do povo” e rejeitou o “fazedor de discursos”… o “anunciador” de um “hipotético” Reino dos céus vindouro: Jesus de Nazaré, O Homem da Galileia.

 

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