O LIVRO SELADO  


"E tu, Daniel, fecha estas palavras e SELA ESTE LIVRO, até ao fim do tempo: muitos correrão de uma parte para outra, e ciência se multiplicara (o conhecimento aumentará) … Eu pois, ouvi, mas não entendi; por isso, eu disse: Senhor meu, qual será o fim destas coisas? E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e SELADAS até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão" (Dan.12:4, 8-10).   
        
De que Livro se trata aqui? A coisa leva-nos até a profecia de Daniel considerada por muitos críticos da Bíblia como sendo o Apocalipse do Antigo Testamento. Este profeta teve visões cujo o teor das revelações, ultrapassava o entendimento de qualquer homem carnal na sua compreensão; e cuja interpretação pertencia ao próprio Deus. Em bom despenseiro dos mistérios de Deus, ele escreveu as revelações, e tal como aconteceu com todos os outros profetas da Antiga Aliança, Daniel tentou pesquisar e sondar o tempo e as circunstâncias previamente marcadas na profecia com respeito à realização destas coisas (1Pe.1:9-12). Foi assim que lhe foi ordenado de selar este livro de profecia cujas palavras deveriam ser mantidas secretas até ao tempo do fim.   
         Nós temos pois em resumo, UM LIVRO SELADO desde o tempo de Daniel com a promessa divina que estará aberto no último tempo. E, todos nós sabemos que Deus vela sobre a Sua Palavra para executar as Suas promessas (1Sam.15:29; Jer.1:12). Pelo que, a abertura do "Livro Selado" no último tempo era mais de que evidente; um compromisso que põe à prova a própria fidelidade de Deus!    
Quem pois deveria abrir o Livro selado? Senão o próprio Deus! Por duas razões:    
A primeira: em Is.46: 10-11, Ele se apresenta como sendo O ÚNICO Realizador da Sua própria vontade para em cumprimento de todo o que foi determinado no Seu Conselho.
A segunda: não está escrito que tudo que é revelado é para nós e que tudo que é escondido pertence ao Senhor? Quem conheceu o pensamento de Deus para o instruir? As coisas que o olho nunca viu, que o ouvido nunca ouviu e que jamais subiram ao coração do homem, Só Deus pode as revelar aos que O amam (1Cor.2:9,10).   
Foi pois decretado que no último tempo, Deus nos traria a revelação destas coisas pelo Seu Espírito. Quem pode nos convencer do erro?

 

3.1. O CONTEÚDO DO LIVRO 

   
Nos primeiros cinco capítulos do Livro de Daniel nós encontramos muitos enigmas revelados aos homens pelo Deus de Daniel.      
Temos em primeiro lugar o sonho de rei Nabucodonosor relativo à grande estátua. O rei teve o sonho, Deus deu a explicação disto à Daniel; revelando-lhes os quatro grandes reinos que iam seguir-se um após outro sobre a terra, começando pela Babilónia (a cabeça de ouro) até o estabelecimento do Milénio, representado pela Pedra que enche toda a terra, logo após a destruição do ultimo império romano (Dan.2:31-45). Este sonho foi perfeitamente interpretado e nada foi selado ou ocultado aqui; muito pelo contrário!   
O segundo sonho do livro de Daniel pertence novamente ao mesmo rei. É o da árvore que revela a queda, e depois o engrandecimento do rei de Babilónia, de acordo com a explicação dada por Daniel (Dan.4:18-27). E este sonho cumpriu-se integralmente naqueles dias, tal como o confirma as escrituras (Dan.4:28-37).   
A terceira vez, e desta no tempo de Belshazar, filho de Nabucodonosor; trata-se da Escritura na parede e que consagra a queda do império babilónico (a cabeça de ouro) e o estabelecimento do reino dos medos e persas (o tórax e os dois braços de prata). Este enigma também foi interpretado, e a visão se cumpriu em seu tempo.    
Os mistérios selados no Livro do que se trata nesta pregação começam no Capítulo 7 com as visões que Deus deu directamente à Daniel. Temos primeiramente a visão de quatro animais e à seguir a do Carneiro e do Bode. Desta vez, ao contrário do que aconteceu nos casos anteriores, Daniel recebeu as visões, ouviu as palavras, mas não entendeu nada. No caso da visão da estátua, por exemplo, onde pode se constatar uma certa semelhança com a dos quatro animais, notaremos entretanto que, no primeiro caso, TODA a explicação foi dada ao rei por Daniel, enquanto que no segundo caso, este profeta disse: "Eu quis saber a verdade sobre o quarto animal… ". A mesma coisa acontece com a segunda visão (do Carneiro e do Bode - Dan.8). Daniel estava espantado com o que via, e não havia ninguém (nem ele mesmo) quem a entendesse.
Daniel, tendo entendido pela profecia que o fim do cativeiro babilónico estava próximo, se humilhou diante de Deus e orou. Foi então que o anjo Gabriel veio para confirmar a veracidade das visões que ele teve, e revelou-lhe o plano de Deus de 70 semanas que foram fixadas para a salvação de Israel (Dan.9). Depois, veio a visão do anjo que anunciava os últimos acontecimentos no capítulo 11. São essas coisas (do capítulo 7 à 11) que foram seladas no Livro da Verdade.   
Olhemos a coisa de perto e entendamos isto: Daniel recebeu a revelação de todos os reinos que se sucederiam na terra até ao estabelecimento do milénio. Lhe foi revelado a morte do Messias depois da Sua rejeição pelo Israel, como também a desolação que ia cair sobre o seu povo inclusive a destruição do templo de Jerusalém (seu santuário) pelo exército romano (eu já falei sobre isso em detalhes na minha predicação intitulada "A abominação da desolação no lugar santo"). Daniel viu também na última semana o anticristo (o Assolador) subir pelo engano e lisonjas, e fortalecer muitas alianças com vários povos e reis, inclusive Israel. O que depois iria levar o mundo na adoração da Besta aquando do seu reinado totalitário de três anos e meio (um tempo, tempos, e a metade de um tempo); gerando deste modo a grande tribulação que cairá então sobre toda a terra, até ao aniquilamento total da força ou resistência do povo santo. Seguir-se-á, o Dia do Senhor: o dia da vingança divina em que o mundo irá sofrer a ira do Cordeiro. Neste tempo se manifestará o ciúme de Deus, e a ruína cairá visivelmente sobre o Assolador que tinha usurpado a glória de Deus, como também a honra e a adoração; e sobre todos esses que dobraram os joelhos diante da Besta para o adorar como se de Deus se tratasse. Lembrai-vos do maior de todos os mandamentos em Ex.20:3-5! Podereis então compreender a blasfémia deste Homem do pecado (o Filho de perdição), assim como a grande abominação dos povos da terra e as razões da grande ira de Deus.       
         É naquele tempo (pouco antes do dia de vingança) que o remanescente de Israel (144.000) é salvo pela eleição. O homem inteligente perceberá com que harmonia a profecia de Dan.12:1, concorda perfeitamente com a escritura de Apoc.7:1-8. Pois que? Dan.11: 36-45 revela o reinado totalitário do Anticristo que atinge o seu apogeu até no versículo 43, e depois a súbita queda e a ruína (ler também Dan.9:27 - o fim do versículo - e Apoc.18:2,16, etc.).    
Ora bem, vou repetindo (como já o sublinhamos acima) que, no Grande Conselho de Deus que revela estes acontecimentos proféticos do tempo do fim na sua ordem cronológica de execução, depois da grande tribulação e a queda do Anticristo, vem o Grande Dia da vingança de Deus. E imediatamente em Dan.12:1, foi dito: "E NAQUELE tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angustia, qual nunca houve, desde que houve nação, até aquele tempo; mas naquele tempo (quem lê faça atenção) livrar-se-á o teu povo, TODO AQUELE QUE SE ACHAR ESCRITO NO LIVRO ". Está agora claro aqui, que a grande angústia à que se refere esta escritura não tem nada à ver com a grande tribulação que cai sobre a terra durante o reinado da Besta; porque, estamos agora no tempo pós-anticristo. Trata-se porém, do Dia do Senhor; desse dia grande e terrível anunciado por Sofonias e tantos outros profetas ainda. Quem poderá subsistir naquele dia?   
O Senhor Jesus falou também deste Dia, dizendo: "Porque haverá então grande aflição, como nunca houve, desde o princípio do mundo até agora, nem tão-pouco há-de haver. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias ". (Mat.24:21,22).    
Não confunda pois a angústia do Dia da Vingança de Deus com a grande tribulação que cai na terra no tempo do Anticristo. As escrituras mostram-nos (nomeadamente em Apoc.12:14-16) que quando a abominação da desolação assola a terra, Deus socorre algumas pessoas porque, trata-se da hora da tentação que há-de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra (Apoc.3:10). Isto não é assim como no Grande Dia do Senhor, porque se Deus pode libertar o povo Seu da mão do inimigo (tal o é caso desta multidão de Apoc.7:9-17), quem poderá pois livrar da mão de Deus? Ninguém! Esta Verdade nós é confirmada na abertura do sexto selo, na escritura de Apoc.6: 12-17.   
Pelo que a ira do Cordeiro é terrível, mas de pouca duração. Caso contrário… nenhuma carne se salvaria, ainda que de um eleito se tratasse.
Mas, de que eleitos tratam-se nesta profecia? Seguramente que isso nada tem à ver com os eleitos das nações que formam a Igreja (Corpo) do Cristo. Estes foram poupados da ira e abrigados, pelo arrebatamento, nas moradas celestiais que Jesus preparou para eles (Is.26:20,21; Jo.14:3); pouco antes do reinado do Anticristo. Trata-se pois aqui do REMANESCENTE DE ISRAEL SALVO PELA ELEIÇÃO (Rom.11:2-7). Os mesmos que são mencionados em Dan.12:1. Pelo que, vemos claramente em Apoc.7: 1-7, antes que a ira de Deus seja derramada sobre a terra, o arcanjo Miguel se levantar para socorrer o povo de Daniel, tendo o selo do Deus vivo, e clamando com uma voz forte, recomendando aos anjos para esperar até que sejam assinalados estes eleitos de Deus.    
Pelo que, todos esses que ensinam (como as testemunhas de Jeová) que os 144.000 selados seriam os únicos herdeiros da promessa de Jo.14:2,3 caminham erradamente. Estes eleitos de Israel não são arrebatados como os (eleitos) das nações que compõe a Igreja: a assembleia dos primogénito cujos nomes são inscritos no céu. João, o apóstolo, menciona claramente que ele viu o Cordeiro e estes 144.000 selados na montanha de Sião. Onde se situa esta montanha então? No céu? Isto é um absurdo, pois não? Importa que seja por mim dito neste dia: Guardai-vos deste fermento!   
Temos pois todas estas coisas anunciadas na profecia de Daniel, e confirmadas na revelação do Apocalipse.