A MÁ CONCEPÇÃO DO LOGOS

NO CRISTIANISMO TRADICIONAL(ANTES E APÓS A ENCARNAÇÃO)

O conceito cristológico do LOGOS animou pelo passado vivas discussões que dividiram as igrejas cristãs no começo.
Na tentativa de compreender a encarnação de Deus em Jesus Cristo, a abordagem teológica concentrou a atenção dos líderes cristãos no começo. Tendo a teologia suplantado a revelação da divindade do Cristo dada aos Seus santos apóstolos e profetas desde o princípio; causando acesas discussões, que dividiram as igrejas Calcedonianas (católicas romanas) e ortodoxos, das ortodoxas orientais.
A doutrina da “união hipostática” ainda conhecida como a “comunhão mística ou dupla natureza do Cristo”, descreve a união do divino e do humano em Jesus Cristo como sendo da mesma natureza e tendo uma única essência ou substância. Assim sendo, ele era homem e Deus ao mesmo tempo. Apolinário de Laodicéia defendia por exemplo que Cristo tinha um corpo humano, mas um espírito divino. Isso foi rejeitado e considerado como heresia pelo primeiro Concílio de Constantinopla. Quanto ao Teodoro de Mopsuéstia, este argumentava
Que Jesus Cristo tinha duas naturezas (humana e divina) e duas substâncias (hipóstase), no sentido da “essência” ou “pessoa”, que coexistiam ao mesmo tempo.
Esta concepção teológica deu também luz a duas tendências: os “monofisistas”(do grego: monos - "único, singular" e physis - "natureza") que só aceitam uma definição que caracteriza Jesus Cristo encarnado como tendo uma única natureza; e os “diofisistas” que defendem as duas naturezas em “um”. O ponto de vista cristológico dos primeiros defende que depois da união do divino e do humano na encarnação histórica, Jesus Cristo, como encarnação do Verbo (Logos) de Deus, teria apenas uma natureza única: a divina, e não uma síntese das duas.
Em 451, o Concílio de Calcedónia concordara com Teodoro no que diz respeito a encarnação, mas insistia que a definição não seria da “natureza”, mas sim da “pessoa”; para que concordasse com o conceito trinitário de Deus. Razão pela qual a doutrina da Trindade é também conhecida como o “dogma” ou “Credo Calcedoniano”.
O Concílio determinara que em Cristo havia duas naturezas, cada uma conservando as suas propriedades, e juntas unidas numa substancia e numa pessoa única. E, como a compreensão humana não consegue explicar como se realiza esta união das “substâncias”, esta união hipostática é também conhecida como “união mística”.
O “Credo Calcedoniano” que defendia o conceito do LOGOS, reconhecendo O Cristo como “uma pessoa” que coexistia ao mesmo tempo ao lado de Deus, deitara o fundamento da doutrina da “Trindade”. Doutrina segunda a qual Cristo Jesus seria “Deus-Filho), porém uma segunda pessoa da divindade ao lado de “Deus Pai”.
Esta forte influência é notável, nomeadamente em algumas traduções da Bíblia que, falando do LOGOS, traduzem assim Jo.1:1: “No princípio aquele que era o Verbo estava com Deus e era Deus
A maioria de cristãos: católicos romanos, ortodoxos; assim como as igrejas protestantes tradicionais adoptaram o Credo Calcedoniano; e na mesma lógica: a doutrina da “Trindade”.
            Ora, se a doutrina da “Trindade” podia ter aceitação no meio dos gentios que compõem a Igreja do Cristo; não se pode dizer o mesmo dos judeus à quem os oráculos de Deus foram confiados. (Rom.3:1,2)

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  1. O LOGOS NO CÉU

(Antes da encarnação)
           
            Onde está a Verdade? Na compreensão do erro que, no começo, gerou o “Credo de Caledónia”, e que se fundamenta nisso:

  1. A “personificação” do LOGOS desde a Eternidade

 

            Agora, “personificar” O LOGOS antes da encarnação sobre a terra em Jesus; segundo o “dogma de Caledónia” que nos apresenta O Cristo como “uma pessoa” que coexistia, ao mesmo tempo, ao lado de Deus; na condição de “Deus-Filho” levanta uma questão: não da “substância” ou “natureza” divina; mas sim de “pessoas divinas”que existiram desde a eternidade e no princípio. Eis o que o dogma da Trindade não pode explicar. Porque, não se pode falar de muitas “pessoas divinas” existentes no céu e permanecer na Verdade.
Nos oráculos dados aos judeus pelos profetas de Deus da Bíblia, tal lógica não se enquadra. Isto quer dizer que estamos confrontados com uma concepção pagã da divindade. Um conflito entre a fé de Deus do nosso senhor Jesus Cristo que se manifestou primeiramente à Israel, e as crenças politeístas dos povos pagãos que, por via da Igreja Católica Romana e as religiões por ela geradas, quiseram identificar-se a este mesmo Deus e compreender O LOGOS que O manifestou aos homens, por meio de abordagens teológicas. Mas, infelizmente, andando sem revelação do Espírito que caracterizou a fala dos profetas do Antigo Testamento.
Essa concepção da divindade decorre da crença segundo a qual O “Verbo” ou “Filho” teria existia ao lado de Deus como um “Ser” independente e distinto do Pai. Isso seria contradizer o próprio Deus que, pela boca dos Seus santos profetas, insistiu no facto que não havia outro “Deus” senão Ele: perto ao lado, antes e ainda após Ele. Como o confirma as escrituras em Deut.4:35,39; 32:39; Is.43:10; 45:5, etc.
A personificação do Logos presume a existência de uma outra criatura divina que não seria o próprio Deus; enquanto foi evidenciado nas Escrituras: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.Agora, se alguém parar no meio da escritura e fundamentar a sua fé no facto de que O Verbo “estava com” Deus, sem compreender de que “era” o próprio Deus; ele acabaria por cair na mistificação da Trindade que tenta conciliar o politeísmo ao monoteísmo, sem o explicar; naquilo que se considera como a “união mística”.
Desde a eternidade, a “essência” ou “natureza” e a “pessoa” divina é UMA. Ora, é o Espírito de Deus que pairava sobre o vazio. Nada existia e Deus (Um Só) criou todas as coisas (Gen.1:1,2). Como foi que Ele manifestou a criação? Está escrito: “Disse Deus”. Aqui, o Espírito de Deus gera a Palavra: Sua própria Palavra. Estamos pois no príncipio e não na eternidade. Razão pela qual foi dito: “No princípio era o Verbo(ou LOGOS)…” (Jn.1:1)
Ora, se a Palavra, O Verbo ou O LOGOS foi “gerado”, não se pode falar de uma natureza ou existência, e nem mesmo de uma vontade… “independente”. Porque, o que é gerado “procede” daquilo que o gerou. Na profecia de Salmos 2:7, confirmado em Act.13:33; Heb.1:5 e 5:5, lemos o seguinte: “Tu és meu Filho, hojetegerei.”Compreendemos pois que “hoje” presume um começo. Enquanto na eternidade, não há nem tempo, nem contagem.
No Prov.8:22-25: O LOGOS nos é apresentado como sendo “a primeira das suas obras que O Senhor criou”
O Senhor me criou como a primeira das suas obras, o princípio dos seus feitos mais antigos.Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes de existir a terra. Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes cheias d'água.Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros eu nasci…”.
Não se pode falar pois de duas “pessoas” idênticas e independentes; tendo cada uma vontade própria. Mas sim, de uma única “substancia”: a divina, e que pertence ao Senhor-Deus.
O Grande Espírito gerou a Sua própria Palavra; Seu Verbo. Aqui está o Seu companheiro. Não se trata pois de dois Deus. Mas de um só: O Espírito Invisível cujo Propósito, Conselho ou Plano nos foi exteriorizado pelo LOGOS: O Seu Verbo.
Aqui está O “Filho” gerado pelo “Pai” que foi manifestado no mundo em Jesus de Nazaré, O Homem de Galileia: quando o LOGOS ou Verbo de Deus foi feito carne (Jo.1:14).

  1. O Conceito de : Jesus, “Filho eterno” de Deus

 

Um Só é Eterno: O Senhor-Deus. Se Jesus é o Filho eterno, é como afirmar que houve duas “pessoas” na eternidade: um Pai… e também um Filho. Ora, tal ensinamento está em flagrante contradição com tudo o que foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento… contra tudo o que a Bíblia ensina.
Sabemos todos que, de acordo com o que O próprio Senhor Jesus afirmou: “A Escritura não pode ser anulada”. Pois que? Na impossibilidade de mudar a Verdade da Bíblia, os homens tentaram substitui-La pelas suas próprias interpretações. Para a corrupção do entendimento, sobretudo, desses discípulos cegos e que andam sem discernimento nos caminhos de Deus. Aqui está a Verdade: Deus revelou-Se ou deu-Se Ele mesmo a conhecer pela boca de Seus enviados. Os líderes religiosos, andando fora da revelação, apresentaram-nos outros deuses; assim como o fez Arão com seu bezerro de ouro, no dia da grande apostasia no deserto (Ex.32:1-8)
Torna-se pois impreterível compreender que não existe no céu um “Filho eterno” de Deus; assentado ao Seu lado. O Filho nos foi dado “debaixo do céu” para salvação nossa. E, é neste “Filho” nascido da virgem eleita que O LOGOS de Deus iria encarnar-se. Isaías o anunciou (Is.7:14; 9:1-7). O apóstolo João o confirmou:
“E o Verbo(O LOGOS que estava com Deus e era Deus) se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do UNIGÊNITO do Pai.”(Jo.1:14)
E Pedro esclarece:
“E em nenhum outro há salvação; porque DEBAIXO DO CÉU nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” (Act.4:12)
Compreendemos pois que é este “Filho Unigénito” quem recebeu “debaixo do céu” o Nome de Jesus. Isto é “Deus-Salvador” ou “Emanuel” (“Deus connosco”). E, Este Jesus de Nazaré era O “Cristo”; porém uma encarnação da divindade. Na qual encarnação o Eterno Se revela aos homens pelo atributo divino que manifestou todas as coisas criadas; quando O Eterno-Espírito que habitava numa luz inacessível saiu do Seu anonimato e… falou. Gerando assim a Sua Palavra ou o Seu Verbo.
Assim, é em Jesus de Nazaré que a Palavra tornou-se “substância”… carne ou corpo. Falar de um “Filho Eterno”, seria afirmar que Jesus existia ao lado do Pai como “substância” ou “pessoa divina”. Enquanto a Escritura afirma:
“Pelo que, (Cristo) entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste (Heb.10:5)
Compreendemos porém que é “entrando no mundo” que um Corpo (substância) foi-Lhe formado. Nunca antes! Ora, O Eterno-Deus não é substância. Isto é, sem carne; sem anatomia.
O entendimento está na compreensão da “substância” ou natureza” divina:
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.(Gen.1:26,27)
“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.” (Gen.2:7)
Como o dizia na minha pregação intitulada: A CONDIÇÃO DA MULHER; lendo estas duas escrituras, alguém se enganaria em pensar que Deus criou o homem duas vezes. Pois não!Pelo que quero mais uma vez realçar toda a diferença que existe entre “criar” e “formar”.
Eis o que quer dizer: Gerar. O Espírito gerou; isto é, concebeu a Palavra. E o “homem” ora criado, o foi à imagem, conforme a semelhança. Mas, à que se assemelhava a divindade? Senão ao Espírito e ao “Seu” Logos (Palavra gerada). Eis porque está dito que Adão foi feito “filho de Deus”; à semelhança do LOGOS, também gerado do Espírito. O entendido percebe então que não se trata aqui de dois “Deus”, mas de UMA divindade ÚNICA! Todavia é na Palavra que se encontra a “vida” (Jo.1:4). E vimos que está escrito: “E disse Deus: Façamos o homem…”; e depois: “à imagem de Deus o criou”. Entendemos pois que da Palavra de Deus (O Logos) saiu uma vida… uma existência criada. Sim, “Zoé” a vida do Pai… esta Vida eterna que estava com o Pai CRIOU uma outra “vida” conforme à Sua semelhança: Este é o homem! Não se tratava pois de uma “anatomia”, mas sim de uma vida… uma existência. Este “homem” tinha a imagem e estava conforme à semelhança de Deus que é Espírito e Vida. Este é o “homem” ora criado no princípio: ele era também espírito e vida. O “espírito do homem”, claro!
Mais tarde, como Escritura de Gen.2 :7 explica, Deus formou um corpo” do pó da terra, e nele pôs “o folego da vida”. Eis agora o “homem criado” num “corpo formado” que tornou-se um “ser vivo”… um individuo. Em outras plavras, a “essencia” do homem foi criada do Espírito pela Palavra de Deus, antes que seu “corpo” não seja formado do pó da terra.
Compreendemos então que o homem criado à imagem de Deus, segundo à Sua semelhança na era matériaou substãncia; assim como O próprio Deus não é matéria ou substância; melhor… não é do pó! E, se o “homem criado” à imagem e segundo à semelhança de Deus não era matéria, o “homem formado” no pó e que tornou-se numa alma (ser) vivente é sim uma “substãncia”; um corpo material e palpavél.
O apóstolo João, no seu testemunho de 1Jo.1 :2 disse claramente isto a respeito do Verbo da vida (O Logos):“pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada”. Aqui está a verdadeira natureza de Jesus, O Cristo, no céu: Ele era a Vida eterna que estava com o Pai… a vida que estava que estava “no” Verbo; e que nos foi manifestada sobre a terra; quando este Verbo (o LOGOS) foi manifestado em carne. Não se trata de um “Filho eterno”. Nem de uma “pessoa” divina. Nem ainda de um « Deus Filho » assentado ao lado do Pai. Não, meus senhores! A Vida que estava no Verbo… O Verbo que estava com Deus… e que era o próprio Deus. Trata-se porém de uma “existência” de “essência” divina. Não de uma pessoa física ou corpórea existindo no céu; ao lado do trono. Aí está!
Foi este falso conceito do Logos que colocou também a Maria mãe de Jesus no céu; na condição de “mãe de Deus”. Ora, a divindade não foi nascida. O Pai existe. Ele simplesmente É. Aquele que se chama: EU SOU. “Eu Sou o que Sou” (Ex.3:14). O Verbo foi gerado no céu. Jesus nasceu na terra num corpo que serviu de tabernáculo vivo para o Verbo de Deus. É Este, Deus-ungido, que chamamos: O CRISTO e que se manifestou em Jesus de Nazaré; quando a plenitude da divindade habitou corporalmente no corpo formado para esse efeito. 

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  1. O LOGOS DEBAIXO DO CÉU

(Depois da encarnação)

A Palavra (Verbo) gerada pelo Espírito é pois vida; assim como o Espírito que a gerou também o é. Falaremos de uma existência de essência divina. Uma vida que não começou com o feto ou embrião no ventre da Maria; mas sim de uma “vida” que já era, e que “desceu” sobre a terra. E, como à cada semente, Deus dá o corpo que Ele aprouve… um corpo próprio à cada semente (1Cor.15:38); naquela “vida”: a semente divina, Deus deu a carne do homem. Porque a carne do homem? Com justa razão, porque o homem foi criado na imagem e conforme a semelhança divina no princípio; antes que lhe seja dado a carne que o caracteriza hoje. Agora pois… O LOGOS que veio para socorrer o homem, se manifesta numa carne que pertence a este último. Apresentando-se à humanidade como sendo: O FILHO DO HOMEM! Esta é a natureza de Jesus de Nazaré, que é identificado nas escrituras como sendo O Cristo.
Ele não podia vir numa carne de águia ou de bezerro; nem na forma de anjo, porque nenhuma dessas criaturas tivera recebido a imagem e a semelhança de Deus (Espírito e Logos). Isto era próprio do homem!
Olhem para Adão no começo… apenas manifestado, Deus trouxe todas as coisas criadas para ver como as chamaria. E, ele deu à cada uma dessas criaturas o seu próprio nome; como se fosse o próprio Criador. Como é possível? Por causa do Espírito sobre ele (a unção divina) que lhe revelava toda coisa. Adão falava e… assim era! Porque Adão foi criado a semelhança do Logos. O anjo não. Bem-aventurado o homem inteligente que entende essas coisas !
Todavia, o nascimento daquele que é olhado como O Cristo (nascido de uma virgem sem intervenção do homem), prova que Ele não tinha uma “essência” humana. Então, Ele não carrega em si o ADN do homem: o de José, o noivo da Maria. Não! Não é pois a “vida do homem” que estava naquela carne; mas sim a “vida eterna” que estava com o Pai e que foi manifestada aos homens no corpo de Jesus (1Jo.1:2).
Seu Nome revelado na boca dos profetas e a confirmação feita pelo anjo Gabriel certifica a sua ascendência divina (Is.7:14; 9:1-7; Lc.1:31-35). Essa “existência de essência divina” foi posta num “corpo humano”. Do homem criado na imagem e conforme a semelhança de Deus no princípio, temos agora “Deus” vindo na condição de um “Filho do homem”. Tendo revestido este corpo que foi formado para sustentar a vida do homem e a manifestar. O que significa isso? Antes da queda, o homem era a imagem de Deus. Agora, é Deus que se reveste da imagem do homem para, de novo, tornar-lhe participante à natureza divina; por meio da redenção.
O próprio Senhor Jesus deu testemunho da Sua divindade (Jo.10:30; 14:7-11; 17;21, etc.) E, este testemunho nos foi confirmado pelos apóstolos da primeira hora que O viram e ouviram (Jo.1:1-4,14; 1Jo.1:1-3; Col.1:15; Heb.1:2,3, etc.)
Jesus Cristo Homem? Jesus Cristo Deus ? Ou os dois juntos ?
O Concílio que deu luz ao "Credo Calcedoniano"que, por sua vez, gerou a doutrina da “Trindade” decretou que “em Cristo havia duas naturezas, cada uma guardando suas próprias propriedades, e juntas unidas numa substância e, numa pessoa única”; numa “União hipostática” ainda conhecida como a “comunhão mística ou dupla natureza do Cristo”.
Pois que? À toda pergunta, a resposta deve ser bíblica. E que diz a Escritura?
“ Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; (…)
Pois, na verdade, não presta auxílio aos anjos, mas sim à descendência de Abraão. Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo.” (Heb.2 :14, 16,17)
Vemos pois que Jesus de Nazaré, nos dias da Sua carne, era perfeitamente homem; segundo o testemunho das escrituras. Todavia, o Seu ministério confirma que Este “Filho do homem” tinha conservado a Sua “essência” divina. No céu, Ele é a Palavra que estava no princípio com Deus e era Deus: O LOGOS na Sua forma primitiva. Na terra, Ele é a Palavra “feita carne”: O LOGOS na Sua forma temporal ou corpórea. Afirmar que Cristo tinha duas naturezas em Si mesmo, sem consultar o Espírito de Deus e nos cingir no testemunho da Palavra, geraria longos debates teológicos, baseados na inteligência, compreensão ou entendimento humano. Debates cujas conclusões, infelizmente, não concordam com “o que está escrito”.
Mas, se deixarmos o Espírito Santo nos guiar na revelação da divindade… (uma revelação confirmada pelas escrituras, claro. Com vista à evitar toda dedução) iremos entender o seguinte:
Quando está escrito: “E o Verbo (O LOGOS) se fez carne…”. Não se trata de maneira nenhuma de duas naturezas em uma. Mas antes, de “Zoé” a “vida de Deus” ou a “vida eterna” manifestada no princípio na Palavra; e que agora é manifestada na “natureza” humana: a carne. Em palavras mais esclarecedoras, diremos que Deus fez-se homem. Aí está! «E habitou entre nós… »: Aqui está o Emanuel; isto é “Deus connosco”. Ora, a “natureza” humana não percebe, senão o que é “visível”.
Sim, ninguém jamais viu Deus! Contudo ao abandonar Sua natureza divina para se introduzir na natureza humana, Ele tornou-se manifesta na encarnação do “Filho Único”: “e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai. O que isso quer dizer “E vimos…”? O mesmo que “nós observamos com os nossos olhos…”. Quem foi visto ou observado? Senão :“Aquele que se manifestou em carne”. Isto é o « homem »! Porque, naquela carne, Jesus de Nazaré era perfeitamente homem: o Homem da Galileia. Como o afirma a escritura de Heb.2:14-17, onde lemos: “convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos. No Act.10:38, Pedro testemunha assim: concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele
Ora, é nesta mesma carne daquele que era olhado como o filho de José e Maria, que “O Cristo” Se manifestou no mundo. Cristo, Ele, é uma existência de “essência” divina. E, é esta “essência” divina que, no corpo de Jesus de Nazaré, fazia as obras poderosas que nenhum homem jamais realizou.
Há pois aqui duas coisas que testemunham juntos, a se confundir: Jesus de Nazaré, homem: Este é o Filho do Homem; O Grande “Profeta-Juiz” prometido por Deus. O Cristo, nele: Este é o Filho de Deus (Filho do Altíssimo); O LOGOS que estava desde o princípio; O Primogénito de toda a criação. Não se esquecem que foi o Espírito Santo quem gerou o Verbo. E, os dois (Espírito e Verbo) são da mesma natureza ou essência, Foi Este Espírito que João Baptista viu na visão descer do céu na forma de uma pomba e repousar sobre Jesus de Nazaré. Ele deu o testemunho segundo qual: Jesus de Nazaré era o Cristo esperado por Israel. Isto é: O Deus-Ungido. E, é a respeito desta “existência” (a do Cristo) que era antes de toda coisa; muito antes de revestir um corpo humano, que Jesus fazia referencia muitas vezes no Seu testemunho. Nomeadamente quando Ele afirma:   
“Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem.”(Jo.3:13)
“Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?”(Jo.6:62)
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.”(Jo.8:58)
“Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse (...) Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para verem a minha glória, a qual me deste; pois que me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo.17:5,24)
João Baptista cuja missão era de apresentar O Cristo a Israel e ao mundo, testemunho dessa forma:
“Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque ANTES DE MIM ELE JÁ EXISTIA (…) Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus. No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos e, olhando para JESUS, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!” (Jo.1:30,34-36)
Aquele que vem DE CIMA é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra, e fala da terra. Aquele que vem DO CÉU é sobre todos.” (Jo.3:31)
Resumindo: temos Jesus-Homem, Aquele que todo mundo podia ver. E Cristo (O LOGOS), O Deus-Ungido nele que o olho humano não podia ver: A Palavra feita carne em Jesus. Aqui está a Verdade que o entendimento humano não pode perceber. Como nos dá à entender, esta conversa de Jesus com Seus discípulos:
“Tendo Jesus chegado às regiões de Cesareia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. (Mat.16 :13-17)
De Jesus (O Filho do homem), cada um tinha sua própria ideia como o certifica a escritura acima. Todavia, é Neste “Filho do homem” em que habitava a plenitude da divindade, corporalmente. Assim, não é O Cristo que tinha duas naturezas (pois, O Cristo afirma: “Eu e o Pai somos UM”); mas simJesus de Nazaré! Porque, em Jesus: o humano e o divino se manifestaram juntos. Deus fazendo-Se homem. Razão pela qual, os que O reconheceram  afirmaram que Jesus era O Cristo.
Convém pois atentar por essa coisa: se alguém afirmar que Jesus era Homem. Não estará a mentir! Ele era carne à semelhança do homem; na sua natureza. O nome de “Jesus” foi dado à este corpo formado para o primogénito de toda criação, quando Este foi feito: “um pouco menor que os anjos”. Foi chamado “Jesus”, o tabernáculo humano e vivo que foi preparado para O Cristo, quando O LOGOS encarnou-se.
Mas, quando alguém fala do “Cristo”, e argumenta que Cristo é homem, isto deixa de ser a mesma coisa… Está errado, sim! Porque, Cristo é Deus na Sua natureza. E se disser que : Jesus Cristo era ou homem… ou Deus. Trata-se apenas duma parte da Verdade, pois Ele era os dois ao mesmo tempo. Cristo é O LOGOS; a plenitude da divindade corporalmente manifestada em JESUS DE NAZARÉ, O homem de Galileia.
Recapitulamos: No começo, O Espírito do Senhor (Eterno) gerou O Verbo; ainda conhecido como “O LOGOS”: Este é o “Primogénito de toda criação”; “O Unigénito” vindo do Pai. Aquele que nos é apresentado nos Prov.8:22-31 como sendo “O Companheiro” de Deus.
Mas é aqui onde está o problema: se ninguém pode contestar Deus na Sua natureza ou essência; a questão consiste nisso: desde quando é que Deus (O Pai) ou O Espírito do Eterno, que habitava numa luz inacessível existe? Impossível de o saber; justamente porque Ele é Eterno e é Espírito: Invisível e Desconhecido. É pois o “Verbo” assim “gerado” (O LOGOS) que manifestou a “existência” de Deus ou Lhe manifestou. É assim que podemos falar do “Zoé”: a vida eterna ou a vida de Deus. Esta vida que Deus tem em Si mesmo. Aquela vida que se encontra no Espírito do Eterno e também no Logos… é esta: “vida eterna que estava com o Pai” (1Jo.1:1,2).
É esta vida (a imortalidade) que nos é manifestada antes e depois da encarnação: O Pai a tem; O Filho também. Tal como o certifica O próprio Senhor Jesus:
“Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmo” (Jo.5:26)
Pelo que, o “Credo Calcedoniano” segundo o qual: “em Cristo há duas naturezas, cada uma guardando suas próprias propriedades, e juntas unidas numa substância e, numa pessoa única” deita na verdade a confusão sobre o conceito da divindade: um falso conceito do LOGOS.

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