O DESENVOLVIMENTO DA IGREJA VISTO À TRAVÉS AS SETE GERAÇÕES PROFÉTICAS
(O Mistério dos 7 Castiçais e das 7 Estrelas)

“O Mistério das sete estrelas, que viste na minha dextra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas”. – Apoc.1:20

As sete gerações, idades ou eras que caracterizam o “tempo das nações” – o dos gentios –, são representadas nos três primeiros capítulos do livro de Apocalipse, pelas SETE igrejas da Ásia à quem foram dedicada a REVELAÇÃO de JESUS CRISTO, que desvenda neste livro o Conselho de Deus até à Sua consumação. Essas sete igrejas não podem ser encaradas, por aqueles que atentam pelas essas coisas numa óptica histórica, mas sim profética. Pois, a razão de ser desta revelação dada ao João na Ilha Patmos visa: mostrar aos servos de Deus – de todos os tempos – as coisas que BREVEMENTE DEVEM ACONTECER.Coisas vindouras – e não do passado – pertencentes à um futuro breve.
Essas igrejas não são, de jeito nenhum, denominações que devem “emprestar” seus nomes as nossas instituições religiosas contemporâneas. Uma má interpretação desta profecia, falsificaria toda a visão e o Conselho de Deus, tal como Ele o quis revelar aos Seus santos. Uma má interpretação desta profecia, dizia eu, poderia dar à entender que todas essas gloriosas e maravilhosas promessas contidas neste livro, seria uma exclusividade dessas únicas igrejas, enquanto bem sabemos que, mesma naquela época, já existia outras comunidades de santos cujo modelo de fé foi louvado pelos apóstolos do Senhor: em Corinto, Galacia, Colossos, Filipes, Tessalónica, Bereia, etc. como também na época contemporânea em que vivemos.
Aqui está a sabedoria que tem sentido: a referência e dedicação às sete igrejas (ÉFESO, ESMIRNA, PÉRGAMO, TIATIRA, SARDES, FILADÉLFIA e LAODICEIA) é sem dúvida devido ao facto que essas são “igrejas típicas” ou modelos, que compreendem as realidades que abrangem todo o ciclo da vida da Igreja. Realidades alegóricas, simbólicas ou figurativas, que se contemplam nas sucessivas idades, eras ou gerações de adoradores no seio da igreja das nações. Desde a sua fundação, na era primitiva, à sua consumação, nesse último tempo. 
De mesmo modo que Salomão, o filho de David, que herdou do seu pai o reino natural sobre Israel edificou, um Templo (material) de Deus em sete anos; Jesus, o Filho de David, segundo o Espírito, herdou o reino espiritual e edificou em sete tempos, uma Casa espiritual para Deus no mundo.
Sete eras ou tempos foram determinadas para a obra da edificação da Igreja das nações. Sete idades profeticamente representadas pelas Sete igrejas da Ásia, cujas características reflectiam-se nas diversas gerações e interpretavam as realidades desta Igreja ao longo  desses Sete épocas ou idades específicas. Durante as quais, a luz da verdade foi dada às nações pelo “Espírito da revelação que fala às Igrejas”. Espírito que se exprime por intermédio das Sete cartas ou mensagens da Palavra de Deus dirigidas aos Sete anjos ou mensageiros, que testificaram na suas respectivas gerações ou eras, da luz que ilumina todos esses que Deus amou e predestinou à participar a Sua natureza divina por meio do Corpo do Cristo. Aqui estão os eleitos, identificados como “vencedores” nessas gerações.
Essa coisa nos é também representada no primeiro tabernáculo pelo castiçal, de onde o azeite puro subia do VASO ÚNICO pelos SETE tubos ou canudos e alimentavam as lâmpadas. Ilustrando deste modo, UM SÓ Espírito (o de Cristo e não dum homem) que fala pela boca de todos os mensageiros; dando-lhe a REVELAÇÃO da vontade de Deus para suas respectivas gerações.
Essa REVELAÇÃO ÚNICA para cada uma dessas gerações se achava milagrosamente na boca de todos os verdadeiros ungidos de Deus. Porque ninguém pode conhecer o Pai nem o Filho e falar dele, senão aquele à quem Deus o quiser revelar (Mat.11:25-27). Essa revelação única para cada geração é que representa para os eleitos: o MANÁ do dia. O sustento espiritual dado à tempo oportuno pelo homem de Deus (Mat.25:45): para alimentar, amparar, ajudar, animar e fortalecer a Igreja nos dias maus, contra toda a malícia nos meios da sedução utilizados pelo diabo para destruir a fé verdadeira.
Sete épocas, idades ou eras em que a arca da nova aliança (o Evangelho da glória do Cristo) permaneceu cativos nessa Babilónia espiritual que embebedou as nações, seus reis e habitantes e os ensinou à ir após outros deuses (Apoc.17).
Durante esse tempo todo, o Conselho de Deus revelado nas Escrituras sofreu muitas influências negativas das tradições humanas nas sociedades onde o Evangelho foi anunciado e crido. Essas influências alteraram o culto e a adoração verdadeira, assim como transtornaram a doutrina original de Cristo. Dando lugar às cópias não conforme ao original: as interpretações particulares da profecia bíblica, produzida desta vez por vontade humana; quando homens ímpios começaram à falar em nome de Deus, movidos pelo espírito de erro. Essas são as “doutrinas estranhas” que acabaram por afastar a igreja do Cristo, chamada do meio das nações, da sua verdadeira vocação e da fé cristã primitiva.
Os vencedores são todos esses que, ao longo das gerações características, souberam se desprender dos laços da apostasia que dominava suas épocas, pela fé na mensagem da Palavra de Deus que lhes foi enviada oportunamente. Os que souberam discernir o “som da trombeta” que anunciava a partida ou abandono dos acampamentos das religiões para prosseguir a marcha, rumo a conquista das promessas (Nu.10:1-10; Sal.89:15). São também todos esses que abandonaram toda forma de dogmatismo religioso; saíram do sistema formalista em que a igreja organizada pelos homens (e não guiada pelo Espírito Santo) em volta de individualidades e não de Deus, tinha caído, e regressaram no original da palavra de Deus.
Tal como Israel ao seu tempo andou, seguindo a nuvem da glória; tal qual andaram também os magos do oriente seguindo a Estrela que lhes levou na promessa do dia; assim andamos nós também, obedecendo ao “Assim diz o Senhor” pela Palavra viva e revelada no dia em que vivemos. Revelação que nos traz as fiéis testemunhas que o Senhor suscita no nosso meio, no tempo oportuno. De outro lado, os vencidos são todos esses que, tendo desprezado o “Espírito” que falava no meio deles, não conseguiram se libertar da corrupção e falsidade que triunfara das suas respectivas gerações; e caíram nos laços da apostasia, por falta de revelação (Prov.29:18). Fizeram-se discípulos de homens que traficavam da suas almas em nome de Deus, obedecendo à preceitos que eram mandamentos e conselhos humanos; enganados e seduzidos pela aparência da piedade que caracteriza esses cultos voluntários.
É bem notável que, à cada vez que um desses enviados de Deus era recolhido para o repouso, seus presumíveis seguidores se afastavam da sua linha de pensamento e caíam no formalismo e no legalismo. Num outro tempo determinado, Deus levantava outros instrumentos para chamar o seu povo fora da corrupção instalada. Os novos pregadores traziam sempre algo à mais, e tal uma pedra posta sobre outra, assim prosseguia a obra de edificação da casa espiritual de Deus. Os conservadores que se reclamam sempre dos grandes nomes e figuras dos servos de Deus mortos, se agarram cegamente aos escritos e palavras dos presumíveis “fundadores” (dignidade a que são elevados – sobretudo à título póstumo - os precursores desses movimentos que tem a mão de Deus), e começam uma luta e oposição contra a obra de Deus e os instrumentos que falam da Sua parte num outro tempo determinado. Isso acontece assim, porque esses oportunistas, “discípulos de fulanos”, esquecem-se de que, segundo o que está escrito: “conhecemos todos em parte e profetizamos em parte”, segundo a medida que Deus concede à cada um de Seus instrumentos. E que: “quando vem o que é perfeito, então, o que é em parte é aniquilado” (1Cor.13:9,10). Afastai-vos de tais homens!
João Robinson, o pastor dos puritanos que, fugindo da intolerância religiosa na Europa, partiram da Holanda em busca de um lar no novo mundo, ao despedir-se do rebanho que ele não podia acompanhar disse: “Seja qual for a divina vontade, conjuro-vos perante Deus e Seus anjos que não me sigais além do que eu haja seguido a Cristo. Se Deus vos revelar algo mediante qualquer outro instrumento Seu, sede tão prontos para recebê-lo como sempre fostes para acolher verdade por intermédio do meu ministério, pois estou seguro de que o Senhor tem mais verdade e luz, a irradiar de Sua Palavra. De minha parte, não posso deplorar suficientemente a condição das igrejas reformadas, que, em religião, chegaram a um período estacionário, e não irão agora mais longe do que os instrumentos da sua reforma. Os luteranos não poderão ser arrastados a ir além do que Lutero viu; ... e os calvinistas, vós os vedes, estacam onde foram deixados por aquele grande homem de Deus, que não vira contudo todas as coisas. Esta é uma calamidade muito para se lamentar; pois, embora fossem luzes a arder e brilhar em seu tempo, não penetraram em todo o conselho de Deus; mas, se vivessem hoje, estariam tão dispostos a receber mais luz como o estiveram para aceitar a que a princípio acolheram” (Martyn; Historias dos puritanos)
Sim, uma das razões fundamentais que faz com que não me identifico à nenhuma das denominações existentes é essa! Abomino sobremaneira, o surgimento de “tendências” dentro da Igreja em torno de uma pregação ou da pessoa de um determinado servo de Deus. Os que fazem tais coisas, são carnais e crianças em Cristo, à luz das escrituras (1Cor.1:10-13; 3:3-6). Eles andam portanto, não segundo Cristo, mas sim segundo os homens em que se gloriam. E, mesmo quando condenamos esse procedimento à luz do que está escrito, eles se enganam a si mesmo presumindo do contrário. Estou de acordo com o pastor Robinson, como que, se todas essas igrejas que temos até hoje não estacionassem, mas sim, estivessem dispostos à receber as novas verdades que Deus tem à revelar ao seu povo por intermédio desses instrumentos que falam da Sua parte hoje, muita luz podia iluminar as trevas onde nos encontramos hoje. Porque? Pois, além do que foi dito pelos os que são olhados por eles como “fundadores”, “líderes ou guias imortais e infalíveis”… nenhum crente, nenhuma igreja está disposta à aceitar a verdade que vem de um outro pregador que não se assemelham com a sua organização ou agrupamento religioso. “Pois dizes: Estou rico, sou enriquecido e não tenho falta de nada…” (Apoc.3:17). Temos assim hoje em dia: os católicos estacionado onde o dogmatismo papal lhes assentou; permanecendo deste modo no tradicionalismo romano da época anterior a reforma. Os luteranos estacionaram onde Lutero os deixou. As igrejas reformadas, firmaram-se nos ensinamentos dos reformadores. As igrejas evangélicas e pentecostais ficaram paralisadas nos ensinamentos dos “pais” destes movimentos, e nos dons e milagres. Os branhamistas e as chamadas igrejas “Mensagem do último tempo” ficaram congelados onde Branham os deixou; os adventistas do sétimo dia, nos ensinamentos de E. Whight; os cientistas cristãs, nas palavras de Mary Baker; as testemunhas de Jeová nos ensinamentos dos herdeiros ideológicos de Rutherford; os tocoistas pararam onde Toco os deixou; os kimbanguistas jurando até hoje fidelidade no sacerdócio hereditário assumido pela família do seu fundador, etc. Ninguém se importa do que Deus requer para Seus fiéis neste tempo presente. Doravante, o que interesse é o que as igrejas requerem dos seus adeptos. Seria esse o caminho da verdade?
As várias divisões que se registaram até hoje, em torno do testemunho desses mensageiros de Deus que serviram à seu tempo, são apenas imitações dos ministérios desses servos que já dormiram, por supostos seguidores auto-proclamados “sucessores”, que trazem consigo heresias de perdição, que por sua vez dão luz à várias igrejas que se identificam na mesma denominação. Assim se explica o recente fenómeno das igrejas denominadas “Mensagem do último tempo” que, tendo na pessoa de Branham, um denominador comum (sendo considerado por todas elas como o “profeta-mensageiro”) de Deus, e único intérprete válido da Bíblia para o nosso tempo (tal como o catolicismo proclama a infalibilidade do seu papa; o luteranismo a de Lutero, e os outros movimentos a dos seus fundadores), são divididos pelas interpretações particulares geradas em torno da sua mensagem do Evangelho e outros exageros gerados pelo fanatismo cego que olha na pessoa do instrumento de Deus, como se fosse ele o salvador; ao invés de considerar e se limitar no objecto central do seu testemunho. Pior, alguns de seus seguidores, menosprezando a Bíblia e o ministério do Espírito na revelação e vivificação da Palavra escrita, se limitam nas suas pregações à “citar” as suas palavras e escritos, num tom académico e litúrgico, característica de um novo dogmatismo. E, na loucura da idolatria, colocaram suas imagens, assim como outras representando a divindade (revelada em Cristo Jesus) em todas suas moradas e templos. Exactamente como o fazem os das outras denominações que andam segundo os homens.
O mistério das sete estrelas é estreitamente ligado ao dos castiçais. E, observando de perto este candeeiro, constatamos que todas as lâmpadas são dependentes do Vaso Único donde sobe o óleo para alimentar a chama das lâmpadas. Esta figura nos ensina a eterna verdade que eu quero transmitir hoje as igrejas: de mesmo modo que todos o servos de Abraão foram posto na dependência do mordomo Eliezer, assim na igreja, todos os servos de Deus são dependentes do mordomo de todos os Seus bens: O Espírito Santo. Esse é o que guia os outros em todo a verdade. Ele é quem toma o que é do Pai e do Cristo para dar à Sua esposa, (tal como Eliezer o fez quando foi buscar uma mulher para Isaac). Por isso foi dito: “Aquele que tem ouvido ouça o que o Espírito – não um homem; fosse ele um anjo, mensageiro ou estrela -diz as igrejas”. Entenda quem puder! Como podeis comparar ou assemelhar uma estrela com Aquele que a tem na mão – Apoc.2:1 -, ô homens insensatos?