II.  A MULHER DE APOCALIPSE 12

       
        Contrariamente ao que muitos exprimiram à propósito, esta mulher não representa de jeito nenhum Maria, a mãe biológica de Jesus; nem ainda qualquer outra mulher que viveu no passado. Isto pela boa e simples razão que  trata-se aqui duma visão profética cujo comprimento pertence à tempos vindouros, tal como o autor-relator deste livro teve o cuidado de nos avisar no princípio e no fim do seu relato profético, dizendo que , esta revelação lhe foi dada pelo Senhor: “para mostrar aos Seus servos as coisas que brevemente devem acontecer”. (Apoc.1:1;22:6).
         Esta pequena observação é mui pertinente como determinante na compreensão das coisas que se seguem. Estamos tão certo nisto porque se se tratasse na verdade de Maria, não poderia-se falar aqui duma “revelação” ou “desvendamento”, mas sim duma “historia” ou “crónica”. O que faria perder todo  seu  sentido  na   palavra “Apocalipse”. Vós sabeis porque?

Pois a revelação do conselho de Deus antecede sempre o acontecimento das coisas. Como também o afirma a escritura em Am.3:7 : Ele não fará coisa alguma, sem ter revelado - previamente - o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.
         Que representa pois a mulher grávida da profecia? Senão a IGREJA de Cristo que tem nas suas entranhas a semente da Palavra de Deus, exactamente como Maria pelo passado carregou no seu ventre a mesma semente na carne; quando esta mesma Palavra de Deus foi assim manifestada.
         A escritura relaciona a união do homem e da mulher com a do Cristo e da Igreja (Ef.5:25-32). E está escrito à propósito: “Grande é este mistério - do matrimónio -; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da Igreja”. Pois, o matrimónio terrestre é apenas uma figura, alterada pelo pecado, do matrimónio espiritual entre Cristo e Sua igreja na qual Ele coloca Sua semente - como o homem na mulher - afim de dar pela lei da multiplicação (Gen.1:28), muitos filhos e filhas de Deus, à imagem do Esposo: o homem perfeito à imagem de Deus (tal como Adam antes da queda).
         Esta nação santa, esta raça eleita representa UMA ALIANÇA entre Deus e um povo que Ele escolheu para que lhe seja por povo hereditário e gerar Seus filhos e filhas (Gal.4:23,24). E seja no caso de Israel que caracteriza a primeira aliança (Ex.19:6); como para a Igreja que caracteriza a segunda (1Pe.2:9); a nação santa é chamada “mulher” ou “esposa” do Senhor (Is.54:5;62:4;Os.2:21,22;2Cor.11:2).Esta profecia a respeito da mulher é tão digna da fé, sendo confirmada pela lei e os profetas - cujo o livro de Oseia é eloquente à respeito - como pelo evangelho do Cristo pelos apóstolos que nos “geraram” Nele; porém, nossos “pais”.
         O que nos levaria pois à crer que esta mulher de Apocalipse 12 seria a Igreja e não a nação de Israel? Além do facto que a Igreja representa a aliança da perfeição, na qual judeus e gentios formam um só corpo: o de Cristo; as características dadas na profecia e que não deixam dúvida nenhuma sobre sua identidade nos revelam :

A - O FUNDAMENTO DA IGREJA

             - A mulher vestida do Sol

        A profecia de Mal.4:2 nos apresenta Jesus Cristo como  “O Sol   da justiça”. Esta verdade é confirmada pelas duas visões do Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento pelos dois apóstolos nas circunstancias de tempos e lugares absolutamente diferentes;  contudo idênticas na sua natureza e essência. Paulo primeiramente, na sua conversão: O Senhor apareceu-lhe no caminho de Damasco, numa luz do céu: “...que excedia o esplendor do Sol e cuja claridade me envolveu...”(At.26:13-15); era o JESUS que ele perseguia. João por sua vez na ilha chamada Patmos, descreve-nos Jesus na sua visão: “...e o Seu rosto era como o Sol, quando na sua força resplandece.” (Apoc.1:16b).
         Não teria Ele mesmo afirmado ser “a luz do mundo”? (Jo.8:12). Assim, a figura da “mulher vestida do Sol” revela-nos esta igreja envolvida da glória imortal e incorruptível de Cristo (Jo.17:22a; Rom.13:14a) e que anda à luz da Sua face; a luz da Sua Palavra (Sl.89:15;119:105). Segundo o que está escrito :

         “E todos nós - a igreja - recebemos da Sua plenitude, e graça por          graça” (Jo.1:16). E ainda :
         “Porque, todos quantos fostes baptizados em Cristo, já VOS        REVESTISTES DE CRISTO” (Gal.3:27).
        
                            Eis aqui a BOA NOVA do reino que anunciamos pelo evangelho da pureza; cheio de graça e de verdade.

             - a lua debaixo dos seus pés

       A natureza não nos ensina que quando o sol reveste um corpo, sua SOMBRA se desenha debaixo dos seus pés? Deus utilizou essa imagem natural nesta profecia: a mulher é vestida do sol, e a lua é sua sombra; debaixo dos seus pés. O que que  isso significaria?  O seguinte :

        De mesmo modo que a lua reflecte a luz do sol e projecta a sombra das coisas assim iluminadas, assim é a lei em relação ao evangelho do Cristo (Hebr.10:1;Col.2:16,17).
         A sombra e as imagens aos pés da Igreja representam a lei e os profetas sobre os quais a Igreja é edificada - porque esses nunca foram destruídos -(Mat.5:17) -; enquanto pelo evangelho do Cristo - Sol de graça e da justiça -, ela recebe a plenitude  de Cristo ou a natureza divina à qual tornou-se participante pela aliança que a une ao Esposo. Aleluia! Gloria seja dada à Deus só!.
         Esta visão perfeitamente autenticada pela Palavra de Deus (a Escritura se quiser), nos leva direitamente em Ef.2:20 ou, O FUNDAMENTO DA IGREJA :
         “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos (a luz do evangelho da       glória do Cristo - 2Cor.4:3,4,6) e dos profetas (a lei ou a sombra das      coisas futuras), de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”.
         Tudo que não se enquadra nesta verdade é VAIDADE. Todo evangelho pregado neste dia em que a apostasia e as forças do mal triunfam nas nossas igrejas e que não concorda com os ensinamentos dos apóstolos, nem for confirmado pelos profetas do antigo testamento é HERESIA. É nisto que reconhecemos os obreiros fraudulentos assim como as seitas perniciosas. Ainda que pelo tempo actual e à força de circunstancias, eles se exaltaram até ao céu em grandes pregadores, mensageiros, etc... como ergueram suas religiões em grandes e prósperos organizações ou instituições. Deus não se deixa escarnecer, nem se deixa influenciar pela aparência de pessoas ou das coisas. Nós, temos nEle essa confiança, como servos de Deus que não falsificam o Evangelho para agradar à homens. Tal como bem  o confirma o desenrolamento da profecia que estudamos aqui :

       - uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça.

         A coroa representa como sabemos, o prémio da celeste e soberana vocação de Deus que está em Jesus Cristo (1Cor.9:24-25;2Tim.4:7,8;Tg.1:12,etc...). Todavia, a Palavra de Deus afirma que “ninguém é coroado se não combater segundo as regras” (2Tim.2:5). Está aqui um seriou e solene aviso para a Igreja; sobretudo neste último tempo em que vivemos, e aonde a mentira parece triunfar pela malícia do diabo nos meios da sedução. Quais são pois as regras que regem nosso combate da fé? São essas estabelecidas pela DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, o que está simbolizado aqui pela COROA DE DOZE ESTRELAS. Estas “estrelas” da profecia representam  “mensageiros” da Igreja (Apoc.1:20b); aqueles que ensinam a justiça na multidão (Dan12:3). E, como a presente  profecia  não diz somente respeito as nações, mas sim à Igreja em geral, onde judeus e gentios são congregados NUM só CORPO, estas estrelas (ou mensageiros da justiça de Deus) são doze e não sete(Apoc.1:20); do numero de doze apóstolos do Senhor. Este numero é constante; como Deus, imutável nos Seus caminhos. Ao ponto que quando Judas, chamado Iscariote foi tirado do meio, a escritura diz: “e tome outro o seu bispado”; em cumprimento da profecia (Sl.109:8; At.1:20).
         É somente essa doutrina de “doze apóstolos” (a sã doutrina pois) que faz a force da piedade; o fundamento da fé cristã; a gloria da Igreja. Tudo o resto é dogmas, ritos, credos, liturgias, costumes e tradições humanas, mas nem tão somente A VERDADE. Aprendei nesta no que diz respeito a mentira dos falsos profetas! Aqui está a verdade! Tão fundamental que o apóstolo Paulo, depois de catorze anos ao serviço do evangelho, receberia uma revelação divina para que subisse em Jerusalém afim de expor à esses apóstolos o evangelho que ele mesmo anunciava aos gentios. E, esses apóstolos tendo reconhecido a graça de Deus sobre ele pela verdade que ele confessava ( pois a graça sendo sempre acompanhada da verdade - Jo.1:14 - ninguém pode pretender ter a graça de Deus e no mesmo tempo sustentar uma  falsa doutrina, como é o caso como muitos hoje), deram-lhe a MÃO DE ASSOCIAÇÃO em sinal de COMUNHÃO existente entre judeus e gentios pelo Evangelho de Cristo (Ef.2:11-18).
         Isso não tem nada à ver com as “mãos de associações” que ajuntam hoje em dia os movimentos denominacionais que evoluem fora da sã doutrina. Aquilo é uma aliança impura, uma comunhão na mesa de demónios; aquilo é ECUMENISMO! E a verdadeira Igreja do Cristo não tem nada à ver com isso tudo. Porque, a Palavra da verdade purifica, enquanto as dogmas e credos sujam.

         Suportai um pouco de ousadia da minha parte . O amor da verdade e os tempos difíceis que vivemos assim o exige. Pois o zelo da casa do Senhor, me devora. E não me calarei até que saí a justiça da ESPOSA do Cristo.
         E porque que Paulo agiu assim? Ele responde : “para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão”. (Gal.2:2b)
         Agora, si eu vos disser que correis e trabalheis em vão, vós todos qua andam longe dessa doutrina dos apóstolos, acreditareis? Não somente, quebreis a comunhão com os “pais” da fé negando a Palavra do seu testemunho (1Jo.1:1-4); mas também sois privados da graça, segundo que o próprio Senhor o sublinhou na Sua oração em Jo.17:20 :
         “E não rogo somente por estes (os apóstolos), mas também por   aqueles que PELA SUA PALAVRA (o testemunho dos apóstolos, pois)          hão de crer em mim”.
         Eis aqui o fundamento da fé cristã. Assim por vos, Ô Igreja do Cristo, clama o grito do profeta Jeremias :
         “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai          pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e          achareis descanso para as vossas almas. Mas ele dizem: Não andare- mos. Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos à voz da          buzina. Mas dizem: Não escutaremos”.(Jer.6:16,17)
         Mas , porque que eles negam esta boa Palavra; porque? Porque são filhos e filhas dos que mataram os profetas e apóstolos do Senhor, nossos pais à nós, que testemunhavam da verdade. E pelo testemunho do “seu evangelho” contra a doutrina primitiva, eles edificam túmulos dos profetas e embelezam os sepulcros dos justos. Testemunhando porém, contra eles mesmo que são filhos dessa raça de víbora; que enchem a medida de seus pais. (Mat.23:29-32).
         A hora da RESTAURAÇÃO da Igreja no fundamento original já chegou; esta hora que antecede a vinda do Senhor Jesus Cristo (At.3:20b,21). Como para Elias, no dia de confrontação no Carmelo quando, antes de toda coisa, ele RESTAUROU (reparou) a altar do Senhor que foi derribado. Como? Com doze pedras segundo o numero dos doze tribos de Israel. Vedes pois a perfeição de Deus! Na lei: doze  patriarcas cujo o numero determinava a adoração do Deus verdadeiro; O de Abraão,  Isaque e Jacó. No evangelho doze apóstolos ou “estrelas” cuja doutrina determina a adoração do Deus único em Espírito e em Verdade: Jesus Cristo, o mesmo ontem (Aquele cujo a lei e os profetas davam testemunho), hoje (pelo nosso evangelho) e eternamente. ELE É O ESPIRITO DE TODA A PROFECIA.
         E nesta gloriosa profecia que revela a presciência de Deus, assim que a Sua sabedoria misteriosa e escondida em parábolas e revelada pelo Espírito aos Seus santos, temos aqui uma maravilhosa representação da Igreja que, neste último tempo e da restauração de toda coisa, regressou no fundamento primitivo e original pela nossa pregação, afim de chegar a unidade da fé e no conhecimento perfeito dAquele que é desde o princípio. Por isso neste livro está escrito: “Bem-aventurados aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo”. (Apoc.1:3;22:7).
         Nesta hora derradeira pois, saudamos e reconhecemos todo aquele que vem da parte de Deus, não pelos sinais extraordinários que acompanham seu ministério, mas sim, pela mensagem da Palavra que ele anuncia. Et nós dizemos: “Amem!” na Palavra. Mesmo no caso dos servos que, como João Baptista, não fazem nenhum milagre. O que nos interessa, à nós, é que TUDO QUE ELES DIZEM SOBRE JESUS CRISTO SEJA VERDADEIRO. Isso não quer significar de jeito nenhum que deixamos de acreditar numa manifestação sobrenatural ou extraordinária de Deus neste tempo que vivemos. A diferença está aqui: nós acreditamos nos sinais que acompanham a pregação da verdadeira Palavra de Deus e considerando isso como  o testemunho de Deus confirmando ou vindicando o portador da Sua Palavra, Seu servo. Não o contrário! E muito mais , temos por abominação a “deificação” desses instrumentos do Senhor. O que eles poderiam ter sido, pouco nos importa. O que é alguma coisa, ou então tudo para nós, é sem sombra de dúvida a mnklensagem que eles nos trazem pela Palavra da verdade.
 

       B- TEMPOS TRABALHOSOS PARA A IGREJA (v.2)

         Quando a advertência do Espírito diz expressamente que “nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” - para a Igreja decerto - (2Tim.3:1-5), é esta matéria que faz questão no segundo versículo de Apocalipse 12:
         “E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar        à luz”.
         Várias vezes, a Escritura toma esta expressão “dores de parto” para caracterizar os sofrimentos, angústias, tribulações e perseguições aos quais  são expostos os santos no seu combate da fé, para o triunfo da verdade. O apóstolo Paulo toma para si esta expressão com fins de caracterizar os sofrimentos  e dificuldades por ele encarados para “gerar” seus filhos na fé (Gal.4:19) :
         “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que         CRISTO seja FORMADO EM VÓS”.
(Ver também 1Cor.4:15; Fm.v.10, para uma boa compreensão).
         Ele utiliza também a mesma expressão para definir a repentina destruição ou ruína que caíra sobre o mundo enquanto da grande tribulação (1Tes.5:3). O Senhor Jesus Cristo também compara a Igreja que gera os “filhos de Deus” no meio das tribulações e tristeza, à uma mulher que traz ao mundo um novo homem pelo parto (Jo.16:20-22). A lei e os profetas também testificam neste sentido (Is.26:17;66:7,8, etc...).
         Esta “mulher grávida e com  dores de parto” é sem dúvida, a Igreja de Cristo  nas entranhas da qual cresce a semente da Palavra da verdade pela qual os escolhidos de Deus são gerados: AS PRIMÍCIAS DA SUAS CRIATURAS. (Tg.1:18)
         E estas “primícias” são gerados p72ara a glória neste último tempo particularmente difícil, tendo em conta que encontramos  hoje em dia, dentro duma igreja que se converteu num covil de ladrões e salteadores, falsos-crentes. egoístas, amigos de dinheiro, falatórios -+profanos, soberbos, blasfemadores, rebeldes à pais e mães, ingratos e irreligiosos, insensíveis, desonestos, caluniadores, irreconciliáveis e cruéis, inimigos do bem, traidores, altivos, orgulhosos, amante de deleites mas do que de Deus; mas contudo, REVESTINDO TODOS, A APARÊNCIA DA PIEDADE. Tal como o abundante joio (filhos do maligno) que, no campo, tenta afogar o trigo (filhos do Reino). Conseguirá pois no seu intento, será?
De jeito nenhum! Pois, Deus cumprirá TODO o Seu conselho e decreto... INFALIVELMENTE. Seu fundamento não tem estas palavras por selo? :
          “O SENHOR CONHECE OS QUE SÃO SEUS, e qualquer que         profere o nome de Cristo APARTE-SE DA INIQUIDADE (2Tim.2:19)
         Sim, a Igreja está em trabalho na verdade. Isto é coisa notória; todavia, é o fruto das suas entranhas que há-de manifestar o herdeiro da gloriosa promessa do reino dos céus, pelo ARREBATAMENTO.

 

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