A NOITE DE TODOS ACONTECIMENTOS

 

Mat.26:21-25: E, enquanto estavam comendo, ele disse: “Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá”. Eles ficaram muito tristes e começaram a dizer-lhe, um após outro: “Com certeza não sou eu, Senhor!” Afirmou Jesus: “Aquele que comeu comigo do mesmo prato há de me trair. O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido”. Então, Judas, que haveria de traí-lo, disse: “Com certeza não sou eu, Mestre! Jesus afirmou: “Sim, é você”.

Mat.26:31-36: Então Jesus lhes disse: “Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’. Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galileia”.  Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!” Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”. Mas Pedro declarou: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros discípulos disseram o mesmo.

Estava Jesus assentado com os doze… esses doze que representava a assembleia; a Eklesia de Jesus; Sua Igreja, composta por esses que saíram do mundo e que foram chamados fora do judaísmo para O seguir. Estamos à falar aqui daqueles que não se reclamavam, nem se identificavam à Moisés, Jeremias, Malaquias ou qualquer outro… mas sim, dos que acreditavam que o maravilhoso Plano de deus para a salvação dos homens se cumpria em Cristo Jesus. Daqueles que, olhando por Jesus de Nazaré, reconhecia nʹEle: o Cristo, o Messias, o Salvador: Aquele que veio para tirar o pecado do mundo e nos reconciliar com Deus.
Não estamos à falar aqui da multidão que se afastou dʹEle… não estamos à falar daqueles que não acreditavam nʹEle. Estamos à falar tão-somente daqueles que, no meio de todas as religiões que existiam na terra (pois para além do judaísmo, já existia umas tantas em redor de Israel) acreditavam e seguiam o Senhor Jesus e a Sua doutrina. Uma imagem de todas essas religiões que hoje se reclamam de Cristo… de todos aqueles que se chamam cristãos. Pois que, hoje também temos muitas religiões que não conhecem Jesus Cristo, nem O reconhecem; tais como: o budismo, o hinduísmo, o Islão, a igreja dos negros em África, etc.
Mas, quando naquela noite Jesus estava assentado com os Seus discípulos, disse-lhes o seguinte: “Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá”. Um de vocês, quem? Pois eram apenas os doze assentados em seu redor; doze homens escolhidos por Deus. Não veremos nisso uma ilustração ou figura de todos aqueles que são chamados por Deus em Jesus Cristo? Todavia o Senhor Jesus revela claramente que a traição irá operar no meio daqueles mesmo que se reclamam do Seu nome.
Ao ouvir essa coisa… porque a profecia tem um tempo determinado à partir do momento em que a Palavra de Deus é anunciada e o seu cumprimento. E, quanto mais as pessoas pensar que se trata apenas de meras conversas, o que foi dito há-de se cumprir. Ao ouvir essas palavras do Senhor pois, os que estavam assentados com Ele entristeceram-se muitos. Como pois tal coisa poderia acontecer se todos (em princípio) tiveram crido que Ele era o Cristo e que tinha as Palavras da vida eterna? Pelo que o Senhor Jesus revela mais: “Aquele que mete comigo a mão no prato, esse há de me trair”.
Não vamos falar do prato no seu contexto físico; mas sim do prato como a comunhão da mesa de todos aqueles que partilham o mesmo pão. Porque, não é possível para os inimigos sentar-se em comunhão na mesma mesa, salvo à menos que tenha uma dose elevada de hipocrisia para o fazer. Pois, geralmente, a mesa reúne amigos… pessoas que partilham o mesmo sentimento; certo laço ou algo em comum… E, vemos aqui Jesus sentado à comer o pão com os Seus discípulos. Esse pão que ilustra para nós: a Palavra de Deus ou a Sã doutrina.
O que significa isso? Que a traição iria operar no meio daqueles que até um determinado momento, partilhavam a mesma doutrina; daqueles mesmo que chamam à Jesus: “Senhor, Senhor”. É do meio destes que se manifestaria a traição e a confusão.  
Notamos aqui uma coisa importante: o Filho do homem devia sair do mundo, de acordo com o que estava escrito. Isso significa que a rejeição do Cristo, o Seu sofrimento e outras tribulações que Lhe haviam de ser impostas, se enquadravam tudo no cumprimento da profecia bíblica.
Pouco importa a boa vontade dos homens; ninguém podia impedir que tal coisa acontecesse. Pelo que Jesus disse: “O Filho do homem vai de acordo com aquilo que está escrito”. Todavia, aí daquele homem por quem o Filho do homem vier à ser traído (Mat.26:24).
Quero estabelecer uma analogia daquilo que aconteceu naquela mesa com o queestá à acontecer hoje em dia na terra; onde homens e mulheres aparentemente, reclamando-se cristãos, abandonaram o mundo e se apegaram na doutrina que tem Jesus Cristo como figura central. Mas, de acordo com a profecia bíblica, a Escritura de 2Tim.3:1-5 afirma que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos em que teremos entre outros: homens egoístas, arrogantes, blasfemos, irreconciliáveis, falatórios profanos, inimigos do bem, traidores, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus; mas escondidos debaixo de uma aparência da piedade ou de santidade.
Quando se fala por exemplo de falatórios profanos, trata-se de pessoas que trazem no nosso meio discursos não espirituais. Pois, um profano é alguém que tem exagerado consideração pelas coisas materiais, temporais, terrestres e carnais, em detrimento das coisas espirituais e permanentes que são invisíveis. Compreendemos pois que o Espírito Santo advertia sobre o advento de tempos em que certas pessoas tendo uma certa aparência de piedade, trariam no meio da Igreja de Jesus Cristo, à que se identificam, um discurso… uma pregação profana, essencialmente baseada sobre o materialismo e não o sobre o Reino e a justiça de Deus. Pelo que não é coisa estranhável que isso acontece. Assim foi escrito! Assim deve acontecer!
A Palavra de Deus nos revela também que convém que Cristo padece muito e seja rejeitado pela essa última geração em que vivemos (Lc.17:25). Isso significa que: tal como aquando da Sua primeira vinda, as últimas horas de Jesus foram caracterizadas pela traição (já que vimos aquele que comiam o mesmo pão com o Senhor se levantar contra Ele); assim será nos últimos dias que antecedem o fim da aliança feita com as nações pela “Igreja”. Pois, muitos anticristos se levantarão no nosso meio, como está escrito. Estes são os traidores; sendo animados pelo mesmo espírito que se assenhoreou então de Judas (1Jo.2:18,19).
Estabelecemos aqui dois cenários nesta noite de todos os acontecimentos:
Primeiro: Judas pergunta: “Senhor, eu também”? Pelo que Jesus respondeu: “Tu o disseste”. Aqui está o falso adorador que há-de trair Deus e Sua doutrina.
Segundo: Pedro reage contra a revelação do Senhor que disse: “Todos vós, esta noite, vos escandalizareis em mim”;dizendo: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei” (Mat.26:31,32). Disse-lhe Jesus: “Em verdade te digo que, nessa mesma noite (em que ocorria a traição pois), antes que o galo cante, três vezes me negarás”(v.34).
Não estamos aqui à falar de tempos diferentes… momentos ou horas diferentes; mas sim de uma mesma noite em que tudo aconteceu. Judas representa o falso adorador, e Pedro o verdadeiro. Todavia, nessa mesma noite: um traiu Jesus; outro O negou.

 

1.1. O FALSO ADORADOR O TRAIU

Essas coisas no nosso tempo representam e confirmam a profecia sobre a grande apostasia que havia de se instalar na terra. Ora, a grande apostasia caracteriza o tempo em que os adoradores reclamando-se de Cristo, não suportam contudo a verdadeira doutrina. Tendo comichões nos ouvidos para escutar coisas agradáveis; esses procuram por si mesmo, doutores segundo as suas inclinações. Não se tratará mais de um sacerdócio revelado e estabelecido pelo Senhor; nem de homens escolhidos e enviados por Deus com uma missão específica ao serviço da Igreja… estamos à falar de um momento em que os homens escolhem, elegem, recorrendo à outros métodos humanos para a escolha de sacerdotes (não só homens como também mulheres); de pregadores que lhes agradam com discursos profanos; bom para ouvir e fácil de suportar.
É aqui onde denunciamos o “evangelho social” que abafa a voz do “Evangelho da salvação”.  
Pois Jesus veio para nos libertar do pecado e nos reconciliar com Deus. Para que um dia, quando acabar a nossa peregrinação cá na terra, possamos regressar e viver na eternidade com Deus. Eis a verdadeira razão pela qual Deus deu o Seu Filho Unigénito.
Se compreendemos o que diz a Escritura de 1Jo.1:1-4, entenderemos que o testemunho dos apóstolos é a vida eterna que estava com Deus e nos foi manifestada. Ao contrário do testemunho de muitos profetas e sacerdotes das igrejas que, hoje em dia, deixaram de testemunhar dessa vida eterna, para apregoar o evangelho baseado sobre o materialismo e o lucro fácil. É nisso que se revela a traição de Judas.
Qual foi o motivo que levou Judas à trair Jesus? Por causa do dinheiro! Ele pensava que trinta moedas de prata podiam resolver a sua vida. Na realidade, tratava-se de um miserável, seguindo caminho erradíssimo. Não quero falar desses pastores que lutam para ter uma voz de destaque na sociedade e seus assuntos; um lugar na política do mundo, etc.
Pois, esses vendem o seu direito de primogenitura como Esaú, e tornam-se profanos como ele; anunciando discursos inúteis que não edificam a Igreja na fé, nem contribuem para a obra da salvação.
Estes são as características da falsa adoração.
Todavia, isto não significa que os falsos adoradores não conhecem a Verdade. Conhecem sim! Mas, optam pelo caminho da traição como Judas. Porque, antes de perguntar à Jesus: “Senhor, porventura eu também, posso te trair”? Judas já tinha tomado conselho com os príncipes e sacerdotes judeus e já tiveram combinado o preço da traição: TRINTA MOEDAS DE PRATA. A TROCA DA VERDADE POR ALGUM GANHO MATERIAL! O que foi é o que será! E, o que acontece hoje nas igrejas nessa última hora, já foi nas últimas horas de Jesus.
O seu negócio feito, Judas voltou no convívio dos outros discípulos. Não com intenção de servir à Deus, mas sim com a clara determinação de trair e de aniquilar a Verdade; tendo já perdido a sua boa consciência, a fé em Cristo e na obra da salvação.
Não foi revelado pelo Senhor em Mat.6:24 que ninguém pode servir dois mestres; isto é: à Deus e às riquezas? Pelo que, Judas desprezou e rejeitou o Cristo em troca de bens visíveis, materiais e temporários.
Assim como foi para Cristo; assim o é com a Igreja. Pois não há discípulos maiores que o Seu Mestre, basta o discípulo ser tratado como o Mestre.
Hoje também, nas últimas horas da dispensação da Igreja do Cristo, a luz do Espírito Santo nos revela a mesma realidade: a traição da Verdade por causa do materialismo triunfante. Os pregadores trocam a Verdade com os bens do mundo. A Verdade é traída em troca de algum lugar de destaque na cena política ou social; troca de alguns favores, amizade com os reis, príncipes e poderosos da terra, etc. A verdade tropeçou publicamente e depois caiu. Tal como Jesus foi livrado em espectáculos diante dos zombadores e escarnecedores de Israel naquela época.
Quando o Senhor Jesus revelou: “Esta noite um de vocês vá me trair”, não se tratava de um estranho qualquer, mas sim de Judas, o Iscariotes, que estava assentado com Ele na mesma mesa e compartilhava o mesmo pão. Este ainda perguntou: “Senhor, porventura sou eu”? Disse-lhe Jesus: “Tu o disseste, Judas”. Não porque este ignorava a Verdade, mas sim porque bem a conhecia, mas o seu coração era movido pelo lucro. É a mesma nesta última geração em que vivemos: mesmo conhecendo à Deus, esses profetas e sacerdotes de hoje não Lhe dão glória. Mas, semelhantes à doutores insensatos, seguram nas escrituras e baralham completamente o Conselho de Deus por causa do lucro fácil. E, quem entende a Escritura de 1Jo.2:8 atesta facilmente essa Verdade que pregamos aqui e atesta connosco que temos hoje muitos Judas que se introduzirão na comunhão dos cristãos e partilham aparentemente a doutrina cristã; sendo na realidade traidores que expõem o Nome do Cristo e Sua doutrina ao vitupério por causa do lucro. Considerando a piedade como fonte de ganho, são inimigos da Verdade: cujo fim é a perdição (como Judas), cujo deus é o ventre, e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas” (Fil.3:19).  

 

1.2. O VERDADEIRO ADORADOR O NEGOU

         No segundo cenário encontramos Pedro… não se trata do mau; do falso adorador, mas sim do bom.
Disse-lhe porém Jesus: “Todos vós, esta noite, vos escandalizareis em mim”. O Senhor não está mais à falar aqui de traição, mas de pessoas que se escandalizam da Verdade; de gente que tem medo de proclamar a sua fé e se envergonha da Verdade; daqueles que não são capazes de confessar a Verdade diante dos homens, por medo.
Não está escrito: “Ferirei o Pastor e as ovelhas se dispersarão”? (Mat.26:31). Hoje também, como nas últimas horas de Jesus… naquela noite de todos acontecimentos, o diabo atacou-se tanto no Verbo de Deus (pois essa é a essência Verdadeira do Nome de Jesus – Apoc.19:13). Jesus Cristo e a Sua doutrina (Palavra) ficaram tão banalizados que alguns discípulos, embora crendo na Palavra de Verdade, têm todavia vergonha de se assumir como tal. Pois que? Eles se envergonham de Jesus diante dos homens. A Verdade da Palavra transformou-se num verdadeiro escândalo que faz tropeçar muita gente hoje em dia. Tal como Pedro naquela noite.
Ainda assim Pedro disse à Jesus: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei”. “Ainda que alguns sentem medo ou receio de falar segundo a Verdade, eu não o farei… estou pronto à morrer contigo… pronto à morrer por causa da Verdade” parecia afirmar Pedro. Mas, o Senhor Jesus sabia que se tratava naquela noite de uma hora de provação que viria para tentar a toda aquela terra; quer religiosa quer não; quer se tratasse de um verdadeiro adorador, quer não. Naquela noite, a fé de todos seria posta em prova… uma hora de fraqueza para todos, como estava escrito. Pelo que diante da argumentação de Pedro, Jesus disse-lhe: “Em verdade te digo que, nessa mesma noite (em que se manifestava também a verdadeira natureza de Judas), antes que o galo cante, três vezes me negarás” (v.34).
Reparem (e digo isso mais uma vez) que não se trata de duas noites diferentes, mas sim de uma única. Por isso, falo da noite de todos acontecimentos. Pois é, na mesma noite em que o Filho do homem é traído pelo falso adorador, que mesmo os filhos de Deus se escandalizam e deixam de seguir… de andar na Verdade.
Hoje também, chegando no fim dos tempos, a Igreja vive a sua noite de angústia. Não se trata de uma noite natural como no tempo de Jesus, como já o sublinhei, mas falo aqui de uma noite espiritual que caracteriza a ausência da luz verdadeira. A luz, sim, desapareceu! Ora, a luz verdadeira é a Palavra de Deus. Esta Palavra estava com Deus e era Deus. Esta é a verdadeira luz que ao vir ao mundo ilumina à todos homens (Sal.119:105; Jo.1:9). E, quando os homens rejeitam esta Palavra; eles rejeitam a Luz e mergulham na escuridão e trevas.
E, como disse a profecia de Is.60:1,2, a escuridão cobre os povos e as trevas a terra. A noite pois representa para nós, o tempo da grande apostasia que se instalou sobre toda terra. Tempo em que uns, conhecendo a Verdade, a crucificam e massacram; enquanto outros, por medo e receio (já que a Verdade do Evangelho do Cristo tornou-se numa coisa vergonhosa e de escândalo para o nosso mundo) tentam esconder a sua fé diante dos homens.
Pedro não falou nem em mal, nem contra a Verdade naquela noite; ele simplesmente sentiu receio e medo de confessar publicamente a Verdade em que acreditava diante de uma multidão incrédula e enfurecida. Talvez, chegou à pensar por um instante que o poder do Filho do homem iria se manifestar na última instância e os livrar à todos. Talvez esperava por um milagre da última hora que lhe permitiria de afirmar publicamente que ele era um dos discípulos do Grande Profeta: o Messias. O que Pedro ignorava é que a palavra profética falava de uma hora de provação que viria para tentar à todos: bons como maus.
“E, quando o Filho do Homem virá, achará a fé na terra”? (Lc.18:8).
Hoje também, essa geração adúltera disse: “Que Deus faça pois um milagre para que possamos acreditar na Verdade”. Outros ainda (os bons desta vez) podem até pensar: “Que Deus faça um milagre para provar ao mundo que está ao nosso lado”. Não! O maior milagre que Deus possa fazer na vida de um homem é conceder-lhe a fé para a salvaçãoum lugar no reino dos céus. Este é sim o maior milagre.
Retenhamos pois que, nesta noite de todos acontecimentos, enquanto o falso adorador na figura de Judas, vencido pelo materialismo traiu a Verdade; o verdadeiro na figura de Pedro se escandalizava e negava aos olhos dos homens essa mesma Verdade.
Olhamos por essas verdades que nos são feitas aqui em figura, para nossa instrução, nós para quem já chegaram o fim dos tempos: quando Jesus foi preso, Pedro o seguiu. Até aonde? Até na casa do Sumo Sacerdote… entrou até no pátio e assentou-se lá.
Mas, olhem que naquela casa (do sumo sacerdote pois) e naquela noite, não se pregava a Verdade. Não! Pedro estava assentado no meio dos zombadores e rodeados dos escarnecedores. Aonde? Na casa do sumo-sacerdote: o chefe religioso. Aquele que era olhado por todos como sendo o sumo servo e representante de Deus. Aquele que, supostamente falava da parte de Deus. Foi ali… naquela casa, que Pedro viu pela primeira vez, Aquele que era a Verdade ser fisicamente maltratado, zombado, ridiculizado, ofendido… enfim. Na casa do sumo-sacerdote Caífas! E, naquela noite… naquela casa e naquele pátio se levantaram muitos falsos testemunhos contra Jesus; contra a Verdade. Para poder aniquilá-lo. MATAR A VERDADE DE DEUS, pois (Mat.21:59).
Estamos à falar de uma só noite em que tudo aconteceu: primeiro a traição, agora a Verdade à ser manifestamente maltratada, massacrada aos olhos do verdadeiro adorador. Vejam que isso não ocorria na casa do rei ou de qualquer outro príncipe mundano, o escândalo ocorria sim na casa do Sumo-sacerdote. Eis exactamente o que acontece hoje: A VERDADE DE DEUS PRISIONEIRA DA RELIGIÃO DOS HOMENS E DE SEUS LÍDERES OU PRÍNCIPES.
E Pedro, discípulos da Verdade, assentou-se no meio dos religiosos, zombadores da doutrina em que ele acreditava. Como pois você pretende preservar a sua fé e defender a Verdade nessas condições? É impossível!
Não está escrito: “Bem-aventurado, o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se deite no caminho dos pecadores, nem se assenta ao roda dos escarnecedores” (Sal.1:1)? Não está escrito que: “A má companhia corrompe os bons costumes”? (1Cor.15:33)
Pelo que está escrito: Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Portanto, “saiam do meio deles e separem-se”, diz o Senhor. “Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei” e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas”, diz o Senhor todo-poderoso (2Cor.6:14;18).
         Naquela noite, Pedro viu se levantar muitos falsos testemunhos contra Jesus, e transtornando a doutrina do Cristo. Hoje, assistimos ao mesmo cenário: muitas vozes se levantaram na Igreja e testemunharam contra a Verdade. Eles profanaram o santuário de Deus e desviaram as almas da celeste vocação, despertando nos ouvintes as paixões e concupiscências carnais. É nisso que conhecemos que já é a última hora para a Igreja: muitas falsas vozes se levantam para contrariar a Verdade hoje em dia.
Quem deu crédito naquilo que nos foi anunciado?
Há mais uma coisa na figura do Pedro: ele assistiu, como nós hoje, ao combate entre a religião dos homens contra a Verdade de Deus. Mas, depois de se levantar contra a Verdade, o diabo se torna contra os discípulos dessa Verdade. E, olhando para Pedro:”Tu também estava com Jesus, o galileu”, disse a religiosa ao adorador. “Não sei o que diz”. Uma outra disse: “Este também estava com Jesus, o Nazareno”. “Não conheço tal homem”! E vieram no fim, um grupo desses religiosos em cuja casa de líder, Jesus (a Verdade de Deus) estava preso: “Certamente és um deles, a tua maneira de falar te denuncia”. (Notaram aqui que a linguagem do adorador é diferente da do religioso? Não se trata porém da gramática, nem do vocabulário, mas sim da confissão).
A noite de escândalo! Pedro jurava e praguejava: “Não conheço esse homem”. Quantos, hoje, sentem o mesmo receio que Pedro diante dos contraditores? Quanto hoje se retratam face a pressão deste mundo extremamente religioso em que vivemos, mais que aborrece a sã doutrina que é segundo a Verdade de Deus revelada aos homens? Misericórdia! Que Deus tenha compaixão de nós!
A recusa de Pedro era o cumprimento da profecia do Palavra do Cristo (Mat.26:31,34); tal como a apostasia dos últimos dias é também o cumprimento das profecias da Palavra de Deus. E no meio desta apostasia, temos dois grupos: o primeiro que massacra e mantém cativa a Verdade de Deus e um outro que sente receio e medo de assumir a sua identidade de discípulos de Cristo; envergonhando-se de Jesus e da Sua palavra diante dos homens.
Mas, qual foi o fim do falso adorador? Talvez Judas pensou em si mesmo: “Vou receber este dinheiro (o prémio ou salário do pecado, tal como Balão) e depois Jesus fará um milagre para se safar, e todos ficam à ganhar”. Nada disso! O salário do pecado é a morte!
Está escrito: “O Filho do homem será entregue à morte, mas aí do homem pelo qual Ele será entregue”. Tal o fim de Judas, tal será o fim desses anticristos que se levantaram no nosso meio. Aí, pois, daqueles homens que combatem a Verdade e entregam o nome de Cristo ao blasfemo e vitupério no meio das nações. Pouco importa o poder, a grandeza, a notoriedade ou fama desses líderes religiosos e a multidão que aderem nessas religiões, está escrito: “Ai deles”! Tal como Judas, não escaparão dessa morte vergonhosa que lhes esperam quando tudo será consumado.
Não queria Judas devolver o dinheiro do pecado? Todavia, nem os seus cúmplices o aceitaram. Pois que? Assim como para o profano Esaú, o arrependimento tardio não surtiu nenhum efeito. Assim também não haverá paz para os maus. Deus honram os que Lhe honra e despreza os que Lhe desprezam.
Mas, ao Pedro (verdadeiro adorador) foi dito: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”.
Não cante o galo para anunciar o fim da noite? O Senhor Jesus disse: “Esta noite antes que o galo cante”.
A noite de todos acontecimentos! Pedro acabava de negar o Senhor três vezes de acordo com a profecia de Jesus, e de acordo com esta mesma profecia, o galo cantou naquela noite. O que significava isso para nós?

 

****************************

E… O GALO CANTOU!

         Quem é este galo que canta no meio da noite? Quando este galo cantou… será que todos que estavam lá assentados não o ouviram? O que significava esse canto do galo para aquela multidão de zombadores? Nada!
Tal não era o caso para Pedro! O canto daquele galo foi um sinal profético para o verdadeiro adorador; um sinal despertador que levou Pedro à reconsiderar os seus caminhos; à se arrepender e voltar para Deus.
Se o canto do galo nada significava para esses religiosos, assentados lá no pátio do sumo-sacerdote; todavia para Pedro, era mais do que um som inanimado. Tratava-se de uma verdadeira mensagem divina que tirou o verdadeiro adorador do sono espiritual onde se encontrava mergulhado. É a mesma coisa com as calamidades que assolam a terra nestes últimos dias, de acordo com a profecia de Jesus em Mat.24. E, pese embora esses sinais nada significar para os homens deste mundo; contudo, para nós que recebemos essas palavras do Senhor, essas calamidades que se abatem na terra são sinais de tempos; semelhantes à trombetas que nos despertam do sono espiritual e nos recordam que o fim está próximo de acordo com a profecia do Cristo. Mas, que antes do fim, o Evangelho do Reino (a verdadeira mensagem da Palavra de Deus) será de novo anunciado sobre a terra… ENTÃO VIRÁ O FIM (Mat.24 :14).  
O canto do galo trouxe à memória do Pedro as palavras do Senhor; confirmou a apostasia reinante no meio em que se encontrava mergulhado, assim como o “Assim diz o Senhor”: “Sai do meio deles povo Meu”.
Semelhante as virgens que se despertam do sono ao clamor da meia-noite que anuncia às sabias ou prudentes que, para elas: A noite está acabada e que já é chegada a hora de despertar do sono porque a salvação estava próxima (Rom.13:11,12); Pedro separou-se dos zombadores e saiu do pátio da religião. Ele saiu fora daquele arraial, levando consigo o vitupério do Cristo.
Hoje, nesta noite de grande apostasia para a Igreja, existe também uma promessa de restauração. E, no meio dessa noite, se fará ouvir um clamor (Mat.25:6) e, o povo de Deus se apartará da falsidade e andará na Verdade; à luz da face do Senhor.
Pedro, desesperado viu Jesus partir, mas a Palavra da promessa dizia que Este iria ressuscitar dos mortos. Da mesma maneira que hoje, muitos já deixaram de acreditar na Verdade; mas de acordo com a profecia, virá tempos de refrigério da parte do Senhor e Deus restaurará todas as coisas antes da vinda do Senhor. Pois, está determinado no Conselho de Deus que, antes do fim, a verdadeira doutrina será de novo anunciada em toda Verdade, para servir de testemunho à todos, então virá o fim (Mat.24:14; Act.3:19-21; Zac.4:6-9, etc.).  
Mais uma coisa… quando o galo cantou, Jesus olhou para Pedro. A multidão nem sabia o que estava à acontecer. Ninguém deu-se conta do que estava à acontecer naquele mesmo instante na vida e na fé de Pedro. Aquilo que para muitos não passava de um simples cantar de galo soou aos ouvidos de Pedro como uma verdadeira trombeta que ordenava a partida dos arraiais ou saída dos acampamentos (Nu.10:2). De mesmo hoje, e de acordo com At.3:19-21; ao ecoar o clamor da meia-noite, a presença do Senhor se manifesta. O Senhor Jesus olha para Sua Esposa, e o Consolador, o Espírito Santo, nos faz lembrar tudo sobre a doutrina do Senhor e nos anuncia o que há-de vir (“Vem aí o Esposo! Sai-Lhe ao encontro”). Aqui estão os tempos de refrigérios pela presença do Senhor. E, à partir deste momento, o Espírito Santo é quem conduz os eleitos em toda Verdade, de acordo com a promessa (Jo.14:26; 16:13-15).
Lembramo-nos que naquela noite, e naquele pátio do sumo-sacerdote, todos estavam lá reunidos: os verdadeiros e os falsos adoradores, os zombadores e os opositores, os acusadores e as falsas testemunhas. Contudo, nunca devemos nos esquecer de que Jesus era o tema central da reunião daquela noite. Um verdadeiro sinal de contradição para a queda e a elevação de muitos, como dizia a profecia à Seu respeito (Lc.2:34). Hoje, no fim dos tempos o pátio do templo de Deus foi profanado pelas nações. Jesus Cristo permanece o tema central de todas as pregações quer na boca dos verdadeiros como dos falsos adoradores, dos zombadores e opositores na sã doutrina; dos acusadores dos que querem viver segundo a verdadeira piedade, como das falsas testemunhas que, nas nossas reuniões, cometem verdadeiros escândalos em Nome de Jesus (1Tim.6:3-5; 2Pe.2:12-22; Jud.10-17). Se, a verdadeira fé vem pelo ouvir a mensagem da Palavra de Deus (Rom.10:17), é inegável que os que desviam o ouvido dessa verdadeira Palavra para escutar as fábulas acabam por cair na apostasia (que é justamente a rejeição da fé verdadeira). Foi o que aconteceu com Pedro, sentado nos meios dos zombadores e distraindo-se com os seus discursos. É o que acontece com muitos hoje que não sabem discernir as verdadeiras palavras de Deus dos discursos profanos que caracterizam as pregações de muitos servos das igrejas. Essas sermões para além de trair o Senhor nos Seus ensinamentos e O livrar na vergonha no meio das nações, ensinam aos homens à se desviar do Santo mandamento, negando assim o Senhor que os resgatou.
Saiamos pois, como Pedro, dos arraiais das religiões; fora das portas. Levando o opróbrio do Cristo, como está escrito (Heb.13:13). Já chegou a hora para nós de nos apartar do formalismo religioso (como Pedro o fez naquela noite), não temendo a ira dos zombadores, escarnecedores ou outros opositores, contraditores ou maldizentes. Trata-se do regresso no fundamento original, com vista a herança das promessas. Vamos caminhar de novo, no bom e antigo caminho por onde andaram nossos pais, e que conduz ao descanso das almas (Jer.6:16). Tais as virgens prudentes que vão ao encontro do Esposo.
Pois, se o galo cantou aquela noite, foi para despertar Pedro no meio daquela geração incrédula. Mas uma outra noite está diante de nós… uma noite em que a escuridão é total (Es.60:1,2), e que representa a grande apostasia anunciada na Palavra profética; momento em que o mundo vai se afastar completamente da Palavra do Cristo. Noite em que a sã doutrina escandalizará à muitos e será rejeitada. Tempos em que os que querem viver na verdadeira piedade serão perseguidos e atormentados pela multidão de zombadores. Mas, tal como aconteceu com Pedro ao CANTAR DO GALO, de mesmo modo para nós, a Igreja já chegada no fim dos tempos, o clamor da meia-noite proclama o reavivamento que desperta e conduz as virgens sábias fora da confusão. Porque, repito: os eleitos de Deus sabem que para eles A NOITE ESTÁ ACABADA E JÁ É HORA DE DESPERTAR DO SONO. Não se esquecem de que meia-noite, apesar da escuridão ainda manifesta na natureza, anuncia todavia O FIM DA NOITE e o começo de um novo dia para os que se encontra acordados naquela hora; pois para os que dormem naquele momento trata-se ainda da noite profunda (A bom entendedor…). Todavia não se manifesta claramente esse Dia apenas quando a luz do sol começa a iluminar a terra? Pelo que bem fizemos de atentar nessa Palavra profética que nos é anunciada hoje, pois ela é a luz que brilha no meio da noite, até que o dia amanheça e que a Estrela da alva se manifesta (2Pe.1:19). Quem pode compreender isso compreende!

 

****************************