AS OFERTAS DAS BEBIDAS NA LEI

 

Uma coisa é afirmar que as bebidas fortes e o vinho foram prescritos na lei como OFFERTA DE LIBAÇÃO, e outra afirmar que a Lei autorizava o consumo destas.
            Alguns pregadores levam o zelo até afirmar categoricamente que: "a lei autoriza qualquer tipo de bebida alcoólica e não apenas o vinho". Buscando apoio para esta argumentação nas escrituras do Antigo Testamento, como Deut.14:22-26, onde lemos, especialmente no v.26: “E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.” ou em Nu.28: 7, onde está escrito: “A oferta de libação do mesmo será a quarta parte de um him para um cordeiro; no lugar santo oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor; e muitos outros... para justificar o consumo de álcool entre os cristãos na Igreja.
Vamos ser cautelosos, queridos irmãos! Não foi dito: “que não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” (Tg.3: 1)? Pelo que repito: uma coisa é afirmar que o vinho e bebidas e licores fortes eram parte da oferta de "libação" ao Senhor no antigo tabernáculo, como o provam essas escrituras acima e muitas outras; e outra, ensinar que as pessoas poderiam consumir vinho e bebidas fortes na presença de Deus.
Isto acontece, quando lemos sem discernimento e que o Espírito Santo não está lá para nos conduzir em toda Verdade. Porque em Deut.14:22-26, é conveniente distinguir o homem que traz os seus dízimos diante do Senhor-Deus. Dízimos de que? Do grão, do mosto (com melhor entendimento na versão inglesa que traduz “new wine”, isto é: “vinho novo” e não “bebidas fortes”) e do azeite; assim como os primogénitos das vacas e ovelhas. Podemos assim compreender que a Lei de Deus não recomendava o dízimo do vinho alcoolizado, bebidas fortes ou fermentadas; mas sim do mosto (tirosh), o suco integral ou vinho novo que se acha no cacho de uvas (Is.65:8, lembrai-vos disso).
Mas, se o caminho para o lugar escolhido por Deus para ali pôr o Seu Nome, for tão comprido, então o adorador vendia todos os produtos dos seus dízimos e com este dinheiro, ele dava (prestem atenção no versículo 26) primeiro para tudo o que desejava: por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e tudo o que lhe pedia sua alma. E, depois comia na presença do Senhor, ele e toda a sua família.
É bem verdade que as diferentes traduções que eu li, apresentam algumas variáveis: algumas bíblias traduzem “e aquele dinheiro darás por tudo o que desejares”; enquanto outras sublinham: Comprarás com o dinheiro tudo o que desejares”. Mas, lembrai-vos antes das palavras do Senhor Jesus, quando disse: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (Jo.6:63); ou ainda as do Seu apóstolo Paulo:“a letra mata, mas o espírito vivifica”. (2Cor.3:6). Sim, as palavras do Senhor são espírito e são vida. E, as escrituras não podem se tornar compreensíveis, senão pela pregação do Espírito Santo enviado do céu sobre aqueles que anunciam o verdadeiro Evangelho (1Pe.1:11,12).
Assim, para evitar de cair em interpretações particulares de Deut.14:22-26, é conveniente fazer-nos a seguinte pergunta: à quem eram destinados os dízimos ou o dinheiro da venda destes? Ao Senhor-Deus ou ao homem? Se essas coisas pertenciam ao homem, como explicar então a Escritura de Mal.3:7 à 10? Então, se as vacas e ovelhas eram destinadas ao culto ao Senhor-Deus, por que motivo os vinhos e bebidas fortes pertenceriam ao homem para o seu consumo? Uma única família precisaria de quantas vacas e ovelhas para comer e se alegrar no dia em que seus dízimos eram trazidos diante do Senhor-Deus? Na verdade: as vacas, as ovelhas, os vinhos e bebidas fortes eram destinados aos holocaustos, aos sacrifícios, às ofertas e às libações. Como o confirma todo o livro de Números, no seu capítulo 29.
E, como Deus ama quem dá com alegria (2Cor.9 :7), o povo que se achegava para adorar o Senhor com suas fazendas, comprava também tudo o que sua alma desejava, comia e se regozijava na presença do Senhor. Aqui está a Verdade!
            É bem verdade que, naquela época, foi no lugar santo em que se fazia uma oferta de "libação" de vinho ou bebida forte ao Senhor. Mas, como já o disse antes, tudo é uma questão da linguística e sua evolução ao longo dos séculos. A etimologia desta palavra em grego vem de “libare” que significa “derramar, entornar”. Enquanto o dicionário de português traduz hoje “libação” como: “acção de libar (beber). Dando-lhe assim um duplo sentido:
1)Acção de aspergir ou de oferecer um líquido a uma divindade.
2) Acção de ingerir bebidas alcoólicas, geralmente para brindar, por deleite e/ou por prazer, essas bebidas e/ou esse líquido (fonte: www.dicio.com.br dicionário on-line de português)
Pelo que hoje “libação” traduz-se familiarmente por: “bebedeira abundante; e com regozijo”.
Julgo eu que é essa má interpretação que transformou, a “libação” destinada ao culto ao Senhor-Deus, numa libação destinada ao prazer do homem. Porém, a apetência pela “bebedeira” nos “regozijos” destes religiosos cristãos. É essa confusão que corrompeu o entendimento de muita gente, e fez errar esses pregadores!   
Pois, ao escutar esses pregadores que defendem o consumo das bebidas alcoólicas buscando justificação na lei acerca da “libação”, temos a nítida impressão que eles caíram na armadilha dos cultos pagãos; associaram e confundiram o que se faziam lá, daquilo que é prescrito na Lei de Deus de Israel. Pois, se nas cerimónias pagãs da antiguidade, a libação consistia em provar ou beber vinho ou outro líquido ou bebida e depois derramá-lo em honra a uma divindade; na Lei acerca do culto do povo de Israel, não era assim.
Primeiro: porque no culto do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacob, não cabia a qualquer um fazer a sua própria libação ou sacrificar sozinho ao Senhor-Deus. Era antes tarefa exclusiva do sacerdote, o de oferecer à Deus todo o que o povo trazia; de acordo com o que estava prescrito.
De dois: no culto do Deus-vivo, o sacerdote não podia de modo nenhum consumir nem vinho, nem bebidas fortes no santuário; porém na presença de Deus (o que seria uma grave contradição com o que está prescrito em Lev. 10:9), mas sim derramava (ou aspergia) essas bebidas no altar.
A versão inglesa mais expressiva traduz “libação” por "drink-offering"; isto é: “oferta de bebida”. Assim, para além do holocausto perpétuo, os filhos de Israel traziam ou ofereciam o animal para o sacrifício de expiação diante do Senhor, a oferta e a libação correspondente, segundo a ordenança (Nu.28:15; 29:1-39). E, a libação podia ser de vinho ou bebida forte; e em alguns casos, de azeite (Gen.35:14).
            Todavia, para todos aqueles que ainda se apegam à essas ordenanças da Lei; buscando neles algum justificativo para se entregar à “bebedeira”, que me seja permitido lembrá-los o que está escrito:
“8 dando o Espírito Santo a entender com isso, que o caminho do santuário não está descoberto, enquanto subsiste a primeira tenda, 9 que é uma parábola para o tempo presente, conforme a qual se oferecem tanto dons como sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto; 10 sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até UM TEMPO DE REFORMA.” (Heb.9: 8-10).
Pelo que é de suma importância, saber discernir a hora em que vivemos e suas promessas. E, como o confirma também a escritura de Col.2:17, não que toca as ordenanças do culto do Deus vivo, não vos apegais, nem buscais uma lei de justificação naquilo que acabamos de ler em Deuteronómio 14 ou Número 28, pois: são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.”
E, se a sombra das coisas vindouras aplicava-se na busca da perfeição do homem pecador; à quanto mais razão o corpo (Igreja) que é de Cristo deve ser muito mais perfeito. Tendo sido purificado no que toca a consciência. Quem tem inteligência entende o que acabei de dizer!

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