A PASSAGEM DE TESTEMUNHO

“Vos mandastes mensageiros à João, e ele deu testemunho da verdade; Eu, porem, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis. Ele era a candeia que ardia e alumiava, e vós quiseste alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz. Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou... E A SUA PALAVRA NÃO PERMANECE EM VÓS, PORQUE NAQUELE QUE ELE ENVIOU NÃO CREDES VÓS” (Jo.5:35-38).

Deus operava uma obra maravilhosa em Israel. Uma obra que espantava à todos: fariseus e saduceus, escribas e doutores da lei, a autoridade civil e militar, os publicanos e outra gente do povo. Nas praças públicas como nos desertos, no templo e nas sinagogas... a ordem religiosa do judaísmo tradicional era abalada pela nova doutrina deste homem chamado Jesus de Nazaré. Mas quem era Ele? Com que autoridade fazia essas coisas? Donde adquiriu tal conhecimento das Escrituras; Ele que nunca as tinham estudado dantes? As opiniões à Seu respeito eram divergentes, ao ponto suscitar várias interpretações contraditórias no meio dos adoradores. Uns pensavam que era um homem de bem. Outros, tradicionalistas e conservadores das várias correntes do judaísmo, escravos do dogmatismo que triunfara do seu sistema de adoração, tentavam à todo custo, desavergonhadamente, e sem discernimento da vontade de Deus, se opor à este novo e estranho ministério que desvendava o carácter nulo, assim como a vaidade dos seus próprios cultos. Portanto, todas essas coisas que cada um tentava interpretar da sua maneira, se cumpriam estritamente, segundo as promessas das Escrituras.
         Uns perguntavam: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa”? (Jo.1:46); outros cépticos afirmavam: “Examina... nunca saiu nenhum profeta da Galileia” Jo.7:52). Entretanto, as Escrituras na verdade não davam testemunho dessa “Grande luz” que resplandeceu na Galileia dos gentios - (Mat.4:12-16)? Não foi anunciado pelo profeta que de Belém havia de nascer o Pastor de Israel - (Mq.5:2; Mat.2:5,6)? Mas, eles examinavam o que afinal?
         Aqui está uma realidade que se repete em todas as gerações: quando Deus decide realizar uma obra espantosa sobre a terra. Ele se revela onde as pessoas não esperam por Ele, porque acham que não pode lá estar. Ele se manifeste do jeito que as pessoas não acreditam que possa vir à ser Ele. Não consiste a sua glória em esconder as coisas? Contudo, Ele só esconde essa glória aos olhos do mundo. Irreconhecível por detrás do manto (ou véu) da humildade e simplicidade que caracteriza os Seus escolhidos: esses são os instrumentos da Sua manifestação (1Cor.1:26-29). É assim que Deus arruina a sabedoria dos sábios e, aniquila a inteligência dos instruídos, que buscam à Deus, olhando pela aparência das pessoas e das coisas.
Mas, para os Seus, o Senhor é revelado nessa grande unção que caracteriza o tabernáculo (corpo) provisório e circunstancial de que Deus se serve para cumprir a Sua obra num tempo determinado pela profecia.
A autoridade de Deus se manifesta na PROMESSA DO DIA, assim como na sabedoria do alto que caracteriza o discurso do homem do Seu Conselho. Escolhido e chamado por Seu decreto para executar Seu propósito, em cumprimento de determinadas promessas das Escrituras. A PROMESSA DO DIA: aqui está o caminho santo que conduz de volta no “terreno das promessas” – no fundamento original - todos esses que Deus resgatou da falsidade e da corrupção que prevalecem numa determinada geração, (Is35:8). Aqui está a porta aberta para a salvação.
É a fé na promessa do dia que opera a justificação do crente diante de Deus (Jo.1:12); é aqui onde opera a GRAÇA, segundo o que está escrito: ”Somos salvos pela GRAÇA por meio da fé, e isso não vem de nós é dom de Deus” (Ef.2:8). “Se tivesse conhecido o dom de Deus e quem fala contigo... tu lhes pedirias, e ele te daria agua viva”. Aqui está o repouso para todos os homens à quem Deus quer bem. Mas, o resto dos homens agarrados à seus cultos, rituais e credos, se recusam à examinar o acontecimento do dia, à luz das promessas das escrituras. A luz do que foi dito... do “Assim diz o Senhor” que pela boca de Seus profetas, já anunciava essas coisas antes do seu começo (Is.46:9-11). Eles pelo contrário, confrontam a obra que Deus opera debaixo dos seus olhos, com os homens de Deus conhecidos e venerados por eles (os que actuaram pelo passado); aos seus ensinamentos ou pregações.
”Quem te estabeleceu juiz entre nós...”, perguntava Israel à Moisés; “Quem és tu? És tu Elias? És tu profeta?... Com que autoridade faz estas coisas?...” perguntavam os fariseus; “És tu maior do que nosso pai Jacó que bebeu dessa água...”? perguntava a mulher samaritana ao desconhecido pregador; anunciador das boas novas que estava diante dela. Hoje, os homens perguntam: “Quem és tu? Porque pregas esta mensagem? És tu maior do que nosso profeta... mensageiro... pastor... fundador da nossa igreja, etc.”? Aqui está o drama do enviado de Deus contestado pelos homens da sua geração. Assim foi, assim será! Rejeitando esse testemunho que Deus dá de Si mesmo pela boca de um dos Seus enviados, os que fazem assim, invalidam contra si mesmo o Conselho de Deus. (Meditar Rom.4:13-15; 9:30-32).
Na verdade, cada um dos homens de Deus é uma candeia que ilumina por algum tempo; no seu dia (Jo.5:35). Disse Jesus: “Eu (hoje) tenho maior testemunho do que do João...”. Como assim? “Porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou...não tendes a Sua palavra em permanente em vós porque não credes naquele que Ele enviou” (Jo.5:36-38). É aqui onde os verdadeiros adoradores fazem a diferença! É nisso que os que são verdadeiramente discípulos de Deus - e não de homens – reconhece a “Voz do Bom Pastor” que fala pela boca de Seus enviados em todos os tempos. Cada um deles dava testemunho da Luz verdadeira que veio ao mundo para alumiar à todo homem, e quando chegava à hora de ser recolhido, cada um deles passava o TESTEMUNHO - o Espírito da profecia que o animava no seu dia – à um outro; escolhido pelo próprio Senhor: assim como aconteceu com Moisés e Josué; Elias e Eliseu, João Baptista e Jesus de Nazaré. Esse último com os apóstolos, etc.
Julgai disso ao exemplo do que aconteceu com Arão, o sumo-sacerdote: antes de ser recolhido, no fim do seu ministério, Moisés (o tipo de Cristo) o acompanhou até ao lugar do repouso, despiu-lhe das vestes sacerdotais e o revestiu à um outro – Eleazar - que tomou o seu lugar. Depois desceu Moisés com o novo sacerdote e o investiu no ministério (Nu.20:24-28). Sabeis o que isto significa? Não nos foram feitas estas coisas como figuras? Que aquele que pode receber esta palavra a recebe! Porque, ninguém pode pôr um outro fundamento da obra do ministério. Acautelai-vos das interpretações particulares!

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A IGREJA DO CRISTO E AS DUAS SEMENTES: 

EDIFICADA SOBRE “PETRA” OU SOBRE “PETRUS”?

 

“Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E, eles responderam: Uns, João Baptista; outro Elias, e outro Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes Ele: E vós, quem dizeis que e sou? E Simão Pedro respondendo disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus. Pois, também, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as postas do inferno não prevalecerão contra ela”. - Mat.16:13-18
“Quem diz o povo que sou, Eu o Filho do homem”? Eles pensavam que se tratava de uma reincarnação de Jeremias, Elias, João Baptista ou outro profeta... tudo, menos Deus em acção. O ministério do Filho do homem era comparado à de um homem mortal que servira Deus à seu tempo. É esse mesmo espírito que seduz e corrompe a igreja até no dia de hoje. Quantos numa geração determinada, reconhecem essa passagem de testemunho de que falamos aqui? Os verdadeiros discípulos de Jesus; aqueles que são ensinados por Deus – e não por homens – numa dada geração. Tal como aconteceu com Simão Barjonas, eles recebem do próprio Deus, a REVELAÇÃO do cumprimento de determinadas promessas, e reconhece a obra que o Senhor está à operar no meio deles.
Não disse Jesus que o reino do céu era semelhante à um tesouro escondido num campo? Mas, quem foi que revelou esse segredo ao homem que o achou? “Bem-aventurado és, porque não foi carne nem sangue – homem algum – que to revelaram, mas meu Pai, que está no céu”. É só Ele que opera a salvação e acrescenta ao Seu rebanho, os que são salvo em nome de Jesus Cristo. Como está escrito: “Em nenhum outro nome” (At.2:47b;4:12).
Sim, eu vos digo, na verdade: é preciso uma revelação directa do próprio Senhor para os que falam, como para os que escutam as palavras de Deus. Porque, essas coisas que Deus preparou para os que O amam, jamais penetraram no coração do homem, nunca foram vistas nem ouvidas, e só o Espírito Santo é que as revelam aos Seus discípulos que formam o “Pequeno rebanho” (1Cor.2:9,10).
“Para quem iremos nós? Nós temos crido que Tu és o Cristo e tens as palavras da vida eterna”. Para quem iremos? Aqui está a pergunta que se levanta em todas as gerações dos filhos dos homens, quando o Senhor se revela ou manifesta à Suas igrejas. Senão para aquele que Deus santificou e enviou no mundo com a unção do Verdadeiro. Esse ungido é que tem as palavras da vida eterna para os homens da sua geração. “Onde estiver o corpo – o tabernáculo temporal da Palavra – ali se juntarão as águias”. As verdadeiras águias são uma representação dos que confiam no Senhor e não depositam sua fé nos homens (Is.40:30). Esses se alimentam do maná escondido dado no tempo oportuno e voam para as alturas, no esconderijo da Rocha Eterna, seu refúgio e morada; o abrigo para sua fé.
“Também te digo que tu és Pedro (PETRUS), sobre esta pedra (PETRA) edificarei a minha Igreja (EKLESIA), e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.
Não foi Pedro o homem que recebeu a revelação do Deus vivo do próprio Pai que está nos céus, e a transmitiu à outros na sua geração? Todavia, em nenhum momento Jesus teria dito, afirmado ou prometido de edificar a “Assembleia”, essa EKLESIA que Ele chamou fora do mundo, sobre o “PETRUS”, mas sim sobre a “Petra”. A “Petra” sobre a qual é edificada a verdadeira Igreja do Cristo é esta revelação dada ao seu tempo, e que constitui a Pedra basilar na obra da edificação da Sua igreja na e no conhecimento perfeito dAquele que é o Verdadeiro Autor e Consumidor da nossa Salvação. JESUS CRISTO REVELADO EM TODAS AS GERAÇÕES que caracterizam a dispensação da Igreja das nações: aqui está o fundamento da verdade para a edificação de um templo espiritual para Deus.
Contudo, nessas setes idades respectivas, duas sementes andaram lado ao lado dentro da igreja. E tal o trigo no meio do joio, a verdadeira semente se manteve de pé nesta revelação que era rejeitada pelos edificadores das denominações que surgiram ao longo dessas épocas todas. Sinagogas que reagruparam ao longo desses tempos, a falsa semente composta por esses filhos do maligno que se esconde no meio dos filhos do reino e transtornam o Evangelho do Cristo e os caminhos do Senhor. Dificultando sobremaneira a obra da edificação do “Pequeno rebanho” pelos verdadeiros ungidos.
 A falsa semente, abundante e representativa da “igreja da multidão” ao contrário da verdadeira, se edifica quanto à ela, não sobre a “Petra”, mas sim sobre o “Petrus”: o portador da revelação numa determinada geração. Tirando glória dos homens portadores de dons inefáveis de Deus, e não do próprio Deus que faz os dons. Dessa falsa semente emergem falatórios inúteis e profanos, que se desviam da verdade e pervertem a fé de muitos, numa linguagem que se baseia em fábulas, genealogias e cultos de personalidade em honra desses “Petrus” à quem Deus por algum tempo Se tinha revelado para alumiar com o seu testemunho, os homens das suas respectivas gerações. A linguagem desses obreiros fraudulentos não se apoia na revelação da Palavra de Deus que é segundo as Escrituras, mas sim nas interpretações particulares do que foi feito pelo passado. Levantando nos seus discursos, questões insensatas e absurdos que só geram contendas, ao invés de avançar a obra de Deus na fé. Todavia: O fundamento de Deus através as setes idades da Igreja permaneceu firme. Sendo selado por estas palavras: “Deus conhece os que Lhe pertencem”; e ainda: Aparte-se da iniquidade todo aquele que professa o Nome do Senhor” (2Tim.2:18,19). Se apesar do antagonismo da falsa semente, a verdadeira permaneceu firme no fundamento. Pois, nem a grande apostasia dominante que levava as multidões nas portas do inferno nas respectivas eras, podia prevalecer sobre eles. Hoje, compreendo porque que a Palavra de Deus me foi, à mim também, dirigida nesse dia do fim nestes termos: “Acontece o que acontecer, PERMANECE NO FUNDAMENTO” . É ASSIM DIZ O SENHOR! Não havendo profecia, o povo se corrompe! A honra é para os que crêem!
         Mas, de mesmo modo que, quando Israel foi chamado fora do Egipto (a EKLESIA ou Assembleia no deserto), uma mistura de gente (o vulgo) saiu juntamente com o povo eleito (Ex.12: 38; Nu.11: 4); assim essa verdade que nos é feita aqui em figura, se verifica também para nós.
Ao ponto que a IGREJA do que se trata na profecia, à quem o Senhor se dirige nas Suas mensagens, representa todos esses que, independentemente das religiões ou denominações, crenças, dogmas, ritos, credos, etc. se reclamam de Jesus, o Cristo. Tal como Eva – e não Adão – era a mãe de todos os viventes; tendo saído das suas entranhas, o religioso e o crente; o falso e o verdadeiro adorador representados por Caim e Abel; a Igreja – a Eva espiritual, esposa do segundo Adão – é também a mão de todos os adoradores: os verdadeiros como os falsos.
 Aqui se verifica também essa realidade: de Abraão saiu dois tipos de crente: Ismael, o filho nascido segundo a vontade da carne; que se envaideceu e, vivendo na ilusão de herdar as promessas, e na presunção de ser o que não era na verdade, persegui e afligiu o verdadeiro herdeiro: Isaque, o filho nascido segundo a promessa. Mais tarde, do próprio Isaque saiu o profano Esaú, que desprezou a herança divino por causa de um manjar – sendo apaixonado pelas coisas materiais e temporais –, e Jacó, o visionário que, pela fé, desejou as coisas invisíveis que são eternas. Hoje, na Igreja de Cristo, o Senhor nos revela à través da “parábola do joio e do trigo“, a existência de duas sementes aparentemente idênticas, mas que, na verdade, não tem nada em comum. Apesar de evoluir juntos, à se confundir. Dois espíritos diferentes em acção: O Espírito Santo, que dá crescimento ao trigo que representa os filhos do reino, a verdadeira vide que forma o Corpo do Cristo; e o espírito anti-cristo que sustenta o joio, característico da falsa semente que dá vida à esses filhos do maligno abundantes no nosso meio.
Entretanto, todas elas pretendem conhecer à Deus e servir o Seu Cristo. Todas elas profetizam, expulsam demónios, fazem milagres em nome de Jesus, jejuam, vigiam, crêem no baptismo de água e do Espírito Santo, nos dons espirituais, etc. Todas elas acreditam em algumas verdades que lhes unem e se dividem em outras. Todas elas crescem junto no mesmo campo (aqui representado pela Igreja). Quando porém é chegada a maturidade, cada uma dela manifesta pelos seus frutos, a natureza dessa semente portador da vida que lhes animam. O joio, apesar de todo o seu esforço, não pode destruir o trigo. O trigo também, apesar de toda a sua compaixão e boa vontade, nunca poderá levar o joio no arrependimento.
 No fim dos séculos, o joio amadurece pela APOSTASIA, indo de mal para o pior. O espírito anticristo leva essa semente na rejeição total da Verdade da Palavra de Deus e na rebelião contra O Cristo. Assistimos pois, no maior ajuntamento religioso de todos os tempos que se anuncia pelo ecumenismo dominante em várias tendências de agrupamento das denominações: em reuniões, concílios, convenções e conferências anti-palavra. Que rejeita o Conselho de Deus e leva as almas dos seguidores na perdição. O joio está à ser assim atado em molhos, pronto para ser queimado!
Do seu lado, o trigo amadurece pela RESTAURAÇÃO; chega na unidade da fé e no conhecimento perfeito do Filho de Deus, e é transformado de glória em glória, na mesma imagem, pelo Evangelho da Verdade. Aqui, assistimos à um fenómeno contrário: os verdadeiros adoradores, filhos nascidos segundo a promessa do dia de que são herdeiros, escutam a Voz do Bom Pastor e abandonam os “acampamentos” das denominações e outras organizações religiosas. Pois acontece que nesses agrupamentos também: “Toda a carne corrompeu o seu caminho na terra”.