A polémica em torno do consumo do álcool e as más interpretações das escrituras

 

Tinha acabado de escrever a pregação sobre a Páscoa, quando o Espírito Santo me constrangeu à falar sobre o “vinho na Bíblia”. Sobretudo porque a pregação de hoje também toca a Ceia do Senhor e o cálice que Ele bebeu com Seus discípulos.
Cumpro o dever hoje, em transmitir o que me foi dado pelo Espírito para o Seu povo. Pois, o meu Evangelho tem como alvo: aqueles que são de Deus e querem fazer a Sua vontade; os que são chamados a preparar-se para o arrebatamento que se aproxima. Pois, jamais me esquecerei que no início de tudo isso, Ele disse-me: "Vá dizer a Meu povo…".
Mas, quando tentei saber o que outros pregadores diziam também sobre este tema (ao pesquisar na web por exemplo), fiquei surpreendido com o impressionante número de sermões tocando o “vinho na Bíblia”. Sobretudo pelo carácter contraditório e controverso, dumas em relação à outras, por parte de pregadores que se acusam mutuamente de falta de conhecimento ou entendimento. Eu entendi que havia vários correntes que se subdividem em três principais tendências: os sem álcool”; ou seja, aqueles que são contra o consumo de álcool pelos cristãos e defendem a sua abstinência; depois há aqueles que defendem o consumo moderado do álcool e, finalmente, os liberais que, eles, defendem que o consumo de álcool não é proibido na lei de Deus e não tem nada a ver com a salvação da alma; porque o próprio Jesus teria bebido álcool com os pecadores; Seus discípulos também.
Seja como for, eu não tenho nada a ver com esta controvérsia. Detesto a polémica, porque esta pode questionar, inquirir e controverter tudo aquilo que faz o fundamento da nossa fé. Eis que a própria Bíblia nos ensina que, no tocante aos ensinamentos contidos na doutrina: há sempre aqueles que pensam "de outra forma". Sem contar com os que "contestam" ou "ignoram" essa doutrina dada pelo Cristo à Sua Igreja pela revelação do Espírito Santo. Todos esses (penso eu) não devem ser obrigados à obedecer às coisas que eles não recebem ainda por não as entender. Pelo contrário, persistimos em ensinar a Verdade; confiando em Deus para lhes dar o entendimento à seu próprio tempo, e lhes libertar do espírito do erro no dia da visitação divina. Porque, importa que cada um de nós faça a sua própria experiência de salvação com O próprio Cristo; e seja ensinado por Deus para conhecer, compreender e aceitar a Verdade ensinada pelo Espírito. É por isso que foi dito em Fil.3: 15.16, o seguinte:
“15 Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos este sentimento; e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus também vo-lo revelará.16 Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos”.
No entanto, são esses ensinamentos (particularmente daqueles que se dizem liberais) que dividem a Igreja. E, em vez de ajudar os santos a progredir rumo à perfeição (que ainda não atingimos, mas nos esforçando ainda para isso); eles, pelo contrário, apregoam a tolerância do pecado pela aceitação das obras infrutuosas das trevas. Mas, ainda que essas pessoas apregoam a libertinagem, não devemos nos esquecer de que vivemos os dias em que as pessoas não suportam a sã doutrina; estando pelo contrário em busca dos "doutores" que ensinam as coisas que eles bem querem ouvir (2Tim.4: 3):
“ Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos”
Agora, a controvérsia ou polémica é perigosa e perversa, sobretudo pela sua capacidade de tudo pôr em causa: o uso do véu pelas mulheres durante a oração, o exercício do episcopado da Igreja por mulheres; o atavio e vestuário da mulher, o baptismo, e outros princípios doutrinais mais… Por causa da polémica, o casamento é questionada, a homossexualidade torna-se tema de discussão e debate no cristianismo, etc. É por isso que eu detesto e fico longe da polémica. Estou ciente de que somos um povo à parte. O Senhor Jesus disse: "Eles estão no mundo, mas eles não são deste mundo." E a escritura de Romanos 12: 2 nos exorta a não nos conformarmos com este mundo. É pensando nisso que dirijo esta pregação aos eleitos de Deus; chamados para a santificação do corpo, alma e espírito.
Argumentando cada um de acordo com sua inclinação, cada tendência ergue as suas próprias teses e a polémica abrasa. Mas em todas estas coisas, notei isto: estes argumentos são fundamentados em ensaios filosóficos, históricos e religiosos; mas, não se levou em consideração o que ensina o Espírito Santo sobre esta matéria. Ora, toda ou qualquer abordagem de qualquer ponto doutrinário que seja, do ponto de vista meramente humano, nos levará inevitavelmente à aprovação do erro... o triunfo das heresias. Ainda que tenhamos os textos bíblicos como apoio e referências para tais argumentações! Pois, não podemos nos esquecer do que está escrito: “a letra mata, o Espírito é quem vivifica”. Ora, nós somos ministros do Evangelho pelo Espírito, e não segundo a letra ou a carne. Por mais instruído, ensinado, habilitado ou formado que seja, um homem não pode pela sua inteligência perceber as coisas de Deus. O motivo é simples e notório: a Palavra de Deus não faz parte de ciências humanas. E, as coisas relacionadas com a doutrina de Deus são espirituais e se percebem espiritualmente.
Um exemplo claro entre muitos outros: todas as vezes que os homens foram chamados a se pronunciar sobre o casamento homossexual, tendo por fundamento os direitos do homem e não a Palavra de Deus: a vitória do “sim” sobre o “não” foi inevitável. A mesma coisa acontecerá se qualquer preceito da doutrina de Cristo for confrontado com as ciências humanas ou uma doutrina ensinada pela religião dos homens: a vontade dos homens prevalecerá sobre a vontade de Deus. Entendem agora o que quero dizer? E não me venha dizer que “a voz do povo é a voz de Deus”. Pois isso é filosofia antiga. E, nenhum homem honesto cai nessa. 
            Não é pois verdade, afirmar que a lei de Deus não proíbe bebidas alcoólicas só porque Noé (homem de Deus) bebeu e embebedou-se, e Ló também. Mas o que lhes aconteceu é uma prova irrefutável de que, todos eles eram da mesma natureza como nós; como também o diz uma outra escritura acerca do profeta Elias (Tg.5: 17). E, quem diz "natureza" fala da carne com todas as suas fraquezas. No entanto, é daqui onde nascem as paixões e desejos do pecado. E, não nos esquecemos que é somente pela graça de Deus que Noé foi salvo (Gen.6: 8)... e também Ló, parente de Abraão (Gen.19: 29). O que diríamos então? Bebemos e embebedemo-nos, tais como Noé e Ló, porque estamos debaixo da graça nós também? De modo nenhum!
E, já que nos apegamos nas justificações e desculpas, porque não mataríamos nós também os maridos das outras, para ficarmos com as mulheres deles como o fez David, por exemplo? Ou, diremos que Deus não pune a idolatria, só porque Salomão, o rei à quem deu inteligência, sabedoria e riqueza, seguiu outros deuses no tempo da sua velhice? Pois, é aí onde poderá nos levar tal lógica: na imitação dos erros evidentes cometidos por servos de Deus pelo passado. Contudo, a Bíblia diz:
“ para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores dos que pela FÉ e PACIÊNCIA herdam as promessas.” (Heb.6.12)
e paciência. Eis pois o que devemos imitar nos homens de Deus. Não os imitemos pois nas coisas em que tropeçaram. Lembrando-nos sempre que foram homens da mesma natureza que nós. E que, como homem, todos tropeçamos em muitas coisas; como está escrito (Ja.3:2).
            Para aqueles que compreendem a linguagem de Deus, o fermento na lei é apenas uma figura daquilo que estimula, emula e fomenta o pecado; como a coisa nos é confirmada na plenitude dos tempos (Mat.16: 11,12; Mc.8: 15-18; Lc.12: 1; 1Cor.5: 6-8; Gal.5: 9). Sendo assim, como é que um pregador pelo Espírito de Deus pode ensinar e insinuar que as bebidas fermentadas não são proibidas na Lei de Deus? E, pior ainda, afirmar que Deus incentiva, em algumas circunstâncias, as pessoas a consumir bebidas alcoólicas.
Nós sabemos que a lei foi dada justamente por causa da transgressão. Transgressão de quê? Da Palavra de Deus. Por quem? Pelos filhos de Israel, claro. Não erreis pois em pensar que, se houver uma prática que caracterizava os filhos de Israel (como o consumo de bebidas fermentadas e alcoólicas), essa deve ser necessariamente boa e aprovada por Deus. Não! Contra a tendência da "judaização" daqueles que, por Deus, foram chamados entre as nações, queremos lembrar o que diz a escritura de Rom.9: 6-8:
“6 Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; 7 nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. 8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência.”
         Eu sinceramente acredito, como afirmou o Senhor Jesus Cristo, que "a salvação vem dos judeus." Sim! Mas apenas no que diz respeito à adopção dos filhos, a glória, as alianças, a lei, o culto do Verdadeiro Deus, as promessas, os patriarcas e, o Cristo que, segundo a carne, procede deles (Rom.9: 5). Não no que toca a natureza deles: hábitos, tradições e costumes. Pois, é justamente por causa disso que eles rejeitaram a Cristo, e caíram no endurecimento (Mat.15: 3-9; Mc.7: 6-13; Rom.9: 27,29-32; 10: 19,21). Portanto, não consomem bebidas alcoolizadas e fermentadas, sob o pretexto de que os judeus ou hebreus bebiam e que Deus consentiu ou permitiu isso. Antes, lembrai-vos que, entre eles, haviam homens piedosos, mas também ímpios em maior número. Aí está!

********************************