O povo de Deus e o consumo do vinho e bebidas alcoólicas

Assim diz o Senhor: “O meu povo está sendo destruído porque lhe faltou o conhecimento…”
Tendo tacteado muito, e com clara intenção de restaurar a Verdade bíblica, achei por bem na pregação de hoje, levar a igreja numa meditação mais aprofundada sobre esta matéria; em busca do verdadeiro significado desta bebida que chamamos hoje “vinho”, na sua linguagem original: a linguagem da Bíblia.
É bem verdade que a percepção que o mundo de hoje (e sobretudo pagão) se faz do vinho, não é a mesma concepção dos povos antigos que caracterizam os tempos bíblicos. E não é preciso ter muito conhecimento, nem das escrituras, nem das técnicas de fabricação do vinho hoje, sua composição e tudo… para concluir que o vinho dos tempos modernos ou da época contemporânea é bem diferente daquele vinho dos tempos bíblicos.
Na língua hebraica em que foi escrita originalmente o Antigo Testamento, existem duas palavras que foram traduzidas por “vinho”: O yayim (outros escrevem: yayin) que indica vários tipos de vinho ou suco de uvas fermentado e não-fermentado. Ora, este suco das uvas fermentado como o consumido por Noé (Gen.9:20,21), Ló (Gen.19:32-35) ou Nabal (1Sam.25:36,37), é o proibido por Deus; pois transforma-se em álcool e torna-se num vinho que embriaga (Lev.10:9; Num.6:3; Jui.13:4: 1Sam.1:14, Prov.20:1; 23:20; Is.5:11,22; 28:7, etc.). Mais, encontramos também na Bíblia, o mesmo termo “yayim” citado pelo profeta Jeremias (Lam.2:11,12) que se refere aqui ao “vinho”, como alimento para meninos e crianças do peito. Pelo que neste caso, o “yayim” não poderá ser um vinho que embebeda; mas sim o suco de uvas puro e não fermentado.
É verdade que o consumo deste “vinho” era comum nas refeições dos filhos de Israel e de outros povos de antiguidade. Todavia, estudos comprovam que os judeus piedosos (por causa da proibição da Palavra de Deus) não bebiam o “yayim” fermentado. Antes, o adicionavam com água e outros líquidos para o tornar fraco.
Ao contrário de “yayim” que identifica vinho fermentado ou não; a outra palavra é “Tirosh”, e significa “vinho novo”, “suco das uvas fresco” não-fermentado ou “suco doce de uvas recém-colhidas”. O “Tirosh jamais se refere ao vinho fermentado; ao exemplo do que é consumido hoje. Utilizada 38 vezes no Antigo Testamento, o “tirosh inclui todos os tipos de sucos doces e mostos, cujo consumo não era proibido por Deus. Em Is.65:8 por exemplo, podemos ler:
“Assim diz o Senhor: Como quando se acha mosto (tirosh) num cacho de uvas, e se diz: Não o desperdices, pois HÁ BÊNÇÃO NELE; assim farei por amor de meus servos, para que eu não os destrua a todos.”
No novo testamento traduzido do grego, a palavra traduzida por vinho é “oinos”; que mais tarde daria “Vinum”, quando a Bíblia foi traduzida em Latim. E “oinos” como “yayim” identificam quer o vinho fermentado, quer não. Compreendemos pois que, se tivermos que permanecer fiéis no Espírito das Escrituras, há que marcar esta diferença nítida que existe entre os “vinhos” na Bíblia, cujo consumo Deus não negou ao Seu povo (por se tratar na verdade de mostos e sucos de uvas não fermentados), dos vinhos alcoolizados e fermentados proibidos sim pela Palavra de Deus. São, no entanto, estes últimos que são produzidos, comercializados e consumidos em grande escala no mundo de hoje.
Agora, muitos são os que por falta de entendimento e ganho pelo gozo do vício, encontraram nesta mesma Bíblia, desculpas e pretextos para se embriagarem de vinho. E, dos argumentos mais alegados, sublinhamos: o milagre operado por Jesus nas bodas de Caná (Jo.2:3-10; 4:46); a recomendação de Paulo ao Timóteo (1Tim.5:23); e também, o vinho tomado pelo Senhor na ceia da última Páscoa com os Seus discípulos (Mat.26:27-29; Mc.14:23-25; Lc.22:17,18). Foi isso que sugeriu a desculpa dos que bebem e embebedam-se com vinho, argumentando o “sangue do Cristo”.
Vejamos isso de perto hoje, argumento por argumento:

 
Como já o dissemos aqui, os judeus nas suas refeições não consumiam o vinho fermentado puro; mais sim o suco das uvas ou mosto (o vinho bom). E, quando se deparavam com o vinho fermentado puro, o enfraqueciam com água e outros líquidos. Este tornava-se num vinho inferior em qualidade.
Dou-vos dois argumentos que confundem os que defendem o consumo do vinho fermentado hoje; pretextando o milagre de Jesus que transformou água em vinho no casamento em Caná.
Primeiro: o facto de que este milagre, tendo sido instantâneo, não daria nenhuma possibilidade a que a fermentação deste vinho fosse possível. Pois, todos sabemos que a fermentação é um processo lento. E o açúcar do suco das uvas precisa de tempo para se converter em álcool e em dióxido de carbono. Pelo que, não tenho medo de errar quando afirmo: o Senhor Jesus não transformou aquela água em bebida alcoólica ou vinho que embriaga. Não, meus senhores!
Segundo: e para confirmar o primeiro argumento, temos o próprio comentário do mestre-sala ao noivo: “Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora O BOM VINHO.” Pois que? O milagre de Jesus produziu, como o confirma o mestre-sala o “tirosh” (vinho bom) ou o “yayim” (se quereis), desde que seja traduzido neste caso, como não-fermentado ou não-alcoolizado. Pois no entender dos judeus piedosos, o “bom vinho” é aquilo que hoje ainda chamamos de “suco de uvas integral ou puro”. O mosto que se acha num cacho de uvas (Is.65:8). Porém, o “tirosh” ou o “yayim” não-fermentado. Pois, quando este mesmo mosto começava à fermentar e se transformar em álcool, ele baixava em qualidade. Insisto em recordar que, quando se tratava do vinho fermentado, e segundo o costumo dos judeus, este devia ser enfraquecido com água ou outros líquidos para não embriagar os convidados. Este processo tornava a bebida (como já o dissemos) inferior em termo de qualidade. Ora, de acordo com o testemunho do mestre-sala (que parece ser um bom entendedor nesta matéria), o milagre de Jesus não produziu este “vinho inferior”, mas sim o bom. Aqui está pois a verdade que quero clamar alto e bom som: no casamento de Caná, o milagre de Jesus não produziu um “vinho” alcoolizado ou fermentado; mas sim o suco das uvas puro; o mosto ou “vinho novo” sem teor etílico. Pois Jesus, jamais embriagaria esses homens, contra a vontade de Deus.   

 

Seria também irracional que o mesmo apóstolo Paulo que muitas vezes acautelou os crentes do consumo do vinho que embebeda, venha contradizer-se ao recomendar o contrário ao Timóteo. Na verdade, a “terapia do suco de uvas integral” que o apóstolo Paulo recomendou a Timóteo “por causa do seu estomago” é hoje comprovado pela ciência.
Aqui está o ponto de vista de especialistas na matéria de saúde:
“Tomar vinho é maravilhoso, mas em questão de benefícios para saúde, o suco de uva integral é mais eficaz. O resveratrol, por exemplo, age diminuindo a viscosidade do sangue e prevenindo, assim, a formação de coágulos capazes de levar a problemas cardíacos sérios. Um estudo com ratos de laboratório da Universidade de Michigan, nos EUA, mostrou que os fitoquímicos presentes na fruta têm potencial para reduzir danos ao músculo cardíaco. Também vale lembrar que a uva é fonte de vitamina C e dos minerais ferro e potássio, portanto combate o envelhecimento precoce, e tem uma óptima quantidade de fibras, que contribuem para o bom funcionamento do intestino.
Os benefícios da ingestão diária de 400 ml desse tipo de suco rico em Polifenóis e Antioxidantes que qualquer outro suco, são:

Para quem não pode ingerir bebidas alcoólicas como o vinho tinto, que possui as mesmas propriedades, o suco de uva integral faz o mesmo efeito, e com dois benefícios a mais, um é que não contem calorias, e o outro, é que não produz os efeitos da bebida alcoólica. A quantidade necessária para fazer trazer benefícios à saúde, é um copo de 200 ml por dia, sem colocar açúcar.”
Estudos realizados na universidade de Wisconsin nos EUA, demonstraram que 15 pacientes com problemas de entupimento de artérias, e que foram submetidos a tomar um copo de suco de uva integral por 14 dias, reduziram os níveis de entupimento das artérias, esses exames que foram feitos por imagens de ultra-sonografia e indicarão que o sangue tinha fluido mais livremente pelas artérias, demonstrando a eficácia em se tomar suco de uva integral. (Fonte: Revistawomenshealth.abril.com.br - Suco de Uva Integral Benefícios à Saúde)
 “O suco da uva roxa e vermelha escura é rico em substâncias antioxidante, que conserva o organismo contra as doenças. Seus nutrientes ainda reduzem o risco de doenças cardiovasculares, pois dilata os vasos sanguíneos contribuindo para a boa circulação do sangue. Contém carboidratos, vitamina A, B6, C, potássio, cálcio, fósforo, ácido glutâmico, ferro e sódio.
Quando consumido em pequenas quantidades fica mais apurado o sabor excêntrico e os resultados energéticos são mais eficazes.” (Fonte: www.superbom.com.br)
Ainda segundo os mesmos estudos: “O suco  de uva por não conter álcool pode ser consumido pela maioria das pessoas, inclusive crianças pelo seu valor nutricional”.
 Isto comprova o que dissemos referente a escritura de Lam.2:11,12; onde o profeta Jeremias faz referência a este suco das uvas (traduzido hoje: “vinho”) como alimento para as crianças de peito.
A insistência pelos médicos e pesquisadores no consumo de pequenas quantidades confirma a “receita terapêutica” que o apóstolo Paulo deu ao Timóteo para curar as suas frequentes dores de estômago. Pelo que, esta “receita médica” de Paulo não pode, de modo nenhum, transformar-se numa permissão para os que, hoje, se embriagam com vinho fermentado ou alcoolizado. Tendo em conta que se trata de duas coisas diferentes: o suco de uvas integral e o vinho fermentado ou alcoolizado. O primeiro fazia parte das refeições dos povos antigos; enquanto o segundo que embriaga era, e continua à ser proibido pela Palavra de Deus aos homens que querem fazer a Sua vontade; como já o comprovamos com algumas passagens das Escrituras. Ora vejamos… Está mais que provado nas escrituras que muitas vezes este “vinho” acompanhava o pão na mesa dos judeus (Gen.14:18; Jui.19:19; 1Sam.10,3; 16:20; 1Cron.12:40; Nee.5:15; Sal.104:15; Prov.9:5; Ecl.9:7; Lc.7:33, etc.). Mas, quem é pois o insensato que come o pão acompanhado com um vinho alcoolizado ou fermentado? Porque na verdade, os judeus tinham o hábito de comer o pão acompanhado com o mosto ou suco das uvas.
Podemos então concluir que, os benefícios da uva na prevenção de doenças e no bom funcionamento do organismo como é confirmado pelos especialistas na matéria de saúde hoje, eram já conhecidos pelos povos antigos. É só assim que se explica a recomendação de 1Tim.5:23. E também, a escritura de Is.65:8 que afirma que “há bênção no mosto(tirosh) que se acha num cacho de uvas
Aqui está o verdadeiro problema: na linguagem antiga da Bíblia (o hebreu), utilizava-se “yayim” para identificar todos tipos de sucos das uvas (os que embriagavam como não) dependendo do uso e das circunstâncias; e “tirosh” exclusivamente para o mosto e suco integral de uvas. Hoje, porém, as traduções destas duas palavras nas nossas linguagens modernas, com forte influência greco-romana uniram o sentido das duas numa só: vinho. Refiro-me à influência greco-romana, pois sabemos que o Novo Testamento inicialmente escrito em grego, começou por juntar “yayim” e “tirosh” em uma só palavra “Oinos” que mais tarde; com a tradução latina da Bíblia foi traduzida “Vinus” que significa: “vinho feito de uvas”, ou “vinho frutado” (ver dicionários e léxicos de Latim). É assim que passará à ser identificada doravante esta mesma bebida, quer alcoolizada ou fermentada, quer não.
 Daí a confusão que persiste até hoje na mente da maioria que lê a Bíblia em línguas derivadas do Latim. E quem conhece a forte influência que a Grécia e Roma tiveram sobre toda a civilização ocidental que domina o mundo hoje, pode compreender a origem de muitas interpretações particulares que adulteraram (e de que maneira!) a compreensão de muitas verdades das Escrituras no Antigo e no Novo Testamento. Hoje por exemplo, com o andar dos séculos, a palavra “vinho” ganhou uma nova interpretação, e passou à ser definido como: bebida alcoólica resultante da fermentação da uva sob efeito de certas leveduras”. E, isto não era a concepção dos povos antigos, e dos judeus em particular.
Consideramos num instante a Escritura de Ecl.9:7,8; está escrito:
“Vai, pois, come com alegria o teu pão, e bebe o teu vinho com coração contente; pois há muito que Deus se agrada das tuas obras. Sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.”
Vemos pois aqui, o “vinho” mais uma vez associado ao pão na refeição de um homem com que Deus se agrada. Agora seria uma loucura que de confundir esta bebida traduzida por “vinho” do que é questão aqui, com os vinhos alcoolizados ou fermentados de hoje. O que seria uma tremenda contradição, só de saber que o próprio Deus que proíbe o consumo dessas bebidas, venha se agradar e até encorajar, como nesta escritura, alguém do Seu agrado a transgredir Seu próprio preceito. Trata-se na verdade de suco ou mosto que se acha num cacho das uvas. Aquele que segundo Is.65:8: não pode ser desperdiçado por quem o ache, por haver bênção nele. Notem que está dito: come o pão e bebe o “vinho”, mas “sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.”. Todos nós sabemos que as vestes alvas representam “as obras justas dos santos” (Apoc.19:8), enquanto o óleo sobre a cabeça: a unção (Ex.29:7). O versículo 8 desmente pois os que querem interpretar o versículo 7 como se falasse acerca do vinho que embriaga ou embebeda. Porque, neste último vinho há devassidão, como advertiu o apóstolo Paulo em Ef.5:18. E, ninguém pode se embriagar e produzir ao mesmo tempo “obras justas dos santos” (mais uma vez os exemplos de Noé e Ló são expressivos), isso é de um. De dois, a bebedeira e a unção são duas coisas que se contestam. Por isso Paulo disse: “não vos embriagueis do vinho… mas enchei-vos do Espírito Santo”. “Mas” é uma conjunção que serve geralmente marcar uma oposição ou uma diferença. Querendo o apóstolo Paulo demostrar que, ninguém pode se embriagar com o vinho e ao mesmo tempo estar cheio do Espírito Santo. É uma coisa contra a outra; uma coisa diferente da outra, mas NUNCA as duas concordando juntamente. Vemos pois, mais uma vez, que toda confusão reina em torno da evolução linguística que acabou por dar um outro sentido (bem diferente do original) à esta bebida que, antigamente foi conhecida como “suco das uvas” e que hoje traduz-se “vinho”; para o tropeço de muitos que são destruídos por falta de conhecimento.     
Queria aqui dirigir uma palavra aos que encontraram justificativo para o “consumo do vinho”, nas palavras do apóstolo Paulo.
Sim, algumas dessas pessoas dizem que a Bíblia não proíbe o consumo do vinho; e que este deve ser antes ingerido “moderadamente” ou com pouco teor de álcool. Por causa disto, hoje na Igreja, muitos são os que depois de ter sido libertados, caíram de novo no vício do consumo de álcool; para que se cumpra o que está escrito (2Pe.2 :22). Sim, hoje muitos são os que se embriagam como aconteceu com Noé, Ló e Nabal, entre muitos outros; como já o evocamos aqui. Pois entre o suco doce de uvas (o bom vinho) e o vinho alcoolizado pela fermentação, poucos são os que conseguem distinguir a linha de desmarcação por causa deste vício. É disso que o apóstolo do Senhor acautelava.
Mas, que me seja permitido de insistir mais uma vez que a preparação do “vinho antigo”: “tirosh” ou então “yayim” ou “oinos” não-fermentado, não tem nada em comum com os métodos actuais de preparação desta bebida que hoje chamamos “vinho”; e que se distinguem sobretudo pelo seu teor etílico.
 E bem verdade que o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos bispos, diáconos (1Tim.3:3,8; Ti.1:7) e às mulheres idosas (Ti.2:3), apela contra o excesso do consumo do “vinho”, nestes termos: “não dado a vinho” ou “não dado à muito vinho”. Isto sim, foi o pretexto para muitos cristãos recorrer ao tal dito “consumo moderado” do vinho ou do álcool.
Todavia, a luz de tudo o que já foi dito aqui, faço questão de enfatizar mais uma vez que, embora seja notório o hábito dos povos antigos de associar o consumo de “suco de uvas” traduzido por “vinho” às suas refeições (pão e vinho); no entanto, todos aqueles que temiam Deus e eram chamados ao Seu serviço limitavam-se aos sucos não fermentados das uvas; sendo não alcoolizado e que não embebedavam. Senão vejamos, a Bíblia disse que o próprio Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho à Abrão (Gen.14:18). Longe de vós pensar que, este sumo-sacerdote à ordem de quem o Senhor Jesus pertence, fosse capaz de oferecer à Abrão uma bebida alcoolizada. NUNCA!  
E mesmo assim… isto é: apesar de consumir este suco das uvas não fermentado e que não continha álcool, Paulo acautelava contra o hábito do seu consumo que, sendo excessivo, podia causar derrapagem por causa de vício. Por isso ele especificou na escritura de Ef.5:18, o seguinte: “E não vos embriagueis com vinho, NO QUAL HÁ DEVASSIDÃO…”. Todo aquele que, com inteligência, lê esta escritura; discerne a coisa mais importante que Paulo revelou-nos aqui: no vinho há devassidão. Isto quer dizer que todo aquele que se inclinar em demasia no consumo do fruto da videira pode cair na corrupção, na perversão, na dissolução ou devassidão. Tal como aconteceu com Noé, Ló, Nabal; para citar mais uma vez esses exemplos claros das escrituras. Já pensaram no facto de que mesmo este bom vinho (o suco de uvas) quando o temos em boa quantidade e o guardamos tempo à mais ou o conservamos mal pode por si só fermentar, e modificar o açúcar nele contido em álcool etílico; transformando-se deste modo numa bebida que embebeda? Imagine que a fermentação de 500g de açúcar (glucose) pode produzir até 255 g de álcool etílico… Por isso, pregou-se a moderação mesmo no consumo do “bom vinho”: o suco ou o mosto. E, lembrar também que as escrituras nos apelam à moderação não só no beber, mas também no comer; evitando a glutonaria e excesso de mesa (Lc.21:34; Rom.13:13; Gal.5:21; 1Pe.4:3).
E, todo o resto é uma questão de linguagem utilizada na época deles e hoje. Pois: “Não vos embriagueis com vinho” não pode ser traduzido: “Bebem vinho com moderação”; mas sim: “Não vos alcoolizeis com vinho”. Eis o que diz o dicionário actualmente:

  Ficou pois claro que a Bíblia nunca aconselhou o consumo moderado de qualquer bebida alcoólica que seja. Mas, antes advertiu (como em Ef.5:18) que há devassidão no vinho que embriaga ou que embebeda. Ora, o perigo não está no suco puro das uvas, mas sim no álcool que ele produz, e que lhe torna alcoólico. A consumação de tal bebida pode produzir efeitos indesejáveis, mesmo num homem que teme à Deus, como foi o caso de Noé ou de Ló. E o nível de exposição ao consumo deste álcool do vinho, num individuo, depende também e sobretudo do grau do álcool contido nestas bebidas (vinhos e também cervejas) alcoolizadas. E o seu consumo leva o individuo na devassidão que é pecado.
Resumindo e concluindo: a Palavra de Deus nos acautela contra esses vinhos que são consumidos hoje “em nome de Deus” por todos aqueles que buscam pretexto na Bíblia, para tentar justificar uma prática que é claramente reprovado por Deus à intenção de todos os que O temem, desde o Antigo Testamento até hoje.
Pelo que na sua exortação, o apóstolo Paulo disse: “Enchei-vos do Espírito Santo”. “Encher-se” é definido como “fartar-se”, “saciar-se”, “satisfazer-se”, etc. Isso quer dizer: ao invés de vos fartar desses vinhos fermentados e alcoolizados que embriagam, saciai-vos ou satisfazei-vos com o Espírito Santo que produz também efeitos estimulantes para a justiça de Deus; enquanto o álcool estimula no pecado.   
Hoje, muitos são os que nos meios religiosos que se apoiam na Bíblia, exibem o “vinho” ou “cerveja sem álcool” como uma alternativa para os que querem continuar no consumo dessas bebidas; sem, no entanto, correr o risco de se embriagar. Mas, a verdade revela que, quer seja a tal dita “cerveja sem álcool” ou o “vinho sem álcool” (ainda apelidados “cerveja leve” ou “vinho leve”), são na verdade bebidas misturadas, fermentadas e levedadas.
Um fabricante deste “vinho sem álcool” no Brasil (cujo nome omitimos voluntariamente aqui) revela que suas bebidas: “são produzidas por meio de fermentação da uva, ao contrário do suco, que são uvas cozidas e adoçadas”; e que “uma dose deste vinho sem álcool seria o equivalente de consumo de 4 copos de suco de uva ou 1  e 1/2 de vinho tinto com álcool”.
Da “cerveja sem álcool” li o seguinte comentário de especialistas na matéria:
“A cerveja sem álcool é uma bebida fermentada elaborada com os mesmos ingredientes naturais que uma cerveja tradicional: água, malte, lúpulo e levedura. Única diferença? Foi-lhe retirado parcialmente ou na totalidade o álcool.”
(Fonte: http://www.cervezaysalud.es)
Pelo que podemos chegar a seguinte conclusão: quer seja no caso do vinho sem álcool ou da cerveja sem álcool, trata-se na verdade de bebidas levedadas (fermentadas) às quais foram retiradas o álcool, as vezes, só parcialmente. É justamente aqui onde está o problema, porque a Palavra de Deus acautela também contra as bebidas levedadas ou fermentadas. Abstenhais-vos disso! E não vos conformeis com o século presente. Porque, todos esses comentários que acompanham esses produtos não passam de publicidade ou propaganda enganosa.

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