As profecias e suas interpretações à luz das escrituras

As interpretações particulares que se faz do termo "profeta" em alguns ajuntamentos que se identificam com Cristo, originaram cultos de personalidades coroando homens, que são exaltadas na Igreja ao mesmo pé de igualdade... quiçá, no lugar de Cristo. Homens que são considerados como co-autor da salvação (mesmo se as coisas não são ditas dessa forma). Pois, de acordo com a interpretação do Evangelho nestes ambientes: a salvação, não só doravante, depende da aceitação desses “profetas”; como também passa por uma reunião ou agrupamento em torno de suas "mensagens".
         Todavia, não é para desafiar ou contestar contra esses "super-profetas", que escrevo estas coisas. Pelo contrário, escrevo-vos para vos acautelar daqueles que querem vos seduzir; vos espalhar longe de Cristo para vos ajuntar atrás dessas pessoas que ensinam coisas perversas. Escrevo-vos para que, pela unção que recebemos da parte do Santo, permaneceis nos ensinamentos, como os recebemos desde o início. Finalmente, escrevo-vos para responder às seguintes questões, que foram levantadas entre os santos que foram confrontados com essas interpretações: a palavra de Deus só vem ao profeta? Deus só pode deixar o Seu povo à guarda de um profeta? Deus não pode ter numa determinada época mais de que um verdadeiro profeta? Só um profeta pode receber sonhos ou visões? Será um profeta o único ensinador idóneo da Palavra de Deus na sua geração? E outras coisas do género...
Nas minhas anteriores pregações tenho, pela uma demonstração do Espírito, confrontado as escrituras com as interpretações segundo as quais Deus, numa determinada geração só pode usar um "profeta-maior". E vimos, e percebemos que, no Antigo Testamento, Deus usou na mesma época: Isaías, Oseias e Miqueias; Daniel e Ezequiel; Jeremias e Sofonias; Zacarias, Ageu e Daniel, etc. Pois, Ele, Deus é soberano na dispensação das Suas graças. Convém pois que permanecemos no que a Palavra de Deus ensina no tocante as pessoas dos servos e aprender de uma vez por todas: “a não ir além do que está escrito, de modo que nenhum de vós se ensoberbeça a favor de um contra outro.” (1Cor.4: 6). Leiamos pois 1Cor.3: 1-9 e entendemos de uma vez por todas que, se concebermos ciúmes e conflitos por causa dos servos do mesmo Deus que nos dividem, em vez de fortalecer-nos na mesma fé; esta é a prova de que nós andamos segundo a carne; e de acordo com o homem, no qual provém nossa glória. Por isso, consideramos o que está na Palavra de Deus; apegamo-nos ao Senhor (e não à homens) pela obediência nos Seus mandamentos; e andamos no Espírito.
Alegrai-vos que, em determinadas circunstâncias, Deus possa enviar ao serviço da Igreja um instrumento sobre qual repousa uma graça excelente. No entanto, permanecem ligados ao Senhor Jesus Cristo que fez o dom à tal homem. O testemunho deste homem pode realmente trazer uma grande luz para o povo de Deus... na Igreja. No entanto, não se esquecem de que, se é um mensageiro de Deus, ele só poderá dizer as palavras de Deus. E as palavras de Deus na nova aliança são os preceitos e mandamentos de Jesus. É por isso que o anjo diz a João: “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia." (Apocalipse 19: 10).
Aprendemos pois estas coisas no que a Escritura diz de João Batista:
“ Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.” (João 1: 6-8).
Entenderam isso? Nenhum servo enviado de Deus pode ser contemplado ou considerado como sendo a luz da Igreja. Ele é uma testemunha da luz; mas ele não é em si a luz. Ele vem para todos cressem em Jesus Cristo através do seu testemunho. É aqui onde deve vos conduzir sua pregação; sua mensagem: à Jesus Cristo. Mas quando ele começa a recomendar-se à si mesmo como sendo a luz que deve guiar todos os caminhantes, então estamos diante de um falso testemunho... Um falso profeta.
         Aqui está a verdade que deve receber todos aqueles que fazem referência ao ministério ou envio de profetas na Igreja, citando o Antigo Testamento: em circunstâncias excepcionais, Deus enviou homens chamados profetas ao Seu povo, os filhos de Israel. Tal foi o caso com Samuel, Isaías, Ezequiel, Miqueias, Malaquias, etc. No entanto, quer seja em visões, sonhos, ou em palavras, o testemunho deles resumiu-se no seguinte: “Assim diz o Senhor". Eles se levantavam e ficavam lá para recordar à essas gentes, os preceitos e mandamentos de Deus ao seu povo; e nenhum deles trouxe uma nova doutrina entre os filhos de Israel. Todos, proclamavam a obediência aos mandamentos e preceitos de Deus, em comunhão perfeita com o que foi dado a Moisés, em Horebe; e que foi recordado antes da partida de Moisés no livro de Deuteronómio.
         Portanto, se olharmos atentamente para essa coisa, não iremos encontrar em qualquer lugar, no meio do povo de Israel, pessoas que se apegaram à estes profetas como discípulos ou fanáticos; nem cultos em honra deles. E quando as coisas por eles anunciadas se efectivavam, as gerações posteriores só podiam referir-se a eles, dizendo: "assim como o Senhor o declarou ao Seu servo fulano...". Isso foi assim, até Malaquias.
         Agora, que diferença podemos estabelecer entre esses profetas e aqueles que as escrituras descrevem como falsos profetas? Senão que estes últimos tentavam agradar à homens; e os reis da terra. E, basicamente, sua atuação estava em flagrante contradição com as ordenanças de Deus.
Quando dizemos "reis da terra", é bom lembrar que a primeira aliança foi da terra; e que os inimigos da nação de Israel eram os reis pagãos em volta deles; e seus respectivos povos. Ora, a segunda aliança é espiritual; como também o Reino revelado nesta aliança é dos céus. Portanto, os inimigos do povo de Deus hoje, não pertencem essencialmente nos reinos visíveis; mas sobretudo entre as autoridades, os principados e potestades do mundo das trevas. São eles que dão: potência e eficiência, à essas doutrinas de demônios espalhadas sobre a terra pelos falsos profetas de hoje.
Eu quero dizer que a mesma serpente que prometeu a Jesus, O Filho do Homem (na condição de Profeta de Deus) honra e glória se Ele aceitasse adorar o diabo, naquele dia; hoje, deu honra, glória, poder e dinheiro a esses falsos profetas que se afastaram dos caminhos do Senhor e perverteram o Seu Evangelho. Não nos ensino O Senhor Jesus que os falsos profetas do passado foram mais honrados pelos homens do que os verdadeiros?
         Outrossim, a "fé nos profetas-salvadores" não é verificável nem no Antigo Testamento, quando os filhos de Israel recebiam os profetas de Deus, mas criam na Palavra de Deus; nem no Novo Testamento, onde Jesus Cristo foi designado Único Juiz dos vivos e dos mortos. Assim como o confirma também o testemunho do Apóstolo Pedro:
“Este (Jesus) nos mandou pregar ao povo, e testificar que Ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. A Ele todos os profetas dão testemunho de que todo o que nele crê (crer em Jesus Cristo e não no profeta da vossa denominação ou igreja) receberá a remissão dos pecados pelo seu nome (o nome de Jesus Cristo, e não o do vosso mensageiro). (Act.10.42, 43)
O Antigo Testamento não nos revela um único profeta que salva. Nenhum! Porque na boca de todos os Seus profetas, o Senhor repetiu incessantemente que Ele era o Único que salva. Convido à todos em fazer uma rápida pesquisa nos Salmos e nos profetas com as palavras: "salvador" ou "salva". Observareis que isso só se aplica de maneira mui particular ao Senhor, e não aos profetas. Isso é verificável mesmo com a versão DARBY defendido nesses ajuntamentos, como sendo a única confiável. Crendo nessas pessoas, seriamos tentados em pensar que Darby foi enviado do céu e os outros tradutores da Bíblia saíram diretamente do inferno.
         Como doutor (glorifico o meu ministério, que faz parte dos dons de Cristo), limito-me em ensinar a Palavra de Deus, de acordo com o que está escrito. Examino toda pregação, de qualquer pregador que seja, no contexto das escrituras. Esta é a nossa Urim - Tumim da nova aliança (a Bíblia porém). E se me dizer que eu não tenho o direito de escrever o que eu escrevi, por mandato divino (já que, no vosso entender, apenas um profeta pode escrever um livro), é agora minha vez de vos perguntar: com que autoridade Lucas escreveu o Evangelho e os Actos dos Apóstolos. Logo ele que era um médico e não um profeta? E, se abraçarmos todos essa visão das coisas, eu também bem poderia rasgar todas as epístolas: de Paulo, Tiago, Pedro, João, Judas e também o livro de Apocalipse. Pois, como sabemos, todos esses livros foram escritos por servos que não tinha ministério de profeta. Ó, homens tolos! Na verdade, não sei o que fazer com tais heresias.
Mas quando essas mentiras ensinadas por espíritos enganadores tentam seduzir, se possível, até os escolhidos que estão se preparando para as bodas do Cordeiro; então levantar-me-ei com a minha vara para fustigar. Sim, eu vou ficar desse lado com a espada do Espírito (a verdadeira Palavra de Deus), para refutar essas heresias de perdição; sem atentar pela aparência de pessoas ou das coisas. Se Deus é por mim, o que me pode fazer um homem?
Como podeis negar a autoridade da Bíblia e ao mesmo tempo usar algumas escrituras da mesma Bíblia para justificar a vossa suposta autoridade sobre a Igreja de Jesus Cristo? Sim, eles menosprezam a autoridade da Bíblia; mas procuram entretanto legitimar os seus próprios discursos à partir desta mesma Bíblia. Eles desrespeitam a Bíblia, mas fazem constantemente referência ao Antigo e Novo Testamento; e se comparam aos profetas que são mencionados nessas escrituras. Como explicar tal perversidade?
Aqui está a verdade: mesmo desprezando-a, esses lobos sabem contudo que sem essa mesma Bíblia, eles perdem legitimidade sobre as vossas almas. Porque a vossa fé foi gerada desta Bíblia. Agora, sendo esses falsos profetas, homens em busca da própria glória, o medo de serem desmascarados pela revelação da Verdade contida nesta mesma Bíblia, lhes leva à essas atitudes e comportamentos. Sim, eles têm medo da Bíblia! Eis a principal razão que lhes leva a depreciar esta Bíblia ao vosso entendimento. Para que os vossos olhos não se abrem e vejam; e nunca chegam à compreender que, na realidade: eles prosperam ao custo das vossas almas. Um negócio fúnebre no qual sois as vítimas!
Quem são pois esses profetas famosos do século presente às palavras dos quais todos deverão se submeter sob pena de ir para o inferno?
Vamos então acompanhar o desenvolvimento do "profeta” e “sua missão"; do velho ao novo testamento.
          

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