A REFERÊNCIA DE ISRAEL: ARGUMENTO OU FIGURA?

 

Sobre a missão de Cristo e da Sua igreja, face aos desafios e tribulações da vida e a vaidade à que a humanidade está sujeita, os cristãos são perdidos no tempo e no espaço.
Confundindo a Israel terrestre, na antiga aliança, com a Igreja das nações, os líderes cristãos se têm levantado e autodenominado “juízes de Deus" na terra. E, cada vez mais, eles estão envolvidos em intermináveis conflitos nacionais; ou mesmo mundiais. Eles procuram desesperadamente traduzir as aspirações desta multidão que ainda olham para Jesus Cristo como um libertador da opressão carnal e física; contra os jugos à que suas respectivas nações estão sujeitas. Sim, os líderes cristãos se levantaram em verdadeiros justiceiros; para a alegria de todos aqueles que esperam em Cristo só para esta vida.
Semelhante a Barrabás, que combatiam os romanos com meios físicos e práticas humanas; muitos desses líderes tornaram-se opositores declarados e assumidos aos regimes opressores das suas respectivas nações. Isto está em total e flagrante contradição com o que está escrito ou anunciado na Palavra profética; nomeadamente em Mat.24: 6-11. Por isso denuncio na minha pregação de hoje estes “líderes-Barrabás”.
E as multidões encantadas e enfeitiçadas pelos discursos e acções desses sacerdotes cristãos, rejeitam os verdadeiros pregadores de Deus. Aqueles que anunciam a vinda do Reino de Deus; e ensinam à todos aqueles que assumem como discípulos de Cristo à não interferir nos assuntos dos reinos dos homens. Eis que, todos estes reinos cairão todos! Quando aquele dia chegar...
Para todos aqueles que recorrem a Israel como argumento de justificativo para tal comportamento; é importante recordar-nos que na primeira dispensação (a da Lei no Velho Testamento), Deus lidava com os homens através da nação de Israel (saída de Abraão); Foi Ele próprio quem escolheu Israel entre várias nações da terra; para levar o Seu nome e torná-Lo conhecido até os confins da terra. Eis porque, o Senhor Deus é identificado como: o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó ou o Deus de Israel (No. 23: 9; Deut.4: 20; 7: 6; 14: 2; 26: 18; Am.3: 2, etc.)
O próprio Deus era seu Rei. E, Ele arbitrava o Seu povo por intermédio dos juízes; e depois pelo profeta Samuel. Posteriormente o povo pediu um rei, e Deus lhes dera Saul. Pouco tempo depois, Ele fez assentar sobre o trono de Israel David; o homem segundo Seu coração. Deus revelava Sua vontade ao Seu povo e aos reis que se sucederam no trono de David, por meio de Seus profetas. É por intermédio destes profetas que Deus lhes falava e fazia também conhecer a Sua vontade às outras nações da terra. Eis porque alguns deles eram chamados: "profetas das Nações".
Hoje, na nova dispensação (a da graça no Novo Testamento), Deus fez-se conhecido para os homens de todas as nações da terra em Jesus Cristo. Em Cristo, Deus redimiu os homens de todas as tribos, povos, línguas e nações da terra para fazer deles um povo que Lhe pertence; pela Igreja de Cristo. Agora, quando dizeis: "nosso país é a terra da promessa... Nós devemos libertar a nossa nação do jugo satânico para que Deus possa reinar nela". Não! Isto contraria o que está escrito na palavra de Deus. A nação Santa das Escrituras não é o vosso país, mas sim a Igreja de Cristo; como está escrito:
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, A NAÇÃO SANTA, o povo adquirido…” (1Pe.2:9)
 “Vós”… quer dizer: a “Igreja do Cristo”. Lêem 1Pe.1: 1.2 e entendem a quem se dirigem estas palavras: aos eleitos que são chamados segundo a presciência de Deus pai, pela santificação do Espírito; para a obediência na Palavra de Deus, a fim de ser salvos pelo sacrifício de Cristo. Ora, os reinos deste mundo não são obedientes na Palavra (incluindo vosso país ou nação). Os eleitos chamados segundo a presciência de Deus no vosso país, estes sim. Pois, estes são os que obedecem na Palavra do Senhor. Vosso país, nação ou Estado não anda na santificação do Espírito; mas apenas os da vossa nação que são eleitos de Deus. Vosso país, nação ou Estado não participa na aspersão do sangue de Jesus Cristo (mesmo quando fazeis cultos nacionais com a participação de vossos governantes, estadistas e tudo...); só participam deste sangue, os da vossa nação que são chamados a ser filhos de Deus. Deu para perceber? A nação Santa é a Igreja de Cristo figurada por Israel no Antigo Testamento. Esta Igreja universal que compõe o corpo do Cristo; e não vossa nação terrestre. Aqui está a Verdade!
A influência negativa do poder secular sobre a fé daqueles que se identificam ao Cristo, nestas condições, é inequívoco. Sobretudo quando atentamos cuidadosamente na história do papado. Refiro-me a uma liderança religiosa “cristã” corrupta e cheia de intrigas; e cuja pretensão de controlar o exercício do poder temporal deu rédea solta a práticas que adulteraram a obra de Deus em Jesus Cristo. Trazendo a Igreja-Estado denominada "cristã" num poder totalitário e absoluto sobre a terra. Com direito, apropriação e confisco do monopólio do conhecimento e da verdade em todas as áreas da actividade humana, pela autoridade papal.
São essas práticas enganosas que estabeleceram o fundamento do “credo católico romano”: uma mistura de dogmas mitológicos aos ensinamentos da Bíblia, que define hoje as “crenças populares da cristandade”. Crenças nitidamente diferentes das práticas primitivas dos discípulos do Cristo que caracterizam a “fé de Jesus”. Foi assim que toda a humanidade acabou desviando-se do Propósito de Deus para a salvação das almas, em Jesus Cristo. Foi assim que o “cristianismo” se corrompeu! Pois, essas crenças, tendo uma falsa aparência de piedade, enfeitiçaram todos os habitantes da terra; ao mesmo tempo que eles influenciaram para sempre seu modo de vida. É sobre esses falsos pilares ou fundações que foi erguida toda uma civilização, cuja filosofia de vida dominara e ainda continua a dominar o mundo dos nossos dias: a civilização cristã.
A supremacia papal e seu papel negativo na história da humanidade (persisto e assino, enquanto muitas pessoas conhecendo a Verdade sobre o assunto preferem calar-se ou defender o indefensável) corromperam espiritualmente - e também carnalmente - os hábitos dos habitantes da terra. Foi essa liderança religiosa que gerou e arrebatou o mundo num ciclo interminável de violência sem precedentes. Levando os homens a abdicar do culto ao Deus vivo a favor do culto às riquezas. Aqui está o fundamento deste capitalismo selvagem que estamos testemunhando hoje. Num mundo onde, a vida humana agora não tem valor nenhum perante os interesses egoístas e materiais dos poderosos da terra.
Falo de um mundo dividido entre duas grandes religiões: cristã e muçulmana. E que se defrontam violentamente numa guerra escondida pelo véu do humanismo de um lado; e de "jihadismo" do outro; no que é agora referido como o "terrorismo". E que representa em suma "uma reacção violenta" por aqueles que se sente vítima de uma outra forma de violência. Por isso afirmei aqui que, sendo a violência uma reacção, um verdadeiro discípulo de Cristo, imitador do Seu Senhor e mestre, não pode apelar para ela. Sobretudo, quando instruídos somos nos caminhos da justiça e da verdade.
“E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores.” (Mat.24: 6-8)
Não! Nós não estamos perturbados por ver o mundo de hoje preso neste ciclo de violência: quando o ocidente “cristão” destabiliza os países muçulmanos. E, estes por sua vez respondem pela violência chamada “terrorismo” que caracteriza a guerra travada pelo "jihadismo" islamita, para se vingar de um adversário muito mais poderoso. Sabemos que no tempo de Noé, nos dias que antecederam o dilúvio, os homens tinham enchido a terra de violência. Assim será nos nossos dias, porque o nosso Senhor e Mestre advertiu neste sentido: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.” (Mat.24:37)
Nesse caso, nós sabemos que a vinda do Senhor Jesus está próximo. Sabendo isso, nos preparamos consequentemente. E, embora o mundo nos odeia sem motivo e nos olha como uma seita perniciosa, nós (os discípulos de Cristo) estamos conscientes de que somos parte da solução e não de problemas e dores de cabeça que afligem a humanidade. Como está escrito:
“ Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rom.8.20, 21)
Ó, Aleluia! Entendem portanto, estas coisas; e acautelem-se desses líderes-Barrabás, que prometem lutar para vossos interesses, contra os poderes e autoridades estabelecidas com a permissão d’Aquele que, por um tempo, sujeitou toda a criação à vaidade. Eles vão vos arrastar na sua sedição; e semelhantes à salteadores (porque a Bíblia diz que Barrabás era um salteador) vos levarão à morte. E se a morte física que os chefes das nações podem vos infligir é insignificante; o mesmo não se pode dizer da morte espiritual (da alma separada de Deus pela desobediência).
Dai à César o que é de César, e a Deus o que é de Deus! Honrai os reis! Até mesmo os maus; por motivo de consciência. Porque esta é a vontade de Deus para nós, Seus discípulos. Chamai isso de covardia, como bem entender. Mas nós, os discípulos do Cristo, não nos engajamos ou comprometemos neste tipo de combate. Porque, na verdade, esta não é nossa luta. Porque não? Porque o nosso Reino não é deste mundo. Pelo que, como imitadores do Cristo, recusamo-nos em lutar por esta causa.
Reparem que a Verdade de Deus não deixa margem de dúvida: a humanidade será libertada da escravidão da corrupção, quando a glória dos filhos de Deus será revelada; com o advento de Cristo. É por isso que denuncio hoje a pretensão daqueles pastores cristãos que querem “salvar” o mundo... ou, as nações da sua peregrinação na terra.
Enquanto isso, sofremos e também gememos na carne, mas nunca perdemos a esperança; Como está escrito:
“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Cor.4:8,9)

 

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