A transição entre as duas alianças

"Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João" (Mat.11.13)
“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.”(Lc.16.16)
         No Antigo Testamento, Israel era a nação de Deus. Um povo à parte que não foi contado entre as nações
“Pois do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo; eis que é um povo que habita só, e entre as nações não será contado.”(No.23.9)
         Na saída do Egipto, Israel não tinha rei. Porque Deus era o seu Rei (Ex.19: 5). Deus libertou Seu povo da escravidão do Egipto e o governou..., o dirigiu ou conduziu por Moisés. Pelo que, diz-se: “Mas o Senhor por meio dum profeta fez subir a Israel do Egito, e por um profeta foi ele preservado.” (Os.12:13). Observem que está escrito que foi o Senhor (não o profeta) que fez subir Israel; e que foi ainda o Senhor (não o profeta) que o preservou. A palavra “por” significa “mediante”; demonstrado assim que o profeta foi apenas um instrumento de Deus; e no caso de Moisés, um mediador. Pois quê? Um Deus libertando e governando por Moisés. Porque aquele povo não tinha rei como as outras nações da terra.
         Depois veio a época dos juízes. As palavras de Deus eram raras; visões e sonhos também. Salvo alguma exceção, como no caso do profeta que Deus enviou pouco antes do reinado de Gideão (Ju.6: 6-19). Nesta altura, pois, não havia nem profetas; nem rei. Como está escrito: “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos.”(Ju.21.25). Sim, cada um fazia o que tanto lhe parecia bem, que Israel prontamente se afastava dos caminhos do Senhor. E sempre que Israel quebrava a aliança descrita no livro da Lei, ele tombava diante de um povo inimigo que o escravizava. Mas, Deus na Sua fidelidade firmava a promessa feita aos pais e estabelecia alguém para libertar Israel da servidão, e julgar entre o Seu povo: um juiz. É nele que se personificava o reinado de Deus sobre Israel naqueles dias.
Isso durou até nos dias de Samuel. Samuel julgou o povo de Deus, mas, na realidade, é o próprio Deus que era o seu Rei. Deus exerceu seu julgamento e autoridade por Samuel, o vidente ou profeta, até que este foi rejeitado pelo povo. O que diz pois o Senhor?
“Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram ter com Samuel, a Ramá, e lhe disseram: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam nos teus caminhos. Constitui-nos, pois, agora um rei para nos julgar, como o têm todas as nações. Mas pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para nos julgar. Então Samuel orou ao Senhor. Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que EU NÃO REINE sobre eles.” (1Sam.8:4-7)
“E disse aos filhos de Israel: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu fiz subir a Israel do Egito, e vos livrei da mão dos egípcios e da mão de todos os reinos que vos oprimiam. Mas vós hoje rejeitastes a vosso Deus, àquele que vos livrou de todos os vossos males e angústias, e lhe dissestes: Põe um rei sobre nós. Agora, pois, ponde-vos perante o Senhor, segundo as vossas tribos e segundo os vossos milhares.”(1Sam.10:18,19)
“Quando vistes que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós, dissestes-me: Não, mas reinará sobre nós um rei; entretanto, o Senhor vosso Deus era o vosso Rei. (…) Disse todo o povo a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para que não morramos; porque a todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei.”(1Sam.12:12,19)

A escritura de Is.43: 15 é mais categórico ainda sobre este assunto:
 “Eu sou o Senhor, vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei.”
E, pese embora, o Eterno-Deus lhes tivesse dado reis depois de Samuel; o Senhor ainda lhes enviou profetas e, até deu videntes à esses reis. Para que o povo de Israel e seus reis permanecessem ligados à Deus. Isto é o que entendemos no aviso dado por Samuel, à Israel e ao seu rei:
“Se temerdes ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos à sua voz, e não fordes rebeldes às suas ordens, e se tanto VÓS como o REI que reina sobre vós seguirdes o Senhor vosso Deus, bem está; mas se não derdes ouvidos à voz do Senhor, e fordes rebeldes às suas ordens, a mão do Senhor será contra vós, como foi contra vossos pais”(1Sam.12:14,15)
Entenda isso: Samuel não era um profeta qualquer; ao contrário dos outros, ele exercia uma espécie de sacerdócio-real. Um profeta que governava o povo, o julgava e encabeçava. Este não é o caso com os outros profetas que se levantaram depois dele. Porque, dos profetas que apareceram em Israel após Samuel nenhum deles exerceu as funções de JUIZ; nenhum deles reinou sobre o povo. Ao contrário, eles profetizaram para o povo e seu rei, no espírito de 1Sam.12: 14,15. Ou seja, (para aqueles que são lentos à entender): os profetas exortavam os filhos de Israel e seus reis à permanecer ligados ao Senhor, temendo e servindo-Lho; à obedecer a Deus, porque o oposto traria a maldição no meio do povo. Meditem o Antigo Testamento até Malaquias e concordarão comigo que é nisto que resumia-se o ministério de (TODOS) profetas. Pelo que, fazendo dessas coisas uma aplicação à Igreja no Novo Testamento, nenhum profeta pode se levantar para reinar no meio do povo; ninguém pode ser assim exaltado. Porque, nós temos também um REI e que é acima de tudo INCORRUPTÍVEL; sendo Ele mesmo: A PALAVRA DE DEUS.
Entendamos portanto que o Antigo Testamento revela um REINO NA TERRA que pertence a Deus; durante o qual Deus falou ao Seu povo, de muitas maneiras e em muitas ocasiões, pelos profetas. Isto é o que foi recordado aos hebreus; que são judeus e israelitas, na epístola com o mesmo nome.
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas” (Heb.1.1)
Tomem pois cuidado com as interpretações particulares! Por causa delas, muitos equivocaram-se, caíram e enlaçaram suas almas em armadilhas mortais que representam esses cultos de personalidades que enaltecem à homens-profetas do que o próprio Deus.
 Mas a verdade é portanto patente aos nossos olhos: se o autor desta epístola fosse um chamado dentre as nações ou gentios, não podia não introdução desta, ter afirmado: “Havendo Deus antigamente falado… aos nossos pais”. Pois, os nossos pais (falo como gentio) não conheciam nem o Senhor, nem os profetas; mais sim divindades baseadas em mitologias, lendas tradições e fábulas. Daí ficamos agora com duas evidências: Primeiro: que o autor deste livro é, antes de se tornar num discípulo de Cristo, um judeus; filho (descendente) de hebreus. Segundo: o autor tinha um grande conhecimento do culto judaico e da Lei, como o confirma a demonstração do Espírito Santo que vai do tabernáculo antigo ao novo; para persuadir os hebreus (e instruir também toda a Igreja) sobre o cumprimento dessas coisas no sacerdócio de Jesus Cristo.
Pelo que, voltando na passagem de Heb.1:1, gostaria de salientar aqui: que não se trata porém de nossos pais, nós, os chamados dentre as nações ou gentios. Trata-se aqui dos pais de Israel que são hebreus. Fica pois claro que Deus falou antigamente aos hebreus pelos profetas; para mantê-los na aliança que fizera com Abraão, Isaac e Jacob.
Esta aliança persistiu até ao aparecimento de João Baptista, que estabelece a transição entre o velho e o novo testamento. E notem que é o próprio Senhor Jesus (e não qualquer pregador), que faz essas afirmações:
“Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.” (Mat.11.13)
“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.”(Lc.16.16)
         Eu não sei se prestam atenção na maneira em como fazem a leitura das escrituras... O Senhor Jesus diz que João Batista pôs fim à lei e aos profetas. A Lei profetizava bênção para aqueles que obedecem ao Senhor e maldição para os desobedientes; os profetas também. A lei é uma profecia, POR MOISÉS (eu falei longamente sobre isso para diferenciar Moisés e os profetas); ela não pode, portanto, ser abolida; mas como qualquer profecia: levada à consumação pela plenitude dos tempos marcados antecipadamente nesta profecia. Ela (a Lei) foi consumada com a vinda d'Aquele que é o Espírito da Lei: Jesus Cristo. Aqui está o porquê Ele disse: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.” (Mat. 5:17).
         Pois que? A profecia NUNCA é anulada; ela tem que se cumprir. Aqui está o que o Senhor Jesus queria que nós entendemos de Mat.11: 13 e Lc.16: 16: "A lei profetizou e durou até João e..., os profetas também profetizaram e ministério deles perdurou até João". Porque "vigorar" significa "ter força". E depois de João? O reino dos céus é anunciado! Digam-me, ó vós que tireis glória dos profetas: existe alguém nesta geração que teria entendido o que o Senhor disse aqui?
         Então abram os olhos e vejam, ó cegos! Ungem vossos olhos com o colírio de Deus…, vejam e entendam de uma vez por todas que hoje, o ministério dos profetas através do qual Deus falou a Israel no Antigo Testamento CESSOU. Ignorantes, aprendei isso; e vós, homens tolos, voltai na Verdade! Não confieis na vossa própria inteligência para entender as coisas de Deus; deixai o próprio Deus instruí-los nos Seu caminhos!
         Desde João Baptista, Deus não é mais revelado à partir de uma só nação sobre a terra. Não se trata mais de profetas das nações. Acabou! Rejeitado por Israel, Deus voltou-se para os gentios e reconciliou-Se com eles, em Jesus Cristo; por meio da Igreja. Se reconheceis que João Baptista é a ponte entre o velho e o novo testamento; deveis também reconhecer que é aqui que ocorre a transição. Aqui começa uma nova era. João Baptista veio para fazer entrar Israel na aliança perfeita que se cumpria com Aquele que é o Espírito desta aliança; Aquele que é o consumidor da aliança de Deus com os seres humanos: Cristo. O mesmo que foi anunciado desde o Éden, nos dias que se seguiram à queda (Gen. 3: 15); e de quem a lei e os profetas testemunharam.
         Ele (Jesus Cristo) veio para cumprir a justiça de Deus; para que por meio dele todos os que crêem sejam justificados como Noé, como Abraão, sem obras; mas pela, como está escrito:
“Mas agora, SEM LEI, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.”(Rom.3: 21,22)
         "Agora", quer dizer que não é mais "antigamente". “Antigamente” era a LEI que veio por Moisés; enquanto “agora” é outro dia: o dia da graça que veio com a Verdade por Jesus, SEM A LEI. Pois, o testemunho da Lei cessa com a vinda de João Baptista.
E este é o testemunho de João Batista: “Naqueles dias apareceu João, o Baptista, pregando no deserto da Judéia, dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mat.3: 1,2). Entendem: João não é o profeta da aliança de Deus com Israel; pelo contrário, ele convidou Israel a arrepender-se para entrar no reino dos céus que é chegado. E quando Israel confundido pela sua pregação tentou reivindicar sua ascendência a Abraão, João Baptista mostrou-lhes que Deus podia suscitar de nada; do que estava morto…, outra descendência a Abraão (Mat.3: 9). E quem são esses "outros filhos" de Abraão, suscitado pela única vontade e poder de Deus; sem família, sem consanguinidade com Israel? Estes são os eleitos das nações que receberam a Palavra de Deus e acreditaram em Jesus Cristo; e que formam a Igreja de Cristo (João 1: 12,13; Efésios 1: 4, 5, 11,13, etc.)
         Lembrai-vos disso: JOÃO É O PROFETA DE TRANSIÇÃO. Ele não é contado no ministério dos profetas antigos. Pelo contrário, ele pôs fim ao ministério deles e fez a transição para o ministério do Senhor Jesus.
A escritura testemunha João Batista, dizendo:
“Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.”(Mat.3.3)
Ao testemunhar de João, O Senhor Jesus confirma o cumprimento da Mal.3: 1 em Mat.11: 9 -11 dizendo que, não só ele era mais do que um profeta, e que não tinha aparecido alguém maior do que ele; todavia, qualquer um que se esforçasse de entrar no reino dos céus, por menor que seja, tornar-se-ia maior do que João. Aprendei pois isto, ó adoradores dos profetas! Porfiai para entrar no Reino que nos é proposto, enquanto resta ainda um pouco de tempo; em vez de idolatrar os mensageiros de Deus…, pior ainda, mesmo aqueles que se fazem passar por enviados de Deus, mas não o são.
         João veio para preparar o caminho do Senhor, anunciar a Sua vinda e o manifestar aos homens; começando por Israel. Depois dele, a salvação anunciada pelos profetas estava preste à se manifestar. Ele veio para ultimar o testemunho de Moisés e dos profetas, apresentando Jesus ao mundo. A partir daqui, a aliança de Deus com Israel (o reino de Deus na Terra) é interrompida. E Deus introduz uma nova esperança em Jesus Cristo, trazendo-nos o reino dos céus na terra.
Esta é a nova aliança: o sacerdócio levítico (de acordo com a ordenança de Moisés) sob o qual a Lei foi dada a Israel; e pelo qual Aarão e seus filhos serviam no altar mudou. E se o sacerdócio muda, a Lei também muda. Aqui está a transição consumada. O antigo tabernáculo era da terra e continha as sombras das coisas que estão no céu. Eis que agora chegou o momento, em que as próprias coisas celestiais devem ser purificadas por um maior sacrifício, do que o que foi oferecido na antiga aliança. Jesus, da tribo de Judá, que na antiga aliança não exercia o sacerdócio é estabelecido em Sua própria casa, Sumo-sacerdote para sempre, de acordo com o poder de uma vida imortal (Heb.7: 11 -16)
Doravante, é através de Jesus Cristo, o Herdeiro de todas as coisas que Deus fala aos homens. É Ele, Jesus de Nazaré: O Profeta cujo Moisés anunciou a vinda e do qual todos os outros profetas testemunharam. Porque Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Cristo de Deus, o Salvador e Redentor da raça humana.

 

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