ZOROBABEL E A PROMESSA DA RESTAURAÇÃO

“Prossegui ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exercítos... As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exercítos quem me enviou à vós outros”

            Para um espírito não iluminado, o versículo 6 da profecia contida nesta visão de Zacarias poderá parecer fora do contexto que trata os precedentes.
            Porque que no momento em que o profeta investiga junto do anjo do Senhor acerca do mistério do castiçal (v.4,5), este faz logo referência à promessa de Deus feita à Zorobabel? Que significa isto?
         Os seis primeiros capítulos do livro de Esdras nos revela a vocação deste governador judeus à quem foi encarregue, no fim do cativeiro babilônico, a missão da reconstrução do templo de Deus que estava assolado em Jerusalém. Uma vez posto o alicerce da casa de Deus, os edificadores enfrentaram logo à seguir a rivalidade e oposição da parte dos inimigos de Deus e do Seu povo. Semelhantes à “lobos em pele de ovelha”, os mesmos que se apresentaram no princípio como obreiros para a reconstrução da Casa de Deus, transformaram-se depois numa verdadeira montanha, obstacúlo na realização da mesma. Usaram de todos os meios perniciosos como: a intimidação, a calúnia, a corrupção, e por fim, a violência e a força para interromper a obra da casa de Deus. Não eram Zorobabel e seus companheiros, cooperadores de Deus? Disse Jesus: “Se tiverdes como um grão de mostarda, direis à este monte: passa daquí para acolá - e há de passar; e nada vos será impossível” (Mat.17:20). E de onde vem a fé? Senão da mesnsagem da Palavra de Deus (Rom.10:17). Por isso Deus lhes enviou pelos Seus profetas, a Palavra confirmada. É assim que a lavoura de Deus foi levado acabo.
         Temos mais uma vez aqui, uma figura perfeita entre a missão de Zorobabel e o ministério da edificação da Igreja do Deus vivo. No começo, o Senhor elevado na glória fez dons aos homens, que animados pelo Seu Espírito, deitaram o fundamento da Igreja para edificar uma casa espiritual para Deus. Está foi a obra do ministério apostólico na era primitiva. Depois disso, surgiram no meio da Igreja, falsos mestres que transtornaram a doutrina do Cristo. O que no princípio era um simple espírito sedutor, se edificou numa verdadeira organização anti-cristo que por sua vez, utilizou os mesmos meios que os samaritanos na época de Zorobabel para interromper a acção do Espírito Santo na obra de edificação do corpo do Cristo.
         Aconteceu entretanto que, em cada uma das gerações ou eras que caracterizam “o tempo das nações”, o próprio Senhor foi dando a luz da verdade aos adoradores pelo Espírito da revelação que separava assim o joio do trigo. E tal o maná dado ao seu tempo, a luz da verdade apostólica e primitiva foi dada ao “anjo” ou mensageiro que o Senhor Jesus Cristo levantava em cada uma dessas épocas como precursor da obra de Deus para os da sua geração, com a missão de despertar o entendimento dos que adoram no altar sobre o Conselho de Deus. Este é o mistério das sete estrelas que estão na mão direito do Senhor (Apoc.1:16a e 20). O testemunho ou mensagem de cada um deles era uma lampâda acesa e, o Espírito que o animava era o mesmo que falavam pela boca de todos os verdadeiros servos de Deus que levantavam com ele a carga do povo de Deus na mesma época (o tipo de Moisés e os setenta anciãos de Israel ungidos pelo Senhor com o mesmo Espírito).
Podemos observar aqui uma coisa: muitas podiam ser as pregações, segundo a medida e a sabedoria dada à cada um dos instrumentos de Deus. Todavia, o Espírito do Senhor que fala numa determinada geração revela UMA MENSAGEM ÚNICA para todas as Igrejas dos santos. Assim como a obra do ministério é uma só para todos Seus servos pela comunhão do Espírito da revelação que lhes guia nessa verdade. É desse modo que todos os membros do corpo único do Cristo chegam na UNIDADE DA FÉ e no CONHECIMENTO PERFEITO daquele que é o Autor e Consumidor da fé para a Salvação.
         Na representação do castiçal, essa mensagem única numa geração era ilustrada pela uma lampâda acesa. Temos assim, sete lâmpadas para sete eras ou gerações. Cada uma dessas lâmpadas para arder, recebia o azeite do vaso pelo um tubo ou canudo. Um tubo, mas também, um “canal”, um “caminho” único que vivifica a Palavra de Deus (“as palavras que eu vos disse são Espírito e vida” – Jo.6:63) para esses filhos que andam à luz da face do Senhor e vence a sedução e a corrupção que triunfaram das suas gerações respectivas. Pelo que está escrito: “Bem-aventurado o povo que conhece o som da trombeta” (Sal.89:16)
         E, à semelhança das lâmpadas que eram acesas uma após outra, até que todo o castiçal for completamente iluminado; duma geração para a outra, o Senhor foi revelando Sua vontade nessas mensagens características até a consumação do tempo das nações e da dispensação da Igreja. Para que se cumpre o que está escrito: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, à todos quantos o receberam, DEU-LHES O PODER DE SEREM FEITOS FILHOS DE DEUS” (Jo.1:11,12). Estes são os vencedores em cada era da Igreja.
         Mas, é justamente no fim dos tempos que segundo o que está escrito, Cristo padece muito (crucificado pela segunda vez) e é rejeitado pela esta última geração, como o fez Israel no dia da sua visitação (Lc.17:25). “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará a fé na terra?” (Lc.18:8b).
Veio pois a APOSTASIA que segundo 2Tes.2:3 deve anteceder a vinda de Jesus. O Conselho de Deus será assim aniquilado? De jeito nenhum! O apóstolo Pedro disse que o céu deve receber o Senhor Jesus Cristo até aos tempos da restauração de todas as coisas; segundo o que Deus anunciou pela boca de todos os profetas. Restaurar significa: restabelecer ou repôr algo no seu estado antigo. Significa também: recuperar, readquirir, reconquistar o que foi perdido, reparar o que foi destruido. É esta coisa que Zacarias viu e anunciou também na sua quinta visão, e que nos é ilustrada aqui pela RECONSTRUÇÃO do templo de Jerusalém por ZOROBABEL e seus companheiros que regressam do cativeiro na Babilônia. Babilônia que, hoje para nós significa: a confusão espiritual onde a Igreja mergulhou, mas do meio do qual o povo de Deus está chamado à sair, segundo o Espírito que clama: “Sai do meio deles povo meu...” (2Cor.6:14-18).
         Sim, tal como o fim de um ciclo é idêntico ao seu começo, no fim da dispensação da Igreja e dos tempos das nações, essa Igreja do Senhor será restaurada pela Palavra viva, isto é, reposta no seu estado antigo. O que quer dizer, que ela regressará no seu fundamento primitivo que é segundo a doutrina apostólica pela Palavra de Cristo (1Cor.3:10,11; Ef.2:20; Gal.1:8,9), e reparado será o altar da nova aliança que foi destruído pelos obreiros fraudulentos animados pelo espírito anti-cristo que invadiram a seara do Senhor ao longo dos séculos. Como é que tal coisa poderá acontecer?
         “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”.
O que confirma também os profetas Isaías (Is.59:21) e Joel (Joe.2:28-32) para nossos dias em que pela chuva serodia (ou última chuva), o Espírito Santo será derramado sobre “os filhos” dos profetas que pela mesma palavra profética que fez o anuncio, cumprirão ou confirmarão o Conselho de Deus. “O que foi é o que será” , diz o Eclesiaste.
         “As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; elas - as suas mãos- mesmas a acabarão”.
Que significa isso? O fundamento da Igreja do Cristo, edifício de Deus, foi posto pelo ministério apostólico, Jesus Cristo sendo a pedra principal ou de remate. Essa pedra da esquina rejeitada pelos edificadores carnais mas, eleita e preciosa para Deus (1Pe.2:4). No fim ou consumação dos tempos, o mesmo ministério que deitou o fundamento há de caracterizar “os filhos” desses profetas que edificam a obra de Deus. O próprio Senhor testificando com eles pelo mesmo Espírito que estava no começo sobre seus “pais” e, Jesus Cristo será de novo glorificado. “Ele colocará – trará (versão revista e corrigida) – a primeira pedra com aclamações: Graça, graça a ela”. Glória à Deus! À semelhança do que aconteceu no monte carmelo quando Elias levantou o altar de Deus (1R.18:39).
         Sim, no fim do ciclo da vida da igreja na terra, um ministério idêntico ao ministério dos apóstolos se levantará pelo Espírito de Deus e acabará a obra de edificação do Corpo do Cristo, aperfeiçoando os santos na verdade desta sã doutrina que hoje é rejeitada pelos homens (1Tim.4:1,2). A coisa nos é ilustrada na “carta” do Senhor Jesus na Igreja de Laodiceia que caracteriza a sétima era da dispensação: no fim de tudo, a verdadeira doutrina bate de novo à porta da Igreja (“Eis que Estou na porta e bato”). No meio da grande apostasia dos últimos dias, Cristo, o mistério da piedade, é revelado aos que aceitam a palavra da promessa, na comunhão da mesa do Senhor (“E cearei com ele e ele comigo”). Promessa essa que lhes leva direitamente para o trono de Deus ou a glória (Apoc.3:20,21).
         Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus que, brevemente, será manifestado!